Testámos o Poco X8 Pro Max, um smartphone musculado desenhado a pensar no gaming móvel. A grande questão é simples: tanta potência chega para o transformar num bom smartphone no dia a dia?
A Xiaomi decidiu voltar a baralhar o seu próprio catálogo - como se ainda faltassem modelos - e lançou mais uma referência. O resultado chama-se Poco X8 Pro Max, uma espécie de X8 Pro “com esteroides”, focado em desempenho e autonomia.
A proposta é clara: um equipamento de gama média para quem valoriza a rapidez do SoC e quer jogar no telemóvel sem gastar o equivalente a um salário mínimo nacional num topo de gama com o Snapdragon mais recente. Com o Dimensity 9500s da MediaTek (não confundir com o Dimensity 9500 do Oppo Find X9 Pro) e uma bateria de 8500 mAh, promete sessões longas sem ansiedade de carregador.
O problema é que, neste escalão, a concorrência é forte - e para se impor não basta ser bom em jogos. Resta saber se falha (ou não) no resto. Vamos por partes.
Poco X8 Pro Max 12/256 GB ao melhor preço
Preço de base: 529 €
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Preço e disponibilidade do Poco X8 Pro Max
O Poco X8 Pro Max já está à venda na loja oficial da Xiaomi. O PVP indicado aponta para 533 € na versão com 256 GB e 583 € na variante com 512 GB, mas é muito provável que estes valores sejam, na prática, mais “teóricos” do que reais.
De momento, com a campanha de lançamento, os preços descem para 430 € (256 GB) e 470 € (512 GB), dependendo da capacidade escolhida.
Quanto a cores, foram anunciadas três opções: preto, branco e azul.
O que gostámos no Poco X8 Pro Max
Potência em jogo com o Dimensity 9500s
O Dimensity 9500s usa a mesma base de configuração do 9400+ do Xiaomi 15T Pro. É produzido em 3 nm pela TSMC e integra um GPU Mali-G925 Immortalis MC11. Acompanhando o SoC, temos 12 GB de RAM LPDDR5X e armazenamento UFS 4.1.
Na prática, isto traduz-se num telefone que se sente muito rápido: navegação, animações e transições surgem bem afinadas e o sistema mantém um nível de fluidez que se nota. O CPU também não acusa pressão em tarefas como edição de fotografia ou montagem de vídeo leve.
Nos jogos, o comportamento é consistente: não encontrámos quebras evidentes, nem perdas de frames que estraguem a experiência. Títulos leves e bem optimizados como Asphalt e Genshin Impact correm com grande facilidade, e o Fortnite consegue manter 60 FPS estáveis mesmo com as definições no máximo. Para chegar aos 90 ou 120 FPS, já é preciso baixar um pouco a qualidade gráfica - um ajuste que só os jogadores mais exigentes sentirão como “obrigatório”.
Outro ponto positivo: mesmo em sessões longas, o aquecimento mantém-se controlado, permitindo ao chip sustentar o desempenho sem chamar demasiado a atenção.
Autonomia fora da norma: bateria de 8500 mAh
Há poucos smartphones que consigam exibir uma bateria de 8500 mAh. Graças à tecnologia silício-carbono, o Poco X8 Pro Max consegue oferecer esta capacidade num formato relativamente convencional.
Em uso real, é perfeitamente plausível fazer dois dias completos sem olhar para a percentagem com preocupação. Fotografia, vídeo, jogos, navegação GPS… este Poco aguenta rotinas exigentes e ainda assim é comum terminar o dia com mais de 50%. Se for mais contido, dá até para imaginar um terceiro dia.
A somar a isto, existe carregamento rápido de 100 W. A Xiaomi promove o HyperCharge, mas o mais relevante é que a porta USB suporta 100 W PPS (Power Delivery), um padrão universal que aparece em muitos carregadores de terceiros. Há, contudo, duas notas importantes: - Não vem carregador na caixa, pelo que terá de o comprar à parte; - Não existe carregamento sem fios, algo que pode ser limitativo para alguns utilizadores.
E para quem gosta de truques úteis: o Poco X8 Pro Max também funciona como “powerbank”, com carga inversa de 27 W. Ou seja, pode carregar, por exemplo, um Galaxy S26 à sua velocidade máxima, ligando-o ao smartphone - um extra que dá jeito e impressiona.
