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Autódromo do Estoril pode fechar se não cumprir estas regras

Homem com colete laranja refletor numa pista de corrida, junto a um plano e equipamento sobre uma mesa.

A Câmara Municipal de Cascais admite avançar para a interdição do Autódromo do Estoril se continuarem por cumprir as regras de segurança e de insonorização, mesmo com o circuito já apontado ao calendário de diversos eventos internacionais em 2026.

Segundo o vice-presidente do município, Nuno Piteira Lopes, o Circuito do Estoril apresenta hoje problemas estruturais considerados sérios: existem bancadas encerradas por risco de colapso, registam-se infiltrações nas boxes e as instalações sanitárias não correspondem ao que é exigível para receber equipas e espectadores. Para o autarca, o cenário atual não assegura condições mínimas para acolher “pilotos, equipas e público”.

Autódromo do Estoril: segurança, barreiras acústicas e a lei do ruído

O responsável recorda que o Estado, a Parpública e o Circuito do Estoril têm uma sentença judicial que determina a realização de investimentos - com destaque para barreiras acústicas -, mas que essas intervenções continuam por concretizar. Se a situação persistir, a autarquia admite que poderá vir a interditar o circuito por incumprimento da lei do ruído, caso se mantenha a falta de medidas que assegurem a conformidade legal.

A pressão do município nasce, também, do impacto do ruído e da atividade do autódromo no território envolvente. A Câmara sustenta que a continuidade do projeto deve ser compatível com a qualidade de vida dos residentes e com um quadro de exploração estável, onde a atividade desportiva não dependa de exceções ou de adiamentos sucessivos das obras exigidas.

Em paralelo, qualquer estratégia de modernização terá de contemplar não só obras de segurança e insonorização, como também condições de operação mais eficientes em dias de evento - por exemplo, gestão de acessos, estacionamento e transportes -, de forma a reduzir constrangimentos locais e tornar a experiência do público mais organizada.

Negociação com a Parpública e plano de modernização

A Câmara Municipal de Cascais quer negociar com a Parpública um direito de superfície até 75 anos, prevendo uma renda total de 12,5 milhões de euros, com o objetivo de assumir a gestão e a modernização do Autódromo do Estoril.

O plano apontado pelo município inclui a criação de novas valências e infraestruturas complementares, nomeadamente:

  • um kartódromo;
  • uma escola de restauro de automóveis clássicos;
  • uma garagem-museu;
  • um espaço dedicado a animação noturna.

De acordo com o autarca, existem investidores disponíveis para apoiar o projeto, reforçando a viabilidade de uma intervenção que recupere o equipamento e diversifique as utilizações sem descaracterizar o seu papel central no desporto motorizado.

Ainda assim, Lopes sublinha que o município já formalizou por escrito os compromissos apresentados e que a decisão final depende agora da Parpública, lamentando a demora - mesmo que a resposta venha a ser negativa.

Críticas ao Estado e valor histórico do Circuito do Estoril

Nuno Piteira Lopes critica a falta de investimento público no Autódromo do Estoril, contrastando com apoios concedidos a autódromos privados, como o de Portimão, enquanto um equipamento de propriedade estatal permanece, nas suas palavras, “ao abandono”. Para o presidente da Câmara, a forma como o circuito tem sido gerido compromete o seu futuro.

O autarca destaca ainda o peso histórico do Circuito do Estoril no automobilismo nacional, lembrando que foi palco da primeira vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1, elemento que, na sua perspetiva, reforça a necessidade de preservar e qualificar o espaço.

Fim dos eventos?

Apesar das reservas apontadas pela autarquia, o Autódromo do Estoril mantém, para 2026, a realização de provas e encontros relevantes, entre os quais:

  • o Mundial de Superbikes;
  • eventos e provas de automóveis clássicos;
  • competições do Porsche Sprint Challenge Ibérica.

O município garante que, se vier a assumir o controlo, irá manter a vocação desportiva do autódromo, protegendo o legado do circuito e abrindo caminho a utilizações complementares - sem colocar em causa o uso automóvel e competitivo do espaço.

“Tenho poucas dúvidas de que, a continuar a ser gerido da forma que tem sido gerido nas últimas décadas, não terá qualquer futuro.”

Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara Municipal de Cascais

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