A condução totalmente autónoma está a deixar de ser um cenário distante e a aproximar-se de uma realidade no dia a dia. A Waymo, a divisão da Google dedicada à mobilidade autónoma, revelou que pretende levar a sua operação para a Europa já no próximo ano, assinalando uma nova etapa na estratégia de crescimento fora dos Estados Unidos.
Nos EUA, a empresa afirma ter ultrapassado as 100 milhões de boleias em estradas públicas nos quatro estados onde já opera - Arizona, Califórnia, Geórgia e Texas - e colocou agora a mira em Londres, no Reino Unido, como primeiro grande passo europeu.
“Estamos muito entusiasmados por levar a fiabilidade, a segurança e a magia da Waymo aos londrinos”, afirmou a co-diretora-executiva, Tekedra Mawakana.
Segundo a Automotive News Europe, a Waymo deverá iniciar testes com uma pequena frota de veículos autónomos numa zona de cerca de 260 km² na capital britânica. Numa fase inicial, os testes serão realizados com condutores de segurança a bordo, uma prática habitual para validar o comportamento do sistema em ambientes urbanos complexos e com tráfego intenso.
A entrada em Londres está a ser preparada em parceria com a Moove - empresa apoiada pela Uber Technologies - que ficará responsável por gerir e assegurar a manutenção da frota. O plano passa por aumentar gradualmente o número de viaturas, alinhando essa expansão com as orientações dos reguladores britânicos.
O governo do Reino Unido pretende autorizar testes comerciais de veículos autónomos a partir do próximo ano. Depois dessa janela regulatória se abrir, a Waymo quer disponibilizar o serviço diretamente aos consumidores através da sua própria aplicação, em vez de depender de intermediários.
“Estou encantada por a Waymo pretender trazer os seus serviços para Londres no próximo ano, no âmbito do nosso esquema piloto proposto”, declarou a Secretária de Estado dos Transportes, Heidi Alexander.
Waymo em Londres: o que muda para a condução totalmente autónoma no Reino Unido
A escolha de Londres não é apenas simbólica: trata-se de um dos maiores mercados mundiais para serviços de transporte por aplicação, com padrões exigentes de segurança rodoviária e um ecossistema regulatório em rápida evolução. Para a Waymo, testar num ambiente urbano tão desafiante pode acelerar a validação de capacidades essenciais, como a interação com utilizadores vulneráveis da via (peões e ciclistas), obras frequentes e mudanças de sinalização.
Além disso, a evolução destes projetos tende a levantar questões relevantes para a operação diária - desde como serão geridos incidentes e interrupções de serviço até ao modo como se garante transparência na recolha e uso de dados associados a viagens e segurança. À medida que os veículos autónomos se aproximam de uma utilização mais ampla, estes fatores passam a ser tão determinantes quanto o desempenho tecnológico.
Uber é o principal concorrente
Ao avançar com um serviço prestado através da sua própria aplicação, a Waymo posiciona-se “frente-a-frente” com a Uber e outras plataformas de transporte num dos maiores centros de procura do setor. Isto poderá intensificar a concorrência, sobretudo se a experiência do utilizador for comparável (ou superior) em disponibilidade, preço e tempos de espera.
Ainda assim, no seu mercado de origem - os EUA -, a Waymo nem sempre escolheu o confronto direto. Em algumas cidades, preferiu trabalhar com plataformas como a Uber e a Lyft, em vez de competir, com o objetivo de manter os veículos em circulação com elevada taxa de utilização e reduzir períodos de inatividade.
Atualmente, a empresa realiza mais de 250 mil viagens por semana com uma frota de cerca de 1500 veículos em cidades como São Francisco, Los Angeles, Phoenix, Atlanta e Austin. Para o próximo ano, está prevista a expansão para Washington D.C. e Miami.
De acordo com a Automotive News Europe, o crescimento da Waymo tem sido gradual, mas consistente, apoiado em parcerias com plataformas de transporte e operadoras de frota, mesmo num contexto de regulamentação cada vez mais exigente.
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