Com o novo Mercedes-Benz CLA, a Mercedes-Benz acertou finalmente na receita dos seus elétricos e apresenta, muito provavelmente, a proposta mais forte do segmento.
A marca alemã não se limitou a lançar mais uma geração do Mercedes-Benz CLA: o que chega agora é uma transformação completa, pensada para colocar sob pressão rivais diretos como o Tesla Model 3, o BMW i4, o BYD Seal e o Polestar 2.
Com a saída anunciada (a curto prazo) do Classe A e do Classe B, o CLA assume-se como a nova porta de entrada no universo Mercedes-Benz. Ainda assim, convém não o subestimar: há soluções e tecnologias aqui presentes que nem sequer chegaram, por enquanto, ao topo de gama Classe S.
A grande estreia é a plataforma MMA, preparada para ser, acima de tudo, elétrica (embora também aceite motorizações híbridas). Junta-lhe uma arquitetura de 800 V, capacidade de carregamento até 320 kW e uma promessa de até 770 km de autonomia no CLA 350 4MATIC - versão que já tivemos oportunidade de conduzir nas ruas de Copenhaga.
Mercedes-Benz CLA: eficiência como palavra de ordem
Apesar de a silhueta ser reconhecível, o novo CLA é efetivamente um modelo inédito. Na prática, da geração anterior pouco mais ficou do que o nome.
A linha lateral de inspiração coupé mantém-se muito próxima do que já conhecíamos, mas quase tudo foi afinado para reduzir consumos e aumentar a autonomia. O objetivo foi claro: colocar o CLA entre os Mercedes-Benz mais aerodinâmicos de sempre, com um Cₓ de apenas 0,21.
O resultado é um desenho exterior mais harmonioso e apelativo do que o de modelos como o EQE e o EQS - e isto apesar de, curiosamente, estes também apresentarem valores de resistência ao ar semelhantes.
Um salto claro no interior e na tecnologia
Se por fora se nota uma tentativa de preservar a identidade do CLA, por dentro a Mercedes-Benz virou a página sem hesitações.
O tablier passa a ser dominado, de série, por dois ecrãs: um de 10,25” para a instrumentação e outro de 14”, ao centro, dedicado ao sistema de infoentretenimento. Em opção, pode acrescentar-se um terceiro ecrã de 14” à frente do passageiro, permitindo ver filmes, ouvir música e até jogar durante viagens mais longas.
Este modelo estreia também um novo sistema operativo, o MB.OS, que integra inteligência artificial (IA) da Microsoft e da Google, reunindo várias ferramentas de IA numa única plataforma.
Já o sistema de voz MBUX Virtual Assistant evolui ao ponto de conseguir interpretar várias perguntas seguidas. No entanto, pelo menos numa fase inicial, este assistente com IA só funcionará se lhe falarmos em inglês ou alemão.
Nos materiais e nos acabamentos - um dos aspetos mais criticados na geração anterior - a melhoria é evidente. Essa evolução já era percetível há alguns meses, quando estivemos frente a frente com o modelo pela primeira vez. Existe um vídeo sobre esse momento para ver (ou rever).
Além do hardware, há outra mudança importante a ter em conta: com uma arquitetura eletrónica mais moderna, o CLA fica melhor preparado para receber atualizações remotas (por via de software), o que tende a prolongar a atualidade do sistema multimédia e de algumas funcionalidades digitais ao longo do tempo.
Espaço e bagageiras: o que mudou?
A nova plataforma MMA fez crescer o CLA em 61 mm na distância entre eixos, mas esse ganho não se traduz de forma direta em mais espaço para os passageiros de trás: o espaço para as pernas na segunda fila não aumentou (ficou 7 mm mais curto). Em contrapartida, existe mais folga para a cabeça e desaparece o túnel de transmissão.
Na vertente prática, as versões elétricas anunciam:
- 405 litros na bagageira traseira (menos 35 litros do que no antecessor)
- 101 litros na bagageira dianteira, sob o capô
No total, é mais capacidade do que a que existia num CLA a gasolina da geração anterior. Ainda assim, quando se compara com alguns rivais - BMW i4 (440 litros), BYD Seal (453 litros) e Tesla Model 3 (513 litros) - percebe-se que o CLA não é, por si só, o novo líder em volume de carga.
