A pergunta impõe-se com cada vez mais força: porque é que os automóveis estão a ficar tão caros?
Nos últimos anos, a escalada de preços tem sido contínua, tanto nos carros novos como nos carros usados. Quem anda hoje à procura de um automóvel percebe rapidamente que o mercado mudou - e que essas mudanças têm impacto direto no orçamento das famílias.
Para clarificar o que está a alimentar esta subida e perceber de que forma isso mexe com o crédito automóvel e com a capacidade de compra em Portugal, dois dos protagonistas mais presentes no setor foram convidados para o Conversas Auto: Diogo Lopes Pereira, diretor executivo adjunto do Banco Credibom, e Filipe Pestana Neves, diretor do Pisca Pisca. Esta conversa marcou a estreia da segunda edição do formato, apresentada na 36.ª Convenção Anual da ANECRA, com o apoio do Banco Credibom.
Análise do setor: automóveis, carros usados e elétricos
Ao longo da conversa, estiveram em destaque tendências que ajudam a explicar o momento atual: a procura crescente por carros usados e por elétricos, bem como a evolução dos montantes médios financiados.
Na leitura de Lopes Pereira e de Pestana Neves, há várias razões a justificar porque os automóveis se tornaram mais caros: a maior complexidade dos veículos atuais, mudanças na cadeia de distribuição e uma procura mais intensa, que contribui para manter os preços em níveis elevados. Para ficar com a explicação completa, vale a pena ouvir o episódio na íntegra e acompanhar os detalhes do mercado.
Crédito automóvel: mais financiamento e valores médios
Diogo Lopes Pereira destacou que as famílias estão a recorrer cada vez mais ao crédito automóvel, com taxas a rondar os dois dígitos, seja para carros novos, seja para carros usados.
Com base em dados do Banco de Portugal, a estimativa aponta para valores médios na ordem dos 16 500 € em crédito automóvel para um carro novo e cerca de 14 500 € para um usado. Ainda assim, a maioria do financiamento contratado incide sobre o mercado de usados: 76% dos créditos pedidos destinam-se a automóveis usados.
O responsável do Banco Credibom referiu também um dado relevante: pela primeira vez, o endividamento das famílias portuguesas em percentagem do rendimento disponível está abaixo da média da zona euro - 76% atualmente, quando há 15 anos se situava nos 130%. Na zona euro, a média está ligeiramente acima, nos 83%.
Mercado de carros usados e elétricos: Pisca Verde
No universo dos usados, Filipe Pestana Neves sublinhou o aumento do interesse por carros elétricos e apresentou o Pisca Verde, uma submarca do PiscaPisca.pt criada com o objetivo de impulsionar a mobilidade sustentável em Portugal.
Segundo o diretor do Pisca Pisca, esta abordagem dá aos clientes acesso a ferramentas que apoiam a tomada de decisão e ajudam a identificar oportunidades no mercado de usados, com especial foco no segmento elétrico.
Outros fatores que também ajudam a explicar os preços elevados
Além das razões apontadas na conversa, há elementos que tendem a pressionar o preço final de um automóvel: a incorporação de mais tecnologia e sistemas de segurança, a adaptação a normas ambientais mais exigentes e as oscilações nos custos de produção e logística. Mesmo quando a procura arrefece, estes componentes podem dificultar uma descida significativa dos preços.
Do lado do consumidor, a subida do valor dos carros e o recurso mais frequente ao crédito tornam ainda mais importante olhar para o custo total: prestação mensal, prazo, taxa anual efetiva global (TAEG) e despesas associadas. Nos elétricos, faz sentido somar a esta conta aspetos como a solução de carregamento disponível e o padrão de utilização, para garantir que a escolha é sustentável também para a carteira.
Encontro marcado no próximo Conversas Auto
Há, por isso, muitos motivos para ver e ouvir o episódio mais recente do Conversas Auto, o formato editorial da Razão Automóvel, disponível nas plataformas habituais: YouTube, Podcasts da Apple e Spotify.
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