Design cuidado, com ambição de durabilidade
A Xiaomi não tenta reinventar a estética em 2026 e joga pelo seguro. Em termos de presença, a ideia pode resumir-se assim: parece um iPhone 17, mas com as dimensões de um iPhone 17 Pro Max, e com 218 g. É um equipamento grande e relativamente pesado - mas isso está alinhado com a sua identidade. Um ecrã amplo e uma bateria pensada para horas de jogo cobram inevitavelmente este preço em volume e peso.
Na traseira, o acabamento é mate, com uma faixa vertical ligeiramente mais brilhante. Na versão branca, o efeito aproxima-se de um tom quase nacarado, discreto e agradável.
Um detalhe que dá personalidade: as duas câmaras são contornadas por um anel LED circular. Quando está desligado, passa despercebido; quando activo, pode indicar o estado de carregamento enquanto o telefone está ligado à corrente, ou sinalizar chamadas e notificações quando está pousado com o ecrã para baixo. Não muda o mundo, mas é um toque bem-vindo.
Na resistência, o equipamento também sobe a fasquia: Gorilla Glass 7i no ecrã e certificação IP68. Em teoria, deverá aguentar melhor riscos, impactos, poeiras e água - dentro do razoável, claro, porque não é um telefone “reforçado” de trabalho.
Ecrã AMOLED de 6,83" (1,5K, 120 Hz): muito bom, com um “senão” nos ângulos
Na frente encontramos um AMOLED de 6,83 polegadas, com resolução 1,5K (2772 × 1280 píxeis) e taxa de actualização até 120 Hz. A gestão de refrescamento, por defeito, não é particularmente sofisticada: com o ecrã inicial animado, mantém 120 Hz; se ficar estático por mais de três segundos, desce para 60 FPS. Depois, cada aplicação acaba por ficar “presa” ao seu próprio framerate (60 ou 120). É uma abordagem simples, mas não chega a ser um problema aqui - sobretudo com uma bateria tão grande - e permite tirar bom partido do painel.
A luminosidade anunciada é de 3500 nits, e o Poco X8 Pro Max não fica envergonhado ao lado da concorrência. Dá para usar ao sol sem dramas - mesmo que, por segurança, seja melhor pôr protector solar em si próprio: a sua pele é mais sensível do que o telemóvel.
Como é habitual, o sistema permite ajustar o perfil de cor nas definições, alternando entre um visual mais vivo ou mais natural. Ainda assim, há um detalhe a apontar: com o ecrã inclinado a cerca de 45°, as cores tendem a ficar mais escuras e ligeiramente menos fiéis. É subtil e, para a maioria, irrelevante; mas um olhar treinado nota a diferença, sobretudo em trabalhos que dependem de cor rigorosa.
Dois pontos práticos a considerar (extra)
Para quem compra um telefone destes com o gaming em mente, faz sentido pensar no ecossistema à volta: um carregador compatível com 100 W PPS (Power Delivery), um cabo de qualidade e, se costuma jogar por longos períodos, um comando Bluetooth ou um suporte ajudam mais do que parece na ergonomia.
Também vale a pena, logo no primeiro dia, reservar alguns minutos para “limpar” o que não interessa: rever permissões, desligar notificações desnecessárias e remover aplicações redundantes. Num equipamento tão competente em hardware, esta optimização inicial faz diferença na experiência quotidiana.
O que gostámos menos
Câmaras apenas “ok” para redes sociais
Não é preciso ser especialista para perceber que a fotografia do Poco X8 Pro Max não impressiona. Para uso ocasional e para publicar stories no Instagram, chega. Para quem quer algo acima do básico, o resultado tende a desiludir.
Vamos à ficha técnica: - Câmara principal: sensor Light Fusion 600 de 50 Mpx (1/1.95”, 1,6 µm), lente 6P com estabilização e abertura f/1.5. - Ultra grande-angular: sensor SmartSens SC821CS (1/4”, 1,12 µm) com abertura f/2.2.
