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Previsões dos fornecedores portugueses até final do ano não são boas

Carro desportivo azul escuro elétrico estacionado em ambiente interior moderno ao pôr do sol.

As vendas de componentes automóveis portugueses deverão voltar a recuar em 2025, pelo segundo ano seguido, de acordo com as previsões da AFIA - Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel.

A expectativa aponta para “uma ligeira desaceleração”, referiu Jorge Castro, vice-presidente da AFIA, numa intervenção realizada durante o 12.º Encontro da associação, integrado na Semana da Indústria Automóvel, que decorreu na semana passada.

Segundo as projeções divulgadas, o setor deverá terminar o ano com um volume de negócios de 14,2 mil milhões de euros, o que traduz uma descida de 1,4% face a 2024. No mesmo sentido, as exportações deverão perder ritmo: de 12,2 mil milhões de euros no ano anterior para 11,7 mil milhões de euros em 2025 - uma redução estimada em cerca de 4%.

Esta diminuição é atribuída, sobretudo, ao abrandamento da procura por parte dos principais clientes europeus. A Europa mantém-se como o maior destino das vendas externas, concentrando 88,3% das exportações nacionais, com Espanha (28,2%), Alemanha (23,3%) e França (8,5%) a liderarem a lista.

Ainda assim, a AFIA sublinha que os montantes previstos continuam acima dos níveis registados antes da pandemia, o que, na leitura da associação, evidencia a capacidade de resistência da indústria portuguesa.

Desafios da AFIA e do setor de componentes automóveis

O setor automóvel em Portugal atravessa um período de elevada incerteza, influenciado por custos energéticos altos, por exigências de investimento significativas ligadas à transição para a mobilidade elétrica e por uma volatilidade persistente nas cadeias globais de fornecimento. Estes fatores têm condicionado tanto o ritmo de produção como a competitividade das empresas.

“A Europa vive uma transição turbulenta e há um ‘elefante na sala’: a competitividade. A perda de terreno tecnológico e de qualificação, a par da pressão de concorrentes com custos mais baixos (nomeadamente a China) e de uma regulação europeia pouco eficaz, está a penalizar a indústria”, afirmou José Couto, presidente da AFIA.

Em termos de peso económico, a indústria de componentes automóveis em Portugal representa 5% do PIB, 8,8% do emprego na indústria transformadora, 12% do valor acrescentado bruto, 14,8% do investimento total e 15,3% das exportações nacionais de bens transacionáveis. O tecido empresarial integra cerca de 360 empresas e assegura aproximadamente 63 mil empregos diretos.

Além da pressão externa, a adaptação às novas plataformas de produção (eletrificação, software e integração eletrónica) exige investimento contínuo em engenharia, certificação e modernização industrial. Neste contexto, a capacidade de requalificar trabalhadores e de acelerar a incorporação tecnológica torna-se determinante para manter contratos com fabricantes e fornecedores de primeira linha.

Em paralelo, ganha relevância a diversificação de mercados e de carteiras de produto, reduzindo a exposição a ciclos específicos de determinados países e segmentos. Estratégias como parcerias com centros de I&D, reforço da automação e aposta em componentes com maior valor acrescentado podem ajudar a mitigar o impacto de quebras de procura e a sustentar margens num ambiente mais competitivo.

Evolução no acumulado do ano

No período entre janeiro e julho de 2025 (últimos dados disponíveis), as vendas de componentes totalizaram 7,225 mil milhões de euros, o que corresponde a uma diminuição de 2,5% em comparação com o mesmo intervalo de 2024.

Entre os mercados mais relevantes no destino da produção nacional, Espanha (com 29,4% de quota) registou um crescimento de +2,7%, enquanto Alemanha (-10,8%) e Estados Unidos da América (-13,6%) apresentaram quebras expressivas. Pela positiva, destaca-se a subida acentuada das exportações para a Roménia, atualmente o 6.º país-cliente (+38,4%), bem como para Marrocos, o 8.º país-cliente (+32,3%).

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