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Exercício de Operações Especiais **Atlantic Dagger** (Daga Atlântica) pode ser reformulado - ou mesmo cancelado - devido à guerra entre os Estados Unidos e o Irão

Militares em uniforme em reunião estratégica com mapa e monitor com mapa-múndi numa sala iluminada.

A guerra entre os Estados Unidos e o Irão está a provocar efeitos directos no Exercício de Operações Especiais Atlantic Dagger, inicialmente projectado como uma das principais iniciativas de cooperação militar entre a Argentina e os Estados Unidos ao longo deste ano. Segundo fontes do Governo Nacional, o planeamento de base já está a ser revisto e não é afastada a hipótese de uma eventual anulação, uma vez que a decisão final continua dependente das opções que Washington venha a tomar no actual quadro de crise no Médio Oriente.

Córdoba mantém-se como sede prevista, mas o calendário do Atlantic Dagger continua em aberto

Para já, a província de Córdoba permanece indicada como local de realização do exercício, embora a sua execução possa sofrer alterações. Estava prevista a presença do presidente Javier Milei e do ministro da Defesa, o Tenente-General Presti, em pelo menos um dos dias de actividade, mas o cronograma não está fechado.

As autoridades reconhecem que o modelo definitivo do operativo está ainda em avaliação e que o desfecho dependerá simultaneamente da disponibilidade de meios e da evolução do cenário internacional, em particular do grau de envolvimento norte-americano na região.

Redução de financiamento e de efectivos: participação dos Estados Unidos poderá ficar abaixo de 160 militares

Nos bastidores, as conversações apontam para um formato mais limitado do que o desenho inicialmente considerado. Os Estados Unidos terão cortado parte do financiamento previsto e, nesta fase, a componente norte-americana poderá restringir-se a menos de 160 efectivos destacados em território argentino - um número substancialmente inferior às estimativas trabalhadas no arranque do projecto.

Este ajustamento está associado, em grande medida, à necessidade de reorientar recursos para outras prioridades estratégicas, o que tem impacto imediato na dimensão e na ambição do exercício combinado.

O que é o Atlantic Dagger (Daga Atlântica) e qual o seu objectivo

O Atlantic Dagger, também referido como Daga Atlântica, integra um quadro de cooperação formalizado em Março de 2025, através de um memorando de entendimento entre o Comando Conjunto de Operações Especiais da Argentina e a sua contraparte dos Estados Unidos.

O propósito central da iniciativa passa por: - reforçar a interoperabilidade entre as duas forças; - promover a troca de especialistas e de experiências; - consolidar procedimentos comuns em operações especiais, alinhados com padrões internacionais.

Planeamento original previa unidades de elite, aeronaves estratégicas e sistemas não tripulados

Na concepção inicial, o exercício previa um destacamento expressivo de meios e de pessoal. Do lado norte-americano, foi ponderada a participação de unidades de referência como: - Green Berets (Boinas Verdes); - Air Force Special Operations Command; - elementos do Marine Special Operations Command.

Em termos de plataformas, foram mencionados: - aeronaves de transporte estratégico C-17 Globemaster III e C-130 Hércules; - helicópteros UH-60 Black Hawk; - viaturas tácticas Oshkosh JLTV; - sistemas não tripulados.

Chegou ainda a ser apontada a possível presença de um avião de apoio de fogo AC-130J Ghostrider, o que representaria um marco por poder corresponder ao seu primeiro destacamento no país.

Já do lado argentino, estava prevista a integração de: - companhias de comandos do Exército; - unidades de forças especiais da Força Aérea; - elementos anfíbios da Marinha.

Reconfiguração do exercício insere-se no novo alinhamento político-militar entre Buenos Aires e Washington

A eventual reformulação do Atlantic Dagger surge num contexto mais amplo de aproximação política e militar entre a Argentina e os Estados Unidos, impulsionada recentemente por encontros bilaterais em Washington, conduzidos pelo ministro Presti, com foco na cooperação no domínio da Defesa.

Em termos práticos, qualquer mudança no exercício tende a funcionar como um indicador da prioridade atribuída a esta agenda: um formato reduzido sinaliza contenção e replaneamento; uma suspensão, por sua vez, evidenciaria o peso da crise no Médio Oriente na disponibilidade operacional norte-americana.

Impactos locais e soluções de contingência para Córdoba

Mesmo mantendo Córdoba como sede, uma alteração de escala pode obrigar a reajustar logística, segurança, mobilidade aérea e coordenação interagências, sobretudo se houver mudanças de última hora no número de participantes, no tipo de aeronaves e na duração das actividades. Para as autoridades locais e militares, isto significa trabalhar com planos alternativos - desde versões encurtadas do exercício até módulos separados por fases - para preservar objectivos de treino sem comprometer requisitos de segurança e de prontidão.

Interoperabilidade como valor estratégico, apesar da incerteza

Ainda que o Atlantic Dagger venha a decorrer num formato mais pequeno, o foco na interoperabilidade mantém relevância: procedimentos compatíveis, comunicações integradas e doutrina comum tendem a gerar benefícios duradouros, independentemente do tamanho do destacamento. Por isso, mesmo num cenário de redução, poderá haver prioridade em actividades de comando e controlo, planeamento conjunto e validação de métodos, preservando o núcleo do que o memorando de Março de 2025 procurou institucionalizar.

Imagens utilizadas a título ilustrativo.

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