Os automóveis elétricos com extensor de autonomia (EREV) estão a ganhar relevância junto dos fabricantes como uma via intermédia face aos veículos 100% elétricos. Esta solução procura responder, sobretudo, a quem ainda não se sente preparado para dar o salto definitivo para a mobilidade totalmente elétrica - e a XPeng já começou a apostar nesse potencial.
O que são EREV (automóveis elétricos com extensor de autonomia)?
Mesmo incluindo um motor a combustão, os EREV continuam a ser veículos em que a tração é assegurada apenas pelo motor elétrico. O propulsor a gasolina permanece a bordo, mas não está ligado mecanicamente às rodas: a sua função é exclusivamente produzir eletricidade para alimentar o sistema e carregar a bateria quando necessário.
Na prática, isto permite manter a experiência de condução de um elétrico (binário imediato e funcionamento silencioso), ao mesmo tempo que se reduz a ansiedade associada às paragens para carregamento em viagens longas.
Além disso, num contexto europeu em que a rede de carregamento evolui a ritmos diferentes entre países, os EREV podem ser particularmente apelativos em regiões com menos postos rápidos ou para condutores que percorrem muitos quilómetros, mas não têm carregamento fácil em casa ou no trabalho.
XPeng e os EREV na Europa: X9 PowerX e planos para 2026
A XPeng apresentou recentemente o seu primeiro modelo EREV, o XPeng X9 PowerX, no Salão de Guangzhou, na China. A marca admite que este tipo de motorização poderá vir a integrar, mais à frente, a sua oferta na Europa.
O plano divulgado aponta para seis modelos EREV em 2026, com três lançamentos previstos já no primeiro trimestre desse ano.
He Xiaopeng, cofundador e diretor-executivo da marca, sublinhou que, embora os 100% elétricos sejam a prioridade, os EREV podem fazer sentido em determinados mercados europeus. “Acho que os 100% elétricos são mais importantes, mas os EREV poderão funcionar em alguns países da Europa”, afirmou à publicação europeia do setor Automotive News.
Na mesma linha, o responsável descreveu os EREV como “cruciais para acelerar a transição” dos veículos com motor de combustão interna para os Veículos de Novas Energias (elétricos e híbridos de carregamento externo).
Por agora, esta tecnologia não faz parte do conjunto de soluções que a XPeng partilha com o Grupo Volkswagen. Ainda assim, a empresa mostrou abertura para vir a integrar os EREV em projetos futuros, caso o construtor alemão venha a considerar essa opção.
As outras marcas e a crescente aposta nos EREV
À medida que cresce o interesse dos consumidores europeus pelos EREV, também aumenta o número de construtores a reavaliar esta alternativa.
A BMW, por exemplo, já confirmou uma versão EREV do iX5, com chegada ao mercado prevista para o próximo ano. Já a Volvo encontra-se a analisar a possibilidade de desenvolver uma variante EREV do XC70.
Entre os fabricantes chineses, a Leapmotor é, neste momento, a única marca que comercializa na Europa veículos elétricos com extensor de autonomia. O C10 REEV, um utilitário desportivo (SUV) lançado no início do ano, anuncia até 970 km de autonomia. Ainda assim, a Leapmotor já tem em vista mais propostas EREV, incluindo o B10.
Um cenário moldado pelas metas europeias para 2035
Os EREV surgem como mais uma carta no baralho dos construtores numa fase em que a União Europeia prevê proibir a venda de novos veículos a combustão a partir de 2035. Para as marcas, este tipo de solução pode ajudar a manter o ritmo de adoção de eletrificados, sobretudo onde a transição para os veículos 100% elétricos ainda enfrenta resistências práticas ou culturais.
Para os compradores, vale a pena ter em conta que, embora o comportamento na estrada seja o de um elétrico, a presença do motor a gasolina implica uma utilização mista (eletricidade e combustível) e obriga a ponderar custos de energia, padrões de utilização e necessidades reais de autonomia, especialmente em percursos longos e em viagens frequentes.
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