A grande novidade do SEAT Arona 2026, contudo, só fica completa em 2027 - e, até lá, os rivais ganham terreno.
Há vários anos que o futuro da SEAT tem sido tema de debate. Dentro da SEAT S.A., a prioridade tem recaído no crescimento da CUPRA, mas a marca espanhola voltou a traçar um plano de lançamentos e atualizações até ao final da década - e o SEAT Arona 2026 faz parte dessa estratégia.
Posicionado no muito disputado segmento B-SUV, um dos mais procurados na Europa, o Arona já soma sete anos de carreira. Depois de uma atualização em 2021, a SEAT volta agora a mexer no modelo para 2026, com o objetivo de o manter relevante num mercado onde as novidades chegam a alta velocidade.
A questão, naturalmente, é perceber se o Arona continua a ter argumentos para se destacar num segmento saturado. Para tirar teimas, viajámos até Ibiza, em Espanha, para conhecer e conduzir o renovado SEAT Arona 2026.
SEAT Arona 2026: imagem exterior ainda mais jovem
Tal como aconteceu na intervenção de 2021, esta evolução não é uma revolução - mas isso não significa que seja irrelevante. Há mudanças visíveis (e outras menos óbvias, que abordaremos mais à frente).
Na carroçaria, é a frente que concentra as diferenças mais evidentes: grelha e para-choques são novos e as entradas de ar aumentaram de dimensão, o que lhe dá um aspeto mais fresco, dinâmico e jovial.
Também a posição dos faróis de nevoeiro foi revista. Em vez de estarem logo abaixo dos faróis principais, passam para a zona inferior, integrados na entrada de ar de baixo. Já no que toca à iluminação, o Arona estreia uma nova assinatura luminosa e passa a oferecer tecnologia 100% LED em todas as versões, sem exceções.
Para reforçar o lado descontraído que sempre fez parte do seu carácter, a SEAT adicionou três novas cores exteriores - incluindo o verde do exemplar que conduzimos.
A personalização não se fica pela pintura: as jantes têm novos desenhos e surgem em tamanhos entre 40,6 cm e 45,7 cm (16″ a 18″). Além disso, o tejadilho pode ser encomendado em Preto Midnight ou no novo Cinzento Manhattan.
Habitáculo: mais qualidade, mesma praticidade
No interior, a SEAT quis sobretudo elevar a perceção de qualidade - e, no conjunto, conseguiu. As alterações não gritam por atenção, mas notam-se: há novos bancos com tecido revisto e novos revestimentos nas portas.
Outra novidade relevante é o forro do tejadilho em preto. Um detalhe que antes costumava estar reservado a versões com ambição mais desportiva, mas que passa a estar incluído de série nos níveis Style e FR.
Na versão Arona FR, há ainda um elemento diferenciador: bancos de perfil desportivo com encosto de cabeça integrado, de estilo baquet. O resultado é um bom compromisso entre conforto e suporte lateral, sobretudo quando se aumenta o andamento.
De resto, manter o que estava bem feito foi uma decisão acertada. O Arona continua a destacar-se nas cotas de habitabilidade - quatro adultos seguem com bom conforto - e mantém a bagageira com 400 litros, uma das maiores do segmento.
Infotainment e ergonomia: mais conectividade, menos complicação
No campo tecnológico, o ecrã central pode ter dois formatos: 21,0 cm (8,25″) de série ou 23,4 cm (9,2″) quando se escolhe o sistema de navegação. Em qualquer um dos casos, existe compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto sem fios.
A lista inclui ainda duas tomadas USB-C e uma base de carregamento por indução de 15 W com refrigeração integrada (útil para evitar perdas de desempenho em utilização prolongada).
Um ponto particularmente positivo é que, apesar da digitalização, o Arona mantém um painel de comandos físicos dedicado ao sistema de climatização - solução mais intuitiva e segura durante a condução.
Primeiras impressões de condução: bom equilíbrio, mas a grande mudança vem depois
Onde se esperava o salto mais evidente era na mecânica. E ele está a caminho: a chegada de motorizações híbrido ligeiro 48 V está confirmada. O senão é simples - só ficam disponíveis em 2027.
Até lá, o SEAT Arona 2026 continua a apostar nos motores já conhecidos: o 1.0 TSI com 95 cv ou 110 cv, e o 1.5 TSI com 150 cv, exclusivo da versão FR.
No mercado português, tudo indica que o 1.0 TSI continuará a ser a escolha mais comum - e foi precisamente essa versão que conduzimos. E a impressão foi claramente positiva.
Mesmo que, no papel, os 999 cm³ e os 110 cv pareçam modestos, em estrada o desempenho é convincente. Com 200 Nm de binário, o Arona consegue manter ritmos vivos e executar ultrapassagens com segurança, sem hesitações.
Para isso contribui também o peso contido - menos de 1300 kg - e a caixa automática DSG de sete velocidades (opcional), que gere as relações com rapidez e suavidade, sem tornar o conjunto nervoso.
Em estradas mais sinuosas, o Arona continua a mostrar uma direção informativa, boa agilidade e um chassis competente - características que o mantêm entre os B-SUV mais prazerosos de conduzir do momento.
Vale a pena acrescentar um ponto de contexto: num segmento cada vez mais pressionado por metas de emissões e por custos de utilização, a chegada do híbrido ligeiro 48 V em 2027 poderá ser determinante para manter o Arona competitivo - não só em consumo, como também na atratividade face a alternativas já eletrificadas.
Também é recomendável que quem esteja a considerar o Arona pense no “uso real”: para famílias, o acesso às costas, a instalação de cadeiras de criança e a forma como os 400 litros de bagageira respondem ao dia a dia podem pesar tanto como os números da ficha técnica.
Quando chega a Portugal e quanto vai custar?
A comercialização do SEAT Arona 2026 está prevista para o primeiro trimestre do próximo ano, tal como o nome indica.
Os valores finais ainda não foram comunicados, mas a expectativa é que fiquem alinhados com os do modelo atual, que começa nos 22 220 €.
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