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Força Aérea Paraguaia reforça vigilância com **radares móveis** e **A-29 Super Tucano** e detecta um voo irregular por semana

Soldado militar em uniforme camuflado vigiando o voo de um avião numa base aérea com equipamento radar.

O comandante da Força Aérea Paraguaia (FAP), general Julio Fullaondo, afirmou numa conferência de imprensa que, com as capacidades recentemente implementadas, passou a ser possível identificar, em média, um voo irregular por semana no espaço aéreo do Paraguai. Segundo o responsável, o reforço da presença aérea e a melhoria dos meios de detecção estão a reduzir a margem de manobra de aeronaves que entram sem autorização.

Radares móveis ELTA 2106 e deslocação dos A-29 para Mariscal Estigarribia

Os resultados, de acordo com a FAP, estão ligados a dois factores principais: a entrada em pleno funcionamento dos radares móveis ELTA 2106, modernizados em Israel no ano passado, e o destacamento das aeronaves A-29 Super Tucano para a base aérea de Mariscal Estigarribia, no Chaco Paraguaio. Esta combinação tem permitido aumentar a cobertura e acelerar a resposta operacional em zonas sensíveis do país.

A integração entre detecção (radares) e reacção (meios aéreos) tem, ainda, melhorado a capacidade de acompanhar alvos suspeitos e de impedir que concluam missões ilegais, especialmente em rotas associadas ao tráfico.

Operação “Escudo Guarani”: A-29 Super Tucano, AT-27 Tucano e UH-1H em zonas críticas

No âmbito da operação “Escudo Guarani”, as novas aeronaves da FAP actuam em conjunto com aviões AT-27 Tucano e helicópteros UH-1H, contando com efectivos da Força de Tarefa Conjunta (FTC). As missões estão concentradas em áreas fronteiriças consideradas “zonas vermelhas” ou críticas, junto às fronteiras com a Bolívia e o Brasil, onde organizações criminosas transnacionais actuam com maior incidência, sobretudo no tráfico de drogas.

Este tipo de emprego combinado permite cobrir mais rapidamente grandes extensões, aumentar a persistência sobre áreas de interesse e reforçar o controlo de corredores aéreos utilizados por redes criminosas.

Enquadramento legal e incidente de 6 de fevereiro: aplicação da Lei 6.980

Embora o Paraguai não disponha de uma lei específica de abate de aeronaves, a Lei 6.980 possibilitou que aeronaves Super Tucano da FAP efectuassem disparos contra uma aeronave de matrícula boliviana que entrou ilegalmente no espaço aéreo paraguaio no passado dia 6 de fevereiro.

O general Fullaondo sublinhou, na mesma conferência, que o objectivo é afirmar controlo efectivo do espaço aéreo nacional e impedir que aeronaves irregulares actuem com impunidade: “Estamos a marcar presença no espaço aéreo nacional; já não é um espaço livre. Estamos presentes em diferentes pontos e as aeronaves irregulares que entram são detectadas, evitando que continuem o seu trabalho. Estamos a realizar com firmeza a vigilância e a protecção do espaço aéreo.”

Escolta de aeronave boliviana para evitar risco sobre áreas urbanas

Perante o risco de a situação evoluir para zonas com população, a aeronave Cessna 206, também de matrícula boliviana e em incursão ilegal, foi escoltada de volta para a Bolívia por aeronaves A-29. A medida, segundo as autoridades, visou evitar a concretização de mais um acto ilícito em território paraguaio e reduzir potenciais perigos associados à aproximação a áreas urbanas.

Coordenação entre Defesa, CODI, SENAD, Ministério Público e ramos militares

O Ministério da Defesa referiu que estão a ser aperfeiçoados os protocolos de actuação com o Comando de Operações de Defesa Interna (CODI), a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), o Ministério Público (Fiscalía) e os diferentes ramos das Forças Armadas. O propósito é garantir uma resposta mais eficaz e coordenada perante estas ameaças, agora detectadas com maior frequência e antecedência.

Formação, manutenção e interoperabilidade como próximo passo

Para consolidar os ganhos obtidos com radares móveis e aeronaves A-29 Super Tucano, a continuidade operacional depende também de factores menos visíveis, como a formação contínua de equipas de radar e de pilotos, a padronização de procedimentos e a manutenção atempada dos sistemas. Em operações de vigilância, a rapidez na cadeia “detectar–identificar–intervir” é tão determinante quanto o desempenho dos meios.

Além disso, a interoperabilidade entre unidades aéreas e forças no terreno - incluindo a partilha segura de informação e a coordenação de comunicações - tende a aumentar a eficácia nas zonas fronteiriças. Num cenário em que organizações criminosas transnacionais se adaptam rapidamente, a capacidade de ajustar tácticas e reforçar a cooperação institucional torna-se um elemento central para sustentar a protecção do espaço aéreo paraguaio.

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