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Cascais quer Fórmula 1 de regresso ao Estoril. Este é o plano

Duas pessoas analisam planta do circuito de corridas enquanto carro de Fórmula passa na pista ao fundo.

O Autódromo do Estoril encontra-se, neste momento, sob controlo integral do Estado, através da Parpública. Foi em 2022 que a entidade passou a deter 100% do capital da sociedade que administra o circuito, depois de comprar a posição que pertencia à imobiliária Grão Pará.

Neste contexto, a Câmara Municipal de Cascais apresentou à Parpública uma proposta inserida no plano municipal para assumir a gestão do Autódromo do Estoril, com a meta de mobilizar investimento privado de grande dimensão para modernizar a infraestrutura. A notícia foi divulgada pelo Jornal de Negócios, na sequência de uma entrevista ao presidente da autarquia, Nuno Piteira Lopes.

Proposta de gestão do Autódromo do Estoril: direito de superfície e prazo alargado

O modelo desenhado pela autarquia assenta num contrato de gestão do direito de superfície do circuito com a duração de 50 anos, contemplando a possibilidade de prolongamento até 75 anos. Como contrapartida, Cascais propõe pagar 12,5 milhões de euros, através de rendas mensais distribuídas ao longo de toda a vigência contratual.

De acordo com Nuno Piteira Lopes, o montante proposto tem por base as avaliações efetuadas pela própria Parpública, apesar de esses cálculos apontarem para um valor base ligeiramente acima do apresentado pelo município. Ainda assim, o autarca entende que estão criadas as condições para que o Estado transfira a gestão do circuito para a esfera municipal.

A justificação central da iniciativa, segundo o presidente da Câmara Municipal de Cascais, prende-se com aquilo que classifica como um período prolongado de desinvestimento do Estado numa infraestrutura que considera estratégica. Nas declarações ao Jornal de Negócios, defendeu que o autódromo é um ativo com relevância não só para o concelho, mas também para o país.

Do bloqueio de 2015 ao novo modelo com propriedade pública

A abordagem atual afasta-se da tentativa feita em 2015, quando o município procurou comprar a sociedade gestora do circuito - uma operação que acabou por ser travada pelo Tribunal de Contas. Desta vez, Cascais avança com um formato centrado na gestão, preservando a propriedade pública do ativo.

Se a Parpública der luz verde à proposta, o passo seguinte passa pelo lançamento de um concurso público internacional destinado a escolher operadores privados disponíveis para investir cerca de 150 milhões de euros na valorização do circuito e da área envolvente. Nas palavras de Nuno Piteira Lopes, será “absolutamente necessário fazer intervenções em toda a infraestrutura”.

Um modelo desta natureza poderá, além de requalificar o recinto, criar previsibilidade para a programação de eventos ao longo do ano, permitindo estruturar a operação com metas de desempenho, manutenção e captação de público. Para maximizar o benefício local, será igualmente determinante articular o calendário do autódromo com a oferta turística e hoteleira do concelho, bem como com a mobilidade e os serviços públicos em dias de grande afluência.

Em paralelo, a transparência do processo - desde o concurso público internacional até à execução das obras e à monitorização de impactos - tende a ser um fator crítico de aceitação pública. Uma estratégia de comunicação regular com moradores, agentes económicos e utilizadores pode ajudar a antecipar conflitos, sobretudo em matérias sensíveis como ruído, trânsito e horários de funcionamento.

Fórmula 1 e Autódromo do Estoril: reposicionamento no desporto motorizado

Entre as metas assumidas pela autarquia está o reposicionamento do Autódromo do Estoril no circuito internacional do desporto motorizado, com a Fórmula 1 a surgir como uma ambição expressa. Nuno Piteira Lopes afirmou ao Jornal de Negócios que, caso seja possível fechar as negociações no início de 2026 e arrancar com a parceria com privados ainda no primeiro semestre, em 2028 o autódromo poderá estar em condições de receber a Fórmula 1.

Para tornar esse objetivo viável, o município admite que serão indispensáveis obras profundas, abrangendo áreas técnicas, espaços de apoio ao público e soluções de mitigação acústica. Este último ponto é descrito como particularmente sensível para as populações vizinhas e, segundo o autarca, tem sido sucessivamente adiado pela gestão atual.

Novas utilizações: formação técnica, património automóvel e áreas sem uso

Para lá da vertente competitiva, a proposta da Câmara Municipal de Cascais prevê uma ocupação mais diversificada do espaço. Entre as novas valências referidas estão iniciativas ligadas à formação técnica, projetos associados ao património automóvel e o aproveitamento de zonas do recinto que, presentemente, não têm qualquer utilização.

Terrenos contíguos e estacionamento para grandes eventos

Em simultâneo, a autarquia diz estar em conversações com o Ministério da Justiça para comprar terrenos adjacentes ao circuito, com cerca de 25 hectares. O propósito, neste caso, passa por criar uma grande bolsa de estacionamento de apoio aos eventos de maior dimensão, reforçando a capacidade logística do Autódromo do Estoril em dias de elevado fluxo de visitantes.

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