A FIA (Federação Internacional do Automóvel) avançou de forma decisiva rumo a um desporto motorizado mais sustentável, ao validar novas classes de competição para karts elétricos e, em paralelo, ao apresentar um enquadramento regulamentar mais amplo que passa a abranger, de forma integrada, todas as fontes de energia usadas em competição.
Energias sustentáveis no centro da transformação da FIA
Com estas deliberações, a FIA vai além de uma simples resposta às exigências ambientais: está a reposicionar o automobilismo para o século XXI. A aposta em categorias elétricas no karting - uma das principais portas de entrada na formação de pilotos - demonstra a intenção de criar uma progressão coerente, preparando desde cedo a base do desporto para uma transição gradual das categorias superiores para soluções mais limpas.
Ao mesmo tempo, a harmonização das regras energéticas pretende assegurar que o ecossistema competitivo evolui com consistência, sem comprometer padrões técnicos nem requisitos de segurança.
Classes FIA de e-karting: homologação Junior e Sénior (karts elétricos)
Do ponto de vista técnico, o Conselho Mundial do Desporto Motorizado aprovou regulamentos de homologação específicos para as classes Junior e Sénior de e-karting, acompanhados por uma extensão e uniformização das regras relacionadas com energia no automobilismo.
As novas classes da FIA para karts elétricos estabelecem:
- Limite de tensão: 60 V
- Posicionamento obrigatório das baterias: montagem central, abaixo da coluna de direção
- Proibição explícita: não é permitido utilizar baterias laterais
- Limites de potência:
- Classe júnior: até 23 kW (31 cv)
- Classe sénior: até 28 kW (38 cv)
Estas escolhas técnicas procuram equilibrar desempenho, fiabilidade e, sobretudo, segurança. A restrição de tensão e potência ajuda a estabilizar o comportamento em pista e a reduzir riscos operacionais, enquanto a imposição do posicionamento central das baterias contribui para um melhor equilíbrio do chassis e para a mitigação de perigos em caso de colisão.
Continuidade com o e-karting mini e expansão internacional
Estas novas classes vêm reforçar e completar a regulamentação já existente para o e-karting mini, introduzida em 2023, e têm como objetivo acelerar a expansão internacional do kart elétrico. De acordo com Akbar Ebrahim, presidente da Comissão de Karting da FIA, “estas regulamentações desbloquearão novas possibilidades de eventos e campeonatos pelo mundo, e 2026 tende a ser um ano de ouro para o karting”.
Este movimento é particularmente relevante para promotores, federações nacionais e organizadores, porque uma base regulamentar comum facilita a criação de calendários, a homologação de material e a comparação de desempenho entre diferentes campeonatos.
Artigo 266 no Apêndice J: quadro comum para todas as fontes de energia
No mesmo encontro, foi também aprovada uma medida estruturante: a criação de um artigo consolidado no Apêndice J do Código Desportivo Internacional. O novo Artigo 266 passa a definir um quadro regulamentar comum para todas as fontes de energia utilizadas em competições FIA, incluindo:
- Combustíveis líquidos
- Energia elétrica
- Hidrogénio (em estado gasoso ou líquido)
Esta uniformização pretende garantir coerência técnica e segurança, ao mesmo tempo que simplifica a integração de tecnologias emergentes. Ao enquadrar desde já soluções como o hidrogénio no mesmo corpo regulamentar, a FIA cria condições para que a inovação avance sem fragmentação jurídica e com regras previsíveis para equipas, construtores e organizadores.
Implicações práticas: infraestruturas, segurança e custos de operação
A consolidação de classes elétricas e a normalização das regras energéticas tendem a acelerar investimentos em infraestrutura de paddock, nomeadamente em pontos de carregamento, procedimentos de isolamento elétrico e formação de equipas técnicas para operação e resposta a incidentes. Em campeonatos de base, como o karting, esta preparação pode ser determinante para garantir eventos consistentes e seguros em diferentes países.
Em paralelo, a normalização técnica costuma traduzir-se em maior previsibilidade de custos a médio prazo: com requisitos claros de homologação e limites bem definidos, fabricantes e equipas conseguem planear melhor ciclos de equipamento, manutenção e logística, reduzindo a incerteza típica das fases iniciais de transição tecnológica.
Reunião do Conselho Mundial e reforço da presença internacional
A mais recente reunião do Conselho Mundial do Desporto Motorizado realizou-se por videoconferência e ficou ainda marcada pela inauguração do novo escritório da FIA em Londres, um sinal adicional do reforço do posicionamento internacional da federação.
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