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Drone de ataque em profundidade ucraniano abate helicóptero russo Mi-8 na região de Rostov

Homem de farda militar manuseia drone e observa explosão numa simulação de combate num ecrã grande.

Os drones de ataque em profundidade tornaram-se, nos últimos tempos, um dos instrumentos mais utilizados pelas forças ucranianas no esforço de guerra contra a invasão russa - e não apenas em missões de ataque a alvos no solo. Por serem, em regra, uma alternativa mais económica e produzida localmente em maiores quantidades do que os mísseis de longo alcance de que a Ucrânia dispõe, estes sistemas têm ganho relevância operacional. Soma-se ainda um factor político-operacional: em princípio, não enfrentam as mesmas limitações de emprego associadas a alguns sistemas doados por aliados, o que facilita a sua utilização em território russo, sem entraves significativos nesse domínio.

Abatimento do Mi-8 por um drone de ataque em profundidade na região de Rostov

Num breve comunicado divulgado nas redes sociais, o Comando de Operações Especiais da Ucrânia afirmou que os seus operacionais recorreram a um dos seus drones de ataque em profundidade para abater, em pleno ar, um helicóptero russo Mi-8, num incidente que terá ocorrido na região de Rostov.

A publicação foi acompanhada por um vídeo de baixa resolução que mostra, através da câmara do sistema não tripulado, o drone a aproximar-se do alvo antes de o destruir. Não foram adiantados mais pormenores.

Declaração do Comando de Operações Especiais da Ucrânia

No texto publicado no Facebook, e citado na comunicação, o Comando de Operações Especiais da Ucrânia escreveu:

“Estamos a mudar as regras do jogo: agora somos nós que caçamos! Pela primeira vez, um helicóptero russo Mi-8 foi abatido no ar por um drone de ‘ataque em profundidade’. Cada missão exige criatividade, desde as características técnicas do aparelho ao planeamento e ao treino dos pilotos.”

Precedentes: ataques com drones a helicópteros russos

Importa sublinhar que este tipo de ataque com drones contra helicópteros russos já tinha sido realizado anteriormente por outras unidades ucranianas. Como exemplo, no final de Setembro, a imprensa local noticiou que um drone pertencente à 59.ª Brigada de Assalto terá conseguido abater outro Mi-8 de fabrico russo, que voava a baixa altitude, em formação com um helicóptero Ka-52. Mais tarde, fóruns de analistas russos confirmaram o episódio, indicando que a tripulação conseguiu ser evacuada algum tempo depois.

Outros ataques reportados: Crimeia ocupada e Aeroporto Internacional de Bryansk

Prosseguindo a revisão de casos anteriores, foi também referido que a inteligência ucraniana revelou o emprego de drones num ataque a uma base russa situada na Crimeia ocupada. Segundo os relatos divulgados, nessa acção foram destruídos três helicópteros Mi-8 e uma estação de radar 55Zh6U Nebo-U.

Além disso, durante o mês de Junho, Kyiv conduziu um ataque ao Aeroporto Internacional de Bryansk, onde um helicóptero foi destruído e outro ficou gravemente danificado.

O que este tipo de abatimento sugere sobre a evolução do conflito

A utilização de drones de ataque em profundidade para atingir aeronaves, e não apenas infra-estruturas ou meios terrestres, aponta para uma adaptação táctica contínua e para a exploração de vulnerabilidades em perfis de voo a baixa altitude. Em particular, a combinação entre planeamento, treino e ajustes técnicos - mencionados pelo Comando - sugere que estas missões podem estar a tornar-se mais sistemáticas, e não meramente ocasionais.

Em paralelo, é provável que este tipo de ameaça acelere medidas defensivas do lado russo, como a dispersão de aeronaves, alterações de rotas e altitudes de voo, e reforço de camadas de protecção em torno de bases e corredores logísticos. Ainda assim, a natureza relativamente barata e escalável destes sistemas mantém a pressão operacional, sobretudo quando são empregues repetidamente e em diferentes teatros.

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