Depois de ter disponibilizado o Lyria 3 em fevereiro, a Google avança agora com uma edição mais evoluída: Lyria 3 Pro. Integrado na versão paga do Gemini, este modelo passa a conseguir gerar música com até 3 minutos de duração.
A estratégia da Google no campo da inteligência artificial tem-se alargado para lá do texto: o Gemini já suporta criação de imagens e vídeo, e a empresa criou também o Lyria, uma família de modelos orientada especificamente para geração de música. Com o lançamento do Lyria 3 no Gemini, os utilizadores passaram a poder produzir faixas de 30 segundos, com possibilidade de descarregar o resultado em MP3 ou MP4.
Lyria 3 Pro no Gemini: mais duração e mais controlo criativo
A chegada do Lyria 3 Pro marca um salto claro face ao Lyria 3, com dois ganhos principais.
Em primeiro lugar, a duração máxima deixa de estar limitada a 30 segundos e passa para 3 minutos, abrindo espaço para composições mais completas e com desenvolvimento musical real.
Em segundo lugar, a Google afirma que o Lyria 3 Pro permite maior personalização do resultado, por compreender melhor a estrutura de composição e aceitar instruções mais específicas. Segundo a empresa, o modelo passa a responder melhor quando o utilizador sugere elementos como introduções, estrofes, refrões e pontes, o que ajuda tanto a testar estilos diferentes como a criar temas com transições mais elaboradas.
Na prática, isto torna o processo de “prompting” mais próximo de uma produção musical guiada: em vez de pedir apenas “música eletrónica animada”, passa a ser útil indicar a progressão (por exemplo, introdução minimal, refrão mais intenso, ponte com quebra rítmica), a instrumentação desejada e o tipo de dinâmica ao longo da faixa.
Também vale a pena notar que faixas mais longas são particularmente úteis para criadores de conteúdo, porque permitem preparar música de fundo com menos repetições, ou criar versões alternativas (por exemplo, uma versão curta para abertura e uma versão longa para o corpo do vídeo), mantendo uma identidade sonora consistente.
Direito de autor: o que a Google diz sobre o treino e a originalidade
No tema do direito de autor, a Google refere que o seu sistema de IA foi concebido e treinado com recurso a conteúdos que a Google e o YouTube tinham autorização para utilizar, ao abrigo dos termos de utilização, acordos com parceiros e “as leis aplicáveis”.
A empresa acrescenta ainda que, para proteger a originalidade da expressão, o Lyria 3 e o Gemini não fazem imitação direta de artistas. Caso uma instrução mencione um criador, o modelo limitar-se-á, segundo a Google, a inspirar-se de forma geral, sem reproduzir de forma específica a assinatura de um artista.
Além disso, a Google indica que existe um filtro que compara os conteúdos gerados pela IA com materiais já existentes, como medida de redução de risco de semelhança indevida.
Por fim, os ficheiros áudio gerados pelo Lyria 3 e pelo Lyria 3 Pro são marcados com um filigrane invisível designado SynthID, pensado para ajudar a identificar conteúdos criados por IA.
Um novo conjunto de integrações para criação de conteúdo
No ecossistema da Google, o Lyria 3 Pro fica disponível na aplicação Gemini para quem utiliza a versão paga do chatbot. A tecnologia é igualmente disponibilizada noutros produtos, incluindo Vertex AI, Google AI Studio, a API Gemini, Google Vids e ProducerAI.
A Google defende que a criação musical de alta qualidade deve estar acessível “onde quer que a criatividade surja”, e que estas integrações permitem a diferentes perfis - desde programadores de aplicações a profissionais de negócios, música ou criação de conteúdos - tirar partido das capacidades musicais avançadas do Lyria para aumentar a produtividade.
Para equipas que trabalham com vídeo, marketing ou prototipagem rápida, a possibilidade de gerar música diretamente nas ferramentas onde já produzem (em vez de alternar entre várias plataformas) pode encurtar ciclos de revisão, acelerar testes de formato e facilitar a criação de variações por campanha, idioma ou público-alvo.
Ao mesmo tempo, como em qualquer ferramenta generativa, faz sentido estabelecer um processo interno simples: definir objetivos (uso comercial, fundo, identidade sonora), documentar os prompts e versões, e validar se o resultado final está alinhado com as regras de publicação de cada plataforma e com a política de direito de autor aplicável ao projeto.
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