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A Marinha da República da Coreia integra os seus primeiros helicópteros anti-submarino MH-60R

Helicóptero militar cinzento estático num convés de navio com três tripulantes a preparar equipamentos.

A Marinha da República da Coreia anunciou a entrada ao serviço dos seus primeiros helicópteros MH-60R vocacionados para guerra anti-submarino (ASW), destinados a substituir gradualmente a frota Westland Super Lynx Mk.99A. A incorporação assinala um passo relevante no programa de modernização da aviação naval do país, com foco no reforço das capacidades de vigilância e de combate no domínio marítimo.

A cerimónia oficial de aceitação decorreu no 62.º Esquadrão Aéreo Marítimo, em Jinhae, na província de Gyeongsang do Sul, onde o ramo naval apresentou formalmente as novas aeronaves que irão apoiar a prontidão operacional nas áreas costeiras e nas zonas marítimas de interesse estratégico. Estes helicópteros serão empregues em missões anti-submarino e anti-navio, contribuindo para a defesa da soberania marítima sul-coreana através de sensores avançados e armamento especializado.

MH-60R: reforço imediato das missões anti-submarino e anti-navio

Durante o acto de incorporação, a Marinha sublinhou que os MH-60R irão reforçar de forma directa a capacidade de resposta a ameaças submarinas. Segundo as autoridades, as aeronaves estão equipadas com sensores de elevado desempenho, mísseis guiados Hellfire para emprego anti-navio e torpedos leves, permitindo alargar o raio de acção e sustentar a vigilância em áreas críticas.

A chegada destas unidades constitui a primeira etapa de uma substituição faseada de plataformas que, durante décadas, cumpriram funções de patrulha e combate no mar. A estratégia assumida é a de introduzir as novas aeronaves sem interromper o ritmo das operações em curso, mantendo a continuidade das missões enquanto se procede à transição.

Plano governamental para renovar a frota de helicópteros marítimos

A entrega dos MH-60R enquadra-se num plano aprovado pelo Governo sul-coreano em 30 de Dezembro de 2023, destinado a renovar a frota de helicópteros marítimos da Marinha. A Administração do Programa de Aquisição de Defesa (DAPA), após obter apoio do Comité de Promoção de Projectos de Defesa, indicou que a decisão responde à necessidade de actualizar meios aéreos com um papel determinante na segurança do ambiente marítimo do país.

De acordo com a DAPA, o projecto prevê um investimento estimado de 2,23 mil milhões de dólares (USD), repartido entre 2025 e 2032, com o propósito de assegurar uma transição estruturada e sustentada. A agência esclareceu que, nesse intervalo, será executada a substituição integral dos Westland Super Lynx Mk.99A, que actualmente constituem a espinha dorsal das operações anti-submarino da Marinha sul-coreana. Tendo estas aeronaves entrado em serviço em 1991, a sua retirada é justificada por factores como a idade, os requisitos de manutenção e a necessidade de adaptação a novas ameaças.

Do Super Lynx Mk.99A ao MH-60R: transição para maior autonomia e integração de sistemas

Desde a sua entrada ao serviço, os Westland Super Lynx Mk.99A desempenharam um papel central na vigilância das águas territoriais da Coreia do Sul. A sua utilização continuada por mais de três décadas permitiu consolidar um quadro táctico eficaz para detectar e neutralizar submarinos, num contexto regional marcado por tensões militares e pela competição tecnológica.

Com a introdução dos MH-60R, a Marinha dá início a uma mudança para plataformas com maior autonomia, melhor capacidade de integração de sistemas e superior adaptabilidade operacional. O objectivo é elevar o nível de desempenho tanto na detecção como no acompanhamento de contactos subaquáticos e de superfície, reforçando o controlo de áreas marítimas de elevado valor estratégico.

Operação faseada, formação e sustentação logística

Numa fase inicial, os novos MH-60R deverão operar em paralelo com os meios existentes, permitindo uma actualização progressiva que não comprometa a execução das missões actuais. Este modelo facilita a qualificação das tripulações, a adaptação de procedimentos e a consolidação das rotinas de manutenção, factores essenciais quando se introduz uma plataforma com sensores e sistemas de missão mais avançados.

Além da vertente operacional, a transição implica também um esforço de sustentação logística e de preparação de infra-estruturas, incluindo a disponibilidade de peças, ferramentas e formação técnica especializada. Ao estruturar a renovação ao longo de vários anos, a Marinha procura reduzir riscos de indisponibilidade e assegurar que a capacidade anti-submarino se mantém robusta durante todo o período de substituição.

Modernização da aviação naval no curto e médio prazo

Com esta incorporação, a Marinha da República da Coreia inicia um ciclo de modernização que deverá reforçar, no curto e no médio prazo, a capacidade de resposta a ameaças submarinas e de superfície. O programa de renovação avançará de acordo com os calendários definidos, consolidando uma inflexão estratégica na aviação naval do país e ampliando a margem de actuação nas operações marítimas.

Imagens: Marinha da República da Coreia.

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