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BMW lucra menos em 2025 mas resiste melhor que os rivais

Carro elétrico BMW 2026 EV prateado em exposição numa sala moderna com janelas grandes e edifícios ao fundo.

O ano de 2025 revelou-se particularmente exigente para a indústria automóvel, com vários construtores a sentirem o peso de um contexto internacional instável: tensões geopolíticas, fricções comerciais e uma concorrência chinesa cada vez mais agressiva. Ainda assim, o Grupo BMW - que integra BMW, MINI e Rolls-Royce - conseguiu atravessar este período com maior resiliência do que muitos rivais, encerrando 2025 com indicadores globalmente robustos.

Embora os números tenham recuado face a 2024, a descida foi mais contida do que a verificada em concorrentes como a Mercedes-Benz ou, no mercado alemão, a Porsche.

Resultados do Grupo BMW em 2025: receitas, lucro e margem operacional

Em termos de negócio, as receitas diminuíram 6,3% relativamente a 2024, fixando-se em 133,45 mil milhões de euros. Já a contração da rentabilidade foi mais moderada: o lucro líquido do Grupo BMW atingiu 7,45 mil milhões de euros, o que representa uma quebra de 3% em comparação com o ano anterior.

Um dos destaques foi a margem operacional, que permaneceu inalterada em 7,7%. Este desempenho foi apoiado, em parte, por uma redução de custos: o grupo cortou 2,5 mil milhões de euros em despesas ligadas a investigação, desenvolvimento, produção e áreas administrativas.

Indicador (2025) Valor Variação face a 2024
Receitas 133,45 mil milhões € -6,3%
Lucro líquido 7,45 mil milhões € -3,0%
Margem operacional 7,7% Estável

O que pesou nos resultados: China, tarifas dos EUA e câmbios

De acordo com o próprio grupo, vários fatores contribuíram para a pressão sobre o desempenho em 2025. Entre os mais relevantes estiveram:

  • Quebra de 12,5% nas vendas na China, um dos mercados historicamente mais importantes para o Grupo BMW.
  • Impacto de tarifas adicionais dos EUA, que agravaram custos e complexidade comercial.
  • Volatilidade cambial, com efeito mais visível nas oscilações do dólar, do won (moeda sul-coreana) e do renminbi (moeda chinesa).

Apesar destes obstáculos, o grupo conseguiu equilibrar parte do impacto negativo com melhores resultados noutras geografias.

Europa e Américas ajudaram a compensar a queda na China

Enquanto a China recuava, o Grupo BMW registou evolução positiva noutros mercados:

  • Europa: crescimento de 7,3%
  • Américas: aumento de 5,6%

Este desempenho contribuiu para mitigar a quebra chinesa e permitiu fechar 2025 com uma subida total marginal de 0,5% nas vendas globais, para 2 463 681 unidades.

A pressão competitiva na Ásia, aliada a mudanças rápidas na procura (incluindo políticas de preços mais agressivas e maior oferta local), tornou a gestão do mix de produto e a disciplina de custos ainda mais determinantes. Em paralelo, na Europa, o enquadramento regulatório e a evolução das metas de emissões continuam a influenciar diretamente a estratégia de produto - sobretudo no ritmo de adoção de soluções eletrificadas.

Eletrificação no Grupo BMW impulsionou vendas

Apesar de o Grupo BMW ser um dos fabricantes mais vocais na defesa da continuidade dos motores de combustão, o desempenho na eletrificação tem sido um dos pontos fortes do grupo - inclusive face aos “rivais do costume”, como Mercedes-Benz e Audi.

Em 2025, as entregas de modelos 100% elétricos voltaram a crescer, com uma subida de 3,6% para 442 056 unidades. Estes veículos passaram a representar 17,9% das vendas totais do grupo. No mesmo período, a Mercedes-Benz, por exemplo, registou uma descida nas vendas de elétricos.

Somando também os híbridos plug-in, o grupo entregou 642 071 veículos eletrificados - ou seja, aproximadamente um em cada quatro automóveis vendidos em 2025 tinha algum tipo de eletrificação. Na Europa, o peso foi ainda mais expressivo: 40% das vendas no continente corresponderam a elétricos e híbridos plug-in.

A evolução da infraestrutura de carregamento (sobretudo em corredores urbanos e autoestradas), a maior diversidade de modelos e a otimização de autonomias e tempos de carregamento têm contribuído para reduzir barreiras de adoção. Ao mesmo tempo, a gestão do valor residual e a dinâmica do mercado de usados passam a ter impacto acrescido na competitividade de versões eletrificadas, especialmente em frotas.

Desempenho por marca e modelos mais relevantes

O contributo para as vendas não foi uniforme entre marcas e gamas, mas alguns modelos destacaram-se claramente:

  • BMW: o Série 5 esteve entre os principais motores de crescimento, com um aumento superior a 25% face a 2024. Também o X2 ganhou tração, ao registar uma subida de 33% nas vendas.
  • MINI: a marca totalizou 288 279 unidades vendidas, uma progressão de 17,7%. O Countryman foi o modelo mais vendido ao longo do ano.
  • Rolls-Royce: no segmento de luxo, a marca manteve-se praticamente estável, com 5664 unidades comercializadas, o que corresponde a uma ligeira queda de 0,8%. Os modelos com maior procura foram o Cullinan e o Spectre, totalmente elétrico.

20 modelos elétricos até ao final de 2026 (Grupo BMW e Neue Klasse)

O plano para 2026 passa por reforçar o investimento na eletrificação. Segundo Oliver Zipse, diretor-executivo do Grupo BMW, “até ao final do ano vamos oferecer 20 modelos totalmente elétricos”. A maior parte desta ofensiva será assegurada pela BMW, com modelos integrados na nova família Neue Klasse.

O arranque desta nova fase foi assinalado com o iX3. Além disso, está prevista a chegada ao mercado - até ao final de 2027 - de 39 modelos novos e atualizados. Entre os próximos lançamentos, destaca-se o novo BMW i3, descrito como o primeiro Série 3 elétrico.

Nas palavras de Zipse, “com a nossa vasta gama de veículos eletrificados, garantimos uma posição competitiva sólida. Vamos manter o ritmo de inovação à medida que introduzimos as tecnologias da Neue Klasse em todo o nosso portfólio”.

Custos, incerteza e previsão de vendas para 2026

Para lá da renovação da gama, o Grupo BMW mantém a prioridade na disciplina financeira e na redução de custos. A empresa continua a antecipar um ano desafiante, apontando como riscos principais:

  • tarifas e evolução de matérias-primas;
  • um mercado de usados em retração.

Ainda assim, a orientação aponta para vendas globais estáveis em 2026. O grupo espera também preservar a mesma proporção de elétricos no total de vendas alcançada em 2025, mantendo a eletrificação como pilar de crescimento - sem abdicar, por agora, de uma estratégia tecnológica diversificada.

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