O primeiro problema aparece logo aqui: não há teleobjectiva. Isso obriga a fazer zoom através de recorte (crop) e limita mais do que soluções como um Nothing Phone 4a, por exemplo.
Na câmara principal, à primeira vista, percebe-se o “carimbo” de gama média: em boa luz é competente; à noite perde nitidez, mas continua aceitável. O pior surge quando se olha com atenção aos detalhes. Na fotografia do edifício, mesmo a ISO 50, nota-se grão no céu e as linhas rectas mostram ligeiros desvios/“borrões” nas extremidades. Com zoom 2× (crop do sensor), repete-se o cenário: na foto do Méliès, as letras das placas não ficam realmente nítidas e é possível ver ghosting em certos caracteres. Mesmo de dia, alvos em movimento (como pombos) acabam por virar uma forma quase abstracta - torna-se difícil perceber onde termina um e começa o outro.
À noite, o registo piora: os movimentos não ficam apenas “arrastados”; muitas vezes surgem totalmente desfocados, e as luzes fortes criam halos que invadem uma área considerável da imagem. Em alguns casos, aparecem ainda artefactos, visíveis, por exemplo, no céu nocturno da fotografia do anel periférico.
Quanto ao ultra grande-angular, nem em condições favoráveis o resultado convence: na banca do florista, alguns ramos acabam por se fundir numa massa colorida, e os elementos perto das extremidades tendem a ficar deformados. Com pouca luz, o desfoque e o ruído digital passam a dominar e as caras perdem tanta definição que podem ficar irreconhecíveis.
Em suma: o Poco X8 Pro Max não é um photophone. Se a fotografia é prioridade, faz mais sentido olhar para Nothing, Google ou Samsung.
O que preferíamos não voltar a ver
HyperOS 3 (Android 16): interface poluída e notificações intrusivas
Se tiver de insistir até ao fim, insisto: o software da Xiaomi continua a ser difícil de defender. Aqui temos Android 16, patch de segurança recente e HyperOS 3. No papel, parece bem.
E qualidades não faltam: o sistema é fluido, traz muitas opções de personalização e inclui funções engraçadas (como a gestão dos LED à volta das câmaras ou uma cópia do Dynamic Island da Apple). O problema é que muito disto fica enterrado sob a quantidade de aplicações pré-instaladas.
Há apps a mais, muitas redundantes face às do Google (o navegador Mi, a App Mall, a galeria, o gestor de ficheiros… tudo coisas que já existem) e outras com qualidade discutível. Nem as polémicas em torno do Temu levaram a Xiaomi a retirar a aplicação, e os jogos que vêm instalados dificilmente justificam espaço - quando, no Play Store, se encontra coisa melhor em dois cliques.
Pior: as notificações constantes da App Mall e do leitor de vídeo (apps nativas da Xiaomi) são opressivas e não deviam existir num sistema que se quer limpo e bem cuidado.
A nossa opinião sobre o Poco X8 Pro Max
O Poco X8 Pro Max tem tudo para ser fácil de recomendar a quem quer jogar títulos pesados sem entrar numa conversa desconfortável com o banco. A autonomia é, de longe, o seu trunfo mais forte: conseguir dois dias seguidos sem pensar no carregamento continua a ser raro e merece destaque.
O problema é que as falhas são demasiado evidentes para brilhar num segmento tão concorrido. As câmaras ficam aquém e o software mantém-se carregado e desagradável. Quando existem tantos smartphones muito competentes ao mesmo preço, torna-se difícil aconselhar este Poco de olhos fechados para tudo o que não seja gaming (e mesmo aí, com reservas).
Classificação (Poco X8 Pro Max)
Preço indicado: 533 €
Nota global: 7.4
| Categoria | Nota |
|---|---|
| Design e ergonomia | 8.5/10 |
| Ecrã | 7.5/10 |
| Desempenho e interface | 7.0/10 |
| Autonomia e carregamento | 8.5/10 |
| Fotografia | 5.5/10 |
Gostámos
- Boa potência para jogar
- Autonomia muito longa
- Design pensado para durar
- Ecrã com elevada luminosidade
Gostámos menos
- Interface poluída
- Sem carregamento sem fios
- Fotografia abaixo do esperado
Ver o Poco X8 Pro Max
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