Para quem procura uma alternativa mais familiar, o CLA também será proposto numa carroçaria break de linhas coupé, com 455 litros na bagageira traseira (ou 556 litros, somando a bagageira dianteira).
Elétrico primeiro, híbrido depois
Embora a MMA tenha sido desenhada a pensar, sobretudo, em modelos 100% elétricos, mantém abertura para motores de combustão. Assim, o CLA chega inicialmente como elétrico e, mais tarde, receberá variantes híbridas ligeiras de 48 V.
A versão híbrida ligeira, prevista para chegar ao mercado em março de 2026, vai estrear um novo motor a gasolina de 1,5 litros, fornecido pela Horse - a empresa conjunta criada pela Renault e pela Geely para o desenvolvimento de motores de combustão. A Mercedes-Benz promete consumos ao nível de um Diesel, existindo também um conteúdo em vídeo dedicado a esse motor.
Para já, no entanto, as atenções estão totalmente viradas para os elétricos. Este é, de facto, o primeiro Mercedes-Benz a adotar uma arquitetura de 800 V, o que permite carregamentos até 320 kW em corrente contínua (DC). Em apenas 10 minutos, é possível recuperar cerca de 300 km de autonomia.
No lançamento, existirão duas motorizações, com tração traseira e tração integral - ou seja, versões com um e dois motores:
- CLA 250+ - 1 motor traseiro; 200 kW (272 cv); bateria de 85,5 kWh; autonomia entre 694 km e 792 km
- CLA 350 4MATIC - 2 motores (dianteiro e traseiro); 260 kW (354 cv); bateria de 85,5 kWh; autonomia entre 670 km e 770 km
Neste primeiro contacto, em Copenhaga - infelizmente mais curto do que o volume de novidades justificaria - conduzimos a versão de dois motores, que anuncia até 770 km de autonomia máxima.
Esse valor é um dos trunfos mais fortes do modelo, até porque a marca aponta para consumos combinados de apenas 12,6 kWh/100 km, um número que normalmente se associa a elétricos mais pequenos, do segmento B.
Um dos segredos para esta eficiência passa por uma solução invulgar num elétrico: uma caixa de duas velocidades. E, ao contrário do que acontece nalguns raros exemplos em que esta opção serve sobretudo a performance (como no Porsche Taycan, pensado para não “sofrer” nas autoestradas alemãs), aqui o foco está claramente na redução de consumos.
O CLA surpreende também por ser um elétrico agradável e competente ao volante. Para uma análise detalhada da experiência de condução, existe um vídeo em destaque associado a este artigo.
Por fim, há um aspeto prático que ganha relevância num elétrico com grande autonomia: a facilidade de planeamento de viagens. Entre a autonomia anunciada e a capacidade de carregamento em DC, a proposta aponta para tempos de paragem mais curtos e deslocações longas com menos compromissos - um argumento determinante para quem faz muitos quilómetros em autoestrada.
Preços em Portugal: quanto custa?
O novo Mercedes-Benz CLA já pode ser encomendado em Portugal, com preços a partir de:
- 55 500 € para o CLA 250+
- 60 050 € para o CLA 350 4MATIC
Estes valores alinham-se com o posicionamento do BMW i4, ficam um pouco acima do BYD Seal e distanciam-se de forma mais evidente do Tesla Model 3. É, no entanto, o custo associado a uma proposta verdadeiramente de gama alta, que entra diretamente na lista dos modelos mais interessantes do segmento.
Veredito
O novo Mercedes-Benz CLA representa uma mudança de ritmo clara na estratégia elétrica da marca: combina a plataforma MMA, a arquitetura de 800 V, carregamento até 320 kW e autonomias que podem chegar aos 770 km, sem abdicar de uma abordagem tecnológica ambiciosa com o MB.OS e o MBUX Virtual Assistant. Não é o mais espaçoso face a alguns concorrentes diretos, mas compensa com eficiência, sofisticação e uma execução global que o coloca, desde já, entre as referências da categoria.
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