Saltar para o conteúdo

A Marinha do Brasil integrou o navio caça-minas “Amorim do Valle” ao Comando de Operações Navais.

Militares em uniforme branco junto a drone e navio de guerra chamado "Amorim do Valle" atracado no cais.

A Marinha do Brasil deu mais um passo no seu plano de modernização e de reforço das capacidades na guerra de minas, ao integrar o cazaminas “Amorim do Valle” no Comando de Operações Navais. O navio passa, assim, a constituir um novo activo operacional, depois de ter sido alvo de um processo de reconversão que o devolveu à sua função original e o ajustou às exigências actuais do serviço.

Cerimónia na Base Naval de Aratu e transferência para o Comando de Operações Navais

A incorporação oficial teve lugar a 17 de março, na Base Naval de Aratu, em Salvador, numa cerimónia que contou com a presença de autoridades civis e militares. Durante o acto, ficou formalizada a transferência da unidade para o Comando de Operações Navais e a sua subordinação ao Comando da Força de Varredura e Guerra de Minas.

Este momento assinala um marco num percurso que começou em setembro de 2025, quando o navio tinha sido recebido com a classificação de navio hidrográfico oceanográfico, antes de avançar para a reconversão que culmina agora na sua integração como cazaminas.

Cazaminas “Amorim do Valle” (M210): reforço para guerra de minas e patrulhamento

Já identificado com o numeral M210 e com um esquema de pintura em cinzento naval, o “Amorim do Valle” passa a representar um reforço estratégico para missões de patrulhamento e de contramedidas de minas. A entrada ao serviço desta unidade traduz, também, a adaptação tecnológica da Marinha do Brasil perante um contexto internacional em que a guerra de minas voltou a ganhar relevância.

Nesta linha, o comandante de Operações Navais, almirante Eduardo Machado Vázquez, salientou a actualidade destas capacidades, referindo que: “Conflitos que julgávamos ultrapassados voltaram com intensidade, como se verificou na guerra na Ucrânia. Este navio acrescenta uma capacidade adicional, ligada à investigação e à tecnologia, que permite avanços importantes na nossa defesa.”

Reconversão na Base Naval de Aratu e papel decisivo da guarnição

A reconversão foi conduzida na própria Base Naval de Aratu, envolvendo alterações de natureza estrutural e tecnológica. O comandante do 2.º Distrito Naval, vice-almirante Gustavo Calero Garriga Pires, sublinhou a importância do empenho da guarnição ao longo do processo, destacando que: “o compromisso da tripulação foi determinante para assegurar uma transição eficiente e segura”. Acrescentou ainda que a integração desta unidade contribui para reforçar a segurança marítima e a protecção de rotas estratégicas.

Do ponto de vista operacional, o comandante do navio, capitão-tenente Rafael Silva, explicou que a transformação foi planeada por etapas. A primeira fase incidiu sobre alterações visuais e de identificação. Já a segunda fase, actualmente em curso, introduz novos sistemas que permitirão operar plenamente em guerra de minas e empregar veículos autónomos, alargando de forma significativa o leque de missões atribuídas à unidade.

Identidade histórica, trajecto do navio e reforço da Força de Varredura e Guerra de Minas

O navio conserva o nome do almirante Edmundo Jordão Amorim do Valle, uma figura histórica da Marinha brasileira, conferindo à unidade um simbolismo adicional. Incorporado em 1995, após a aquisição do antigo HMS Humber da Marinha Real britânica, o “Amorim do Valle” passou por diferentes fases até atingir a configuração agora estabelecida.

A sua integração vem fortalecer a Força de Varredura e Guerra de Minas, activa desde 1961, e evidencia a aposta do Brasil em incorporar tecnologias avançadas e sistemas não tripulados na defesa da Amazónia Azul e do Atlântico Sul.

Preparação operacional e integração com novas tecnologias

Com a reentrada do “Amorim do Valle” no conjunto de meios dedicados à guerra de minas, ganha particular importância a consolidação de rotinas de treino, doutrina e segurança de operação, sobretudo na utilização de veículos autónomos e sensores especializados. A capacidade de detectar, classificar e neutralizar ameaças exige procedimentos rigorosos, coordenação com outras unidades e uma elevada prontidão, especialmente em áreas sensíveis para a navegação e para a projecção naval.

A modernização associada a este tipo de plataformas reforça também a flexibilidade na vigilância de áreas portuárias e de acessos a corredores marítimos, contribuindo para reduzir vulnerabilidades em cenários de crise. Ao combinar investigação, tecnologia e capacidade de resposta, a Marinha do Brasil amplia a sua margem de actuação num domínio em que a dissuasão e a remoção rápida de ameaças podem ser decisivas.

Créditos das imagens: Marinha do Brasil.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário