A empresa conjunta entre o Grupo Volkswagen e a Rivian, reunida na RV Tech, está a desenvolver uma nova arquitetura e software para os chamados veículos definidos por software (SDV), criada com o objetivo de servir os elétricos do construtor alemão. Ainda assim, essa base tecnológica poderá vir a ser alargada, no futuro, a veículos com motor de combustão.
Em declarações à Reuters, Carsten Helbing, co-diretor-executivo da RV Tech, explicou que “trata-se de uma arquitetura extremamente capaz, que poderá ser usada futuramente também em veículos com motor de combustão interna”.
Helbing acrescentou que a tecnologia foi pensada para aceitar diferentes configurações de conjuntos motrizes. No entanto, alertou que a adaptação a novas tipologias de motores implica trabalho adicional, tanto ao nível dos componentes como da própria plataforma.
Prioridade nos elétricos do Grupo Volkswagen e nos SDV
Apesar de reconhecer esse potencial de expansão, o responsável reforça que, nesta fase, a prioridade mantém-se “exclusivamente nos veículos elétricos”. “O que vier depois será decidido posteriormente”, frisou.
A nova arquitetura e o novo software procuram reduzir a vantagem competitiva de rivais como a Tesla e várias marcas chinesas. O primeiro modelo de produção do Grupo Volkswagen a receber este sistema deverá ser o Volkswagen ID.EVERY1 - cuja produção está prevista para a Autoeuropa - com lançamento apontado para 2027. Os ensaios e validações deverão arrancar ainda este ano.
O plano do grupo passa por fazer desta solução uma base comum para os seus elétricos, em especial para os modelos assentes na Plataforma de Sistemas Escaláveis (SSP), que sucede à MEB. Entre os veículos que deverão beneficiar desta transição estão o futuro Golf elétrico e o T-Roc elétrico, cuja chegada ao mercado é esperada a partir de 2029.
Plataforma SSP, MEB e a evolução do software nos veículos definidos por software (SDV)
Ao centralizar funções em software e numa arquitetura transversal, o Grupo Volkswagen procura acelerar ciclos de desenvolvimento, facilitar atualizações ao longo da vida do automóvel e uniformizar a experiência entre marcas e segmentos. Esta mudança é particularmente relevante à medida que a SSP se afirma como sucessora da MEB, com ambição de suportar uma gama mais ampla de produtos e necessidades.
Ao mesmo tempo, a crescente “digitalização” do automóvel tende a elevar a importância de requisitos como cibersegurança, redundância de sistemas e validação contínua de funcionalidades - aspetos que ganham peso tanto em elétricos como, potencialmente, em veículos com motor de combustão, caso a estratégia venha a expandir-se para além do foco atual.
Aplicação na Rivian e dimensão da equipa global
Do lado da Rivian, a tecnologia será integrada nos modelos R2, R3 e R3X, e servirá também para melhorar e tornar mais eficientes os veículos já em circulação. Para concretizar este desenvolvimento, a empresa conjunta constituiu uma equipa global com mais de 1500 colaboradores.
Oliver Blume, diretor-executivo do Grupo Volkswagen, salientou o ritmo do projeto: “A empresa conjunta está a desenvolver rapidamente a arquitetura que vamos utilizar nos nossos futuros veículos definidos por software”. E concluiu: “Cada passo rumo às nossas metas ambiciosas está a ser dado com determinação e foco.”
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