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O destróier japonês JS Chōkai já possui capacidade para lançar os novos mísseis Tomahawk.

Navio de guerra a lançar um míssil sobre o mar numa operação militar.

Após a sua chegada à cidade de San Diego, em outubro de 2025, o destróier JS Chōkai da Força Marítima de Autodefesa do Japão passou a ser, recentemente, o primeiro navio da sua classe a dispor de capacidade para lançar os novos mísseis de cruzeiro Tomahawk. Este marco foi alcançado na sequência de trabalhos que contaram com um apoio substancial dos Estados Unidos. Em concreto, o navio integra a classe Kongō da Força Marítima de Autodefesa, que se perfila, para os próximos anos, como um ativo central para o Japão reforçar as suas capacidades de ataque de longo alcance, em linha com uma postura mais exigente face ao contexto geopolítico do Indo-Pacífico.

JS Chōkai (classe Kongō) e os mísseis de cruzeiro Tomahawk: um novo patamar

A propósito deste avanço na Força Marítima de Autodefesa, o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, afirmou:

“As capacidades de defesa à distância servem para que qualquer adversário que tente atacar o Japão, independentemente da região visada, compreenda claramente que um ataque com navios de guerra, forças anfíbias ou outros meios será travado de forma decisiva.”

Por seu lado, o ministério liderado pelo governante sublinhou, nas suas redes sociais, que o país continuará a consolidar este tipo de capacidades no futuro, procurando que o reforço dos arsenais actualmente existentes se faça sentir o mais depressa possível.

Permanência nos EUA até setembro e campanha de testes

Importa ainda realçar que a permanência do destróier JS Chōkai em território norte-americano não termina já: os planos iniciais de Tóquio apontam para que o navio se mantenha ali destacado até ao próximo mês de setembro. De acordo com o Ministério da Defesa, o período que falta será aproveitado para que o navio e a sua guarnição participem numa série variada de testes, com o objectivo de assegurar a integração correcta dos Tomahawk - tanto do ponto de vista técnico como no que toca ao treino do pessoal que poderá ter de os empregar em cenário de conflito.

Plataforma de ensaios para uma integração mais ampla nos destróieres Aegis

Neste enquadramento, vale a pena recordar que o JS Chōkai está a ser utilizado como plataforma de ensaios para uma integração mais abrangente do Tomahawk em navios de guerra japoneses. Segundo tem sido noticiado por meios locais, a Força Marítima de Autodefesa pretende equipar com este armamento norte-americano os seus oito destróieres Aegis, permitindo o disparo a partir dos lançadores verticais Mk-41 que fazem parte das suas capacidades de combate.

Além de aumentar o alcance efectivo de dissuasão, esta integração assenta também na lógica de interoperabilidade: ao alinhar sistemas de lançamento, procedimentos de manutenção e ciclos de treino com padrões amplamente usados por aliados, o Japão procura reduzir riscos de integração e acelerar a entrada em serviço operacional do armamento nos seus navios.

Aquisição de 400 Tomahawk (Block IV e Block V) via FMS

Com esse objectivo claramente definido, o Japão já confirmou a compra de 400 mísseis Tomahawk Block IV e Block V, repartidos em partes iguais entre as duas variantes, para armar os seus navios. A operação foi concretizada através do Programa de Vendas Militares Estrangeiras (FMS) em janeiro de 2024.

Esta aquisição exigiu um investimento na ordem dos 1,7 mil milhões de dólares (US$) por parte do Japão, abrangendo não apenas os mísseis, mas também a assistência técnica necessária para a sua incorporação e o treino providenciado pelos Estados Unidos.

Alternativa nacional no horizonte: variante naval do Tipo 12

Por fim, é relevante sublinhar que o Japão já está a trabalhar no desenvolvimento de mísseis de cruzeiro que, no futuro, permitam substituir os Tomahawk por uma solução nacional - concretamente, uma variante naval dos novos mísseis Tipo 12. Trata-se de um sistema que já foi apresentado oficialmente para emprego a partir de baterias terrestres e que também demonstrou capacidades em diferentes avaliações, incluindo exercícios realizados no estrangeiro com a Austrália como anfitriã.

Segundo a informação actualmente disponível, este armamento deverá oferecer um alcance semelhante ao dos mísseis de origem norte-americana, o que, na interpretação do ministro Koizumi, corresponde ao “mínimo necessário para garantir a autodefesa”.

A par do desenvolvimento tecnológico, este caminho nacional implica também escolhas de doutrina e prontidão: definir como estas capacidades de longo alcance se articulam com a defesa de ilhas remotas, a protecção de rotas marítimas e a resposta a crises no Indo-Pacífico, garantindo simultaneamente a formação das tripulações e a disponibilidade logística para sustentar operações prolongadas.

Créditos das imagens: @ModJapanjp e @JMSDFPAO no X

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