A Sony Honda Mobility (SHM) comunicou esta quarta-feira que decidiu pôr termo ao projecto do AFEELA 1 e, em simultâneo, interromper o desenvolvimento do segundo automóvel que estava previsto na sua gama.
Cancelamento ligado à revisão da electrificação da Honda e à Série 0
A medida surge depois de a Honda ter revisto a sua estratégia de electrificação, anúncio feito a 12 de março, processo que acabou por ditar o fim da Série 0, a família de veículos 100% eléctricos da marca japonesa. Era precisamente essa base técnica que serviria de plataforma comum ao AFEELA.
Segundo a SHM, a avaliação interna levou à conclusão de que, nas condições actuais, não existe uma via realista para colocar estes modelos no mercado de acordo com o calendário inicialmente definido.
Apresentação no CES, reservas nos EUA e plano para 2028 também cai por terra
O AFEELA 1 tinha sido mostrado, numa configuração muito próxima da versão final, na edição do ano passado do CES (a feira de electrónica de consumo). Esta berlina já se encontrava disponível para reserva nos EUA e a estreia comercial estava apontada para o final deste ano.
Além disso, o plano da empresa incluía um segundo modelo para 2028, um veículo utilitário desportivo, que é igualmente cancelado com esta decisão.
Reembolsos integrais e o papel da Sony e da Honda no projecto
A SHM adiantou que todos os clientes que já tinham efectuado uma reserva serão reembolsados na totalidade. Recorde-se que esta empresa conjunta assentava, por um lado, na utilização dos programas e soluções digitais da Sony e, por outro, na capacidade industrial e na estrutura de produção da Honda.
Do ponto de vista do consumidor, este tipo de reembolso total tende a reduzir o impacto imediato da decisão, mas deixa em suspenso questões práticas como a eventual migração de interesse para alternativas eléctricas equivalentes e a confiança do mercado em projectos tecnológicos semelhantes.
Parceria sob pressão e revisão do rumo estratégico
A interrupção do AFEELA 1 intensifica a pressão sobre a continuidade da colaboração entre as duas empresas, tornando incerto o futuro desta união estratégica. De acordo com a informação divulgada, as organizações encontram-se a reavaliar a orientação estratégica dos seus negócios e a ponderar diferentes cenários para o futuro da parceria, tendo em conta tanto os objectivos que estiveram na origem da SHM como o actual contexto do mercado.
Num sector em rápida transformação, a leitura do mercado - custos de desenvolvimento, ritmo de adopção dos eléctricos e concorrência crescente - pode levar a uma redefinição de prioridades, seja através de novos formatos de cooperação, seja através de uma separação mais clara de responsabilidades entre parceiros.
Por fim, a SHM refere que as três entidades pretendem divulgar, em conjunto e no momento adequado, a direcção estratégica a seguir, o posicionamento a médio e longo prazo e o contributo que esperam dar para o futuro da mobilidade.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário