Ninguém consegue identificar o dono destes automóveis
As notícias trazem-nos, com frequência, acontecimentos inesperados. Nem tudo é pesado ou trágico; por vezes surgem episódios simplesmente estranhos e quase leves. Foi isso que relatou o jornal 20 Minutos (edição suíça): três Jaguar S-Type de 2005 foram encontrados abandonados na área de descanso de Maienfeld, junto à A13, no sentido de Coira.
Tratando-se de viaturas de luxo, o caso tornou-se ainda mais intrigante. Quando eram novas, estes modelos valiam entre 60 000 e 70 000 francos suíços (aproximadamente 65 000 a 75 000 euros). Ainda assim, não saem do lugar desde maio e, ao fim de quase seis meses, a presença prolongada acabou por levantar suspeitas entre quem passa ali com regularidade.
Jaguar S-Type abandonados em Maienfeld, na A13, rumo a Coira
Com o passar das semanas, a situação começou a gerar perguntas óbvias: como é possível deixar três carros naquele estado sem que ninguém os venha buscar? A repetição diária do mesmo cenário transformou o episódio num pequeno mistério local - e foi precisamente isso que levou o 20 Minutos a procurar quem trabalha no local.
“Um zuriqueense barbudo”
O jornal falou com Andy, o responsável pelo parque de estacionamento, que diz ter uma explicação bastante concreta para o que terá acontecido. Segundo ele, os carros seriam de “um zuriqueense barbudo”, que chegou a viver numa autocaravana estacionada nas imediações.
Na versão avançada por Andy, esse homem aparentava ter uma situação financeira confortável, mas terá sofrido um revés que o deixou muito fragilizado. O proprietário estaria agora endividado e, de acordo com o responsável do parque, tentou vender as viaturas para pagar as dívidas, só que as propostas recebidas pelos Jaguar lhe pareceram demasiado baixas.
Andy admite estar preocupado com o paradeiro do homem, que poderá estar “provavelmente algures na Europa”. Entretanto, e enquanto ninguém aparece para assumir a posse, a situação deixou de ser apenas uma curiosidade.
Intervenção policial e consequências legais
Perante o impasse, a polícia local teve de actuar: retirou as placas de matrícula e colocou fita de sinalização em torno das viaturas, de forma a delimitar e controlar a situação.
Mesmo não havendo, à partida, um crime associado, o caso pode resultar numa coima, uma vez que o estacionamento no posto de abastecimento só é permitido por quatro horas. Por esse motivo, o operador do espaço deverá avançar com um processo civil contra o proprietário desconhecido.
A existência deste tipo de limite não é mero formalismo: áreas de serviço e descanso são desenhadas para rotação rápida, segurança e acessibilidade. Quando um veículo fica semanas ou meses no mesmo ponto, aumenta o risco de degradação, de ocupação indevida do espaço e de complicações operacionais para quem gere o local.
Em cenários como este, é comum que a prioridade passe a ser dupla: manter a segurança do parque e, ao mesmo tempo, criar condições para identificar o responsável. A partir daí, entram em jogo procedimentos administrativos e judiciais que podem incluir custos de remoção, armazenamento e taxas associadas ao incumprimento das regras de estacionamento.
Um caso que fez lembrar outra história insólita
Este episódio trouxe à memória dos jornalistas outro acontecimento curioso: em 2015, foram descobertos dois aviões num terreno devoluto no aeroporto de Sion. Na altura, os responsáveis aproveitaram a ocasião para transformar as carcaças em espaços de treino para bombeiros, dando às estruturas um uso inesperado - mas útil.
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