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CF-18 da Real Força Aérea Canadiana já operam o míssil ar-ar AIM-120D-3

Avião de combate militar cinzento a descolar numa pista coberta de neve com edifícios ao fundo.

O Governo do Canadá anunciou, através de uma breve nota publicada nas redes sociais, que os caças CF-18 da Real Força Aérea Canadiana passaram a estar equipados com o míssil ar-ar AIM-120D-3, actualmente a variante mais avançada disponível desta família de armamento. A divulgação surge poucas semanas depois de a força ter concluído um ensaio com tiro real do míssil e das aeronaves, realizado no âmbito do exercício Combat Archer, em cooperação com a Força Aérea dos EUA (USAF) a partir da Base Aérea de Tyndall, no estado da Florida.

Integração e testes: quem viabilizou a capacidade

Segundo Ottawa, a incorporação dos novos mísseis foi possível graças ao trabalho coordenado de várias unidades e entidades, com destaque para o 425.º Esquadrão de Caça Táctico e a Equipa Integrada de Ensaios do Projecto de Extensão do Hornet (HEP). A estes esforços juntaram-se ainda a CAE Canadá, o Centro de Ensaios e Engenharia Aeroespacial e o Esquadrão de Ensaios e Avaliação Operacional de Caças.

Do lado norte-americano, a contribuição concretizou-se também através do apoio do Laboratório de Armas Avançadas, que facilitou a integração do míssil nos CF-18.

AIM-120D-3 nos CF-18: impacto para o NORAD e a OTAN

No comunicado oficial, o Canadá sublinha o significado operacional desta actualização: “O AIM-120D-3 melhora a capacidade do CF-18 para interceptar ameaças a longa distância e reforça a preparação do Canadá para as missões do NORAD e da OTAN, incluindo a defesa do Canadá e do Árctico.”

Com esta integração, o país reforça a interoperabilidade com os seus parceiros dos Estados Unidos ao alinhar-se com armamento já utilizado nos caças da USAF, com os quais opera de forma coordenada sob a égide do NORAD para assegurar a protecção dos respectivos espaços aéreos. Na Europa, este míssil foi igualmente adquirido por aliados próximos dos EUA, como a Finlândia e a Polónia.

O que distingue o AIM-120D-3

Entre as características associadas ao AIM-120D-3, destaca-se o facto de ter sido desenvolvido no contexto do programa Form, Fit and Function Refresh (F3R), que introduziu melhorias em componentes como as placas de circuito da secção de guiamento. O objectivo destas alterações foi aumentar a agilidade do míssil na fase de engajamento, elevando a sua capacidade de bater alvos.

Em paralelo, e tendo em conta o peso crescente dos sistemas de guerra electrónica nos teatros modernos, o míssil incorpora capacidades adicionais para resistir a tentativas de interferência sobre os seus equipamentos, preservando a eficácia em ambientes contestados.

Implicações operacionais: defesa do Árctico e prontidão sustentada

A adopção do AIM-120D-3 tem efeitos que vão além do desempenho técnico: ao melhorar a capacidade de intercepção a longa distância, reforça a postura de dissuasão e de reacção rápida em missões de alerta e policiamento aéreo, particularmente relevantes num contexto de vigilância e defesa do Árctico.

Esta evolução exige igualmente ajustamentos de sustentação - desde procedimentos de armazenamento e manuseamento até rotinas de inspecção e planeamento de disponibilidade - para que a nova capacidade se traduza, de forma consistente, em aeronaves prontas e armamento operacional quando necessário.

Modernização mais ampla: o programa HEP nos CF-18

Para além das virtudes do novo armamento, a sua chegada ao inventário sublinha um esforço mais abrangente de modernização em curso na Real Força Aérea Canadiana. Em Outubro de 2024, o país alcançou a capacidade operacional inicial dos CF-18 submetidos a actualizações, um marco importante num plano que previa modernizar 84 aeronaves para o padrão HEP 1 e 36 para o padrão HEP 2.

Na prática, estas melhorias incluíram a instalação de novos sistemas IFF, a integração de Datalink 16, capacidades associadas a visão nocturna, actualizações no computador de missão e outros elementos relacionados.

Próximo passo: F-35A e a hipótese Gripen

Em paralelo, a instituição prepara-se para receber uma nova frota de caças furtivos F-35A de origem norte-americana, destinada a substituir progressivamente os CF-18 no futuro. Está prevista a entrega dos primeiros exemplares às unidades de treino correspondentes ao longo deste ano.

Por outro lado, sem que exista ainda uma decisão definitiva, o Canadá poderá também acrescentar um número complementar de caças Gripen, fabricados pela sueca Saab. Esta solução, embora reduza a quantidade de aeronaves compradas à Lockheed Martin, permitiria a Ottawa diversificar fornecedores de armamento e, potencialmente, aumentar o total de caças disponíveis.

Imagens utilizadas a título ilustrativo

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