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Renault vende parte da subsidiária brasileira aos chineses

Carro elétrico Renault verde num espaço moderno com janelas grandes e estação de carregamento ao fundo.

O Grupo Renault reforçou a sua ligação à Geely ao formalizar a venda de 26,4% do capital da sua subsidiária no Brasil ao grupo chinês.

A aposta em alianças não é nova para o construtor francês. Em 2024, a Renault já tinha replicado uma operação semelhante ao alienar 34,02% da Renault Korea Motors à Geely. A isto soma-se a Horse, a empresa comum criada pelos dois grupos para desenvolver e produzir motores de combustão.

Segundo Fabrice Cambolive, diretor-executivo de desenvolvimento da Renault, a ambição passa por identificar parceiros na indústria automóvel que permitam produzir e comercializar veículos em conjunto, reforçando a presença internacional do grupo.

François Provost, diretor-executivo do Grupo Renault, enquadrou o acordo na estratégia global: “A parceria que anunciamos hoje com a Geely no Brasil marca um avanço decisivo na nossa estratégia internacional. Estabelece uma cooperação ágil baseada na excelência industrial e na liderança tecnológica. Mais uma vez, unir forças tornar-nos-á mais competitivos, inovadores e capazes de reagir rapidamente num mercado automóvel em constante evolução”.

Grupo Renault e Geely no Brasil: produção, rede de concessionários e plataforma multi-energia GEA

Com esta parceria, a Geely passa a poder produzir os seus modelos nas instalações do Grupo Renault em São José dos Pinhais, Paraná, e comercializá-los através da rede de concessionários do construtor francês no país. Atualmente, essa fábrica utiliza apenas 50% da sua capacidade anual, pelo que o acordo abre espaço para aumentar o volume de produção sem necessidade imediata de grandes expansões industriais.

Em contrapartida, o Grupo Renault ganha acesso à plataforma multi-energia GEA da Geely, o que deverá apoiar a ampliação da sua oferta no mercado brasileiro com veículos com zero ou baixas emissões.

A cooperação no Brasil poderá também acelerar a introdução de novas soluções de motorização e de industrialização, aproveitando a experiência local da Renault e a capacidade tecnológica da Geely. Para o mercado, isto tende a traduzir-se numa maior diversidade de modelos e numa utilização mais eficiente da capacidade instalada.

Um aspeto adicional relevante é que operações desta natureza, por envolverem produção local e canais de venda estabelecidos, podem facilitar a adaptação de gamas e especificações às preferências do consumidor brasileiro, bem como a integração gradual de novas tecnologias no portefólio, acompanhando a evolução da procura por soluções de mobilidade com menor impacto ambiental.

Outras parcerias

Fabrice Cambolive salientou que o entendimento com a Geely não impede futuros acordos com outros fabricantes, noutros mercados, caso façam sentido do ponto de vista industrial e comercial.

De acordo com a Reuters, a chinesa Chery é outro construtor que suscita interesse do Grupo Renault para parcerias semelhantes, embora não exista ainda qualquer formalização.

A Bloomberg avançou que as conversações entre as duas empresas poderão incluir mercados da América do Sul, nomeadamente Colômbia e Argentina. Nesse cenário, a Chery poderia obter acesso à rede de fábricas já existente da Renault, em troca de capital e de desenvolvimento de produtos.

Atualmente, o Grupo Renault mantém fábricas em cerca de uma dúzia de países, incluindo França, Espanha e Índia.

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