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A Coreia do Sul vai enviar urgentemente mísseis interceptores aos EAU para equipar os sistemas antiaéreos M-SAM-II.

Três militares em uniforme discutem junto a uma ogiva e documentos numa instalação militar deserta.

No contexto da actual intensificação das tensões militares no Médio Oriente, a Coreia do Sul terá optado por acelerar o envio de mísseis interceptores destinados aos sistemas de defesa aérea M-SAM II já destacados nos Emirados Árabes Unidos (EAU). De acordo com informação divulgada por fontes abertas, cerca de 30 interceptores deverão ser transportados em aeronaves de carga C-17 Globemaster III da Força Aérea dos EAU, numa operação com arranque imediato para robustecer a capacidade antimíssil do país do Golfo.

Entregas antecipadas para reforçar rapidamente a defesa antimíssil dos EAU

Os dados disponíveis indicam que os interceptores virão, em parte, de reservas da Força Aérea da República da Coreia (ROKAF), enquanto outras remessas corresponderão a unidades já contempladas em contratos assinados com os EAU, mas entregues antes do calendário inicialmente previsto.

O processo de transferência deverá ocorrer de forma faseada e prolongar-se, pelo menos, até 9 de Março, com o objectivo de aumentar rapidamente a capacidade de defesa antiaérea emiradense. Fontes citadas pelo The Korea Herald referiram que “o pedido dos EAU para a entrega antecipada das baterias Cheongung-II e dos mísseis interceptores foi feito nos últimos dias”.

Actualmente, os Emirados Árabes Unidos dispõem de duas baterias operacionais do sistema M-SAM II, adquiridas à Coreia do Sul no âmbito de um programa abrangente de modernização da arquitectura de defesa aérea. Estas baterias inserem-se num contrato mais amplo que previa até dez sistemas completos, orientados para a protecção de infra-estruturas críticas e centros urbanos face a ameaças como mísseis balísticos. Neste enquadramento, tem sido referido que são necessários 32 mísseis interceptores para equipar integralmente uma única bateria.

Uma antecipação desta natureza implica, em regra, ajustes relevantes ao nível de planeamento, logística e disponibilidade de inventário - tanto do lado do utilizador final como do fornecedor. A necessidade de garantir transporte estratégico, armazenamento e prontidão imediata reforça a urgência percebida e a prioridade atribuída ao reforço das capacidades no terreno.

M-SAM II (Cheongung II): um sistema-chave para a defesa aérea dos Emirados Árabes Unidos

O M-SAM II, também designado Cheongung II, é um sistema de defesa antiaérea e antimíssil de médio alcance desenvolvido na Coreia do Sul com participação de empresas como LIG Nex1, Hanwha Systems e Hanwha Aerospace, beneficiando de apoio tecnológico associado ao programa russo S-350.

Projectado para interceptar mísseis balísticos na fase terminal, o M-SAM II pode envolver alvos a altitudes superiores a 40 km e a distâncias na ordem dos 40 a 50 km, recorrendo a interceptores com guiamento por radar activo. O sistema é concebido para operar numa arquitectura de defesa em múltiplas camadas, em conjunto com outros meios antiaéreos, permitindo detectar, acompanhar e interceptar ameaças de forma coordenada.

Para além do lançador e dos mísseis interceptores, cada bateria integra um radar multifunções de varrimento electrónico activo (AESA) e um centro de controlo de tiro. Estes componentes permitem a detecção simultânea de múltiplos alvos e a coordenação de intercepções em tempo real.

Um ponto frequentemente determinante na eficácia operacional é a integração de sensores e redes de comando e controlo, de modo a reduzir tempos de reacção e a melhorar a atribuição de alvos quando existem ataques combinados. Em cenários com uso de drones de ataque e vectores balísticos, a capacidade de coordenação entre camadas e de gestão de saturação torna-se particularmente crítica.

O contrato multibilionário assinado em 2022

A compra destes sistemas pelos Emirados Árabes Unidos foi anunciada oficialmente em Janeiro de 2022, quando as duas partes assinaram um acordo avaliado em cerca de 3,5 mil milhões de dólares (USD) - um dos maiores contratos de exportação de armamento na história da indústria de defesa sul-coreana.

O entendimento previa a entrega de múltiplas baterias do sistema Cheongung II, acompanhadas por mísseis interceptores e o apoio logístico associado. Na altura, o contrato foi enquadrado como um passo decisivo para reforçar a defesa antimíssil do país do Golfo, sobretudo perante ameaças provenientes de actores regionais com capacidade para empregar mísseis balísticos e drones. Desde então, a Coreia do Sul tem avançado de forma gradual na produção e na entrega dos sistemas.

Por fim, importa sublinhar que este eventual envio acelerado poderá reflectir a crescente preocupação com a segurança de aliados dos Estados Unidos no Golfo, especialmente após ataques recentes com mísseis balísticos e drones que atingiram instalações militares e radares de defesa antimíssil na região.

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