O Xiaomi SU7 Ultra ainda nem sequer começou a ser comercializado na Europa e já está a mexer com o sector, incluindo entre fabricantes de desportivos e superdesportivos. A atenção não se limita aos curiosos: há marcas históricas a analisarem a berlina chinesa com seriedade.
Há, inclusive, registos fotográficos que apontam para a Ferrari a “estudar” o Xiaomi SU7 Ultra, com uma unidade a ser vista a sair das instalações de Maranello.
Segundo o CarNewsChina, o exemplar avistado terá sido adquirido oficialmente pela Ferrari. Além disso, circulam rumores de que representantes da marca italiana terão visitado, no ano passado, a sede da Xiaomi.
Ainda que não exista qualquer sinal concreto de uma eventual colