Com o propósito de aumentar a prontidão operacional na Patagónia, as unidades da Divisão de Patrulha Austral e da Infantaria de Marinha da Armada Argentina realizaram um novo treino integrado no Canal de Beagle, consolidando procedimentos conjuntos num enquadramento geográfico particularmente exigente. A actividade decorreu ao longo das costas da Terra do Fogo e teve como foco o aperfeiçoamento de técnicas anfíbias através da actuação coordenada entre meios navais e forças em terra.
Divisão de Patrulha Austral e Infantaria de Marinha: integração na Terra do Fogo
O exercício envolveu navios de superfície sob dependência da Divisão de Patrulha Austral, o navio de estação destacado na Base Naval de Ushuaia e militares da Brigada de Infantaria de Marinha Austral. Neste contexto, foram realizadas diversas manobras orientadas para articular capacidades e melhorar a resposta perante cenários operacionais complexos, típicos do teatro austral.
Entre os meios participantes destacaram-se o patrulha oceânico ARA “Storni” (P-53), a lancha rápida ARA “Indómita” (P-86) e as lanchas de patrulha ARA “Concepción del Uruguay” (P-64) e ARA “Barranqueras” (P-62), todas pertencentes à Divisão de Patrulha Austral. Do lado da Infantaria de Marinha, participou o Batalhão de Infantaria de Marinha n.º 4 (BIM4), dependente da Brigada de Infantaria de Marinha Austral, contribuindo com pessoal especializado em operações anfíbias.
Manobras no Canal de Beagle: embarque, transferências e desembarques anfíbios
As acções incluíram o embarque de tropas, operações de transferência de militares entre unidades navais e desembarques anfíbios. Em paralelo, realizaram-se exercícios de sobrevivência, patrulhamento e deslocamento em terrenos de baixa montanha e no mato austral.
Simultaneamente, foi executada uma marcha montada com viaturas motorizadas, permitindo projectar para a zona de treino os Serviços de Apoio de Combate necessários para sustentar as actividades de instrução no terreno.
Objectivos do treino: validar procedimentos e reforçar a coordenação conjunta
Este tipo de exercício procura consolidar e testar os procedimentos associados às operações anfíbias em todas as suas fases, desde o planeamento até à execução no terreno. Em complemento, favorece a integração de capacidades entre as unidades navais e a Infantaria de Marinha, através de práticas como reconhecimentos, trasbordos e manobras com embarcações, num ambiente que exige coordenação fina e adaptação permanente.
Num cenário austral como o do Canal de Beagle, a exigência operacional é elevada devido a factores como a meteorologia variável, as águas frias e a complexidade do litoral. Por isso, a repetição de rotinas de embarque/desembarque, a gestão de tempos e a sincronização entre plataformas marítimas e equipas em terra tornam-se determinantes para manter padrões consistentes de eficácia.
Além do valor táctico, este tipo de adestramento contribui para reforçar a interoperabilidade e a segurança operacional em missões que podem envolver presença e vigilância marítima, mobilidade costeira e apoio a actuações em áreas remotas. A capacidade de sustentar forças em terra com apoio logístico e protecção a partir do mar é um elemento-chave para operar com continuidade no extremo sul.
Créditos das imagens: Gaceta Marinera – Armada Argentina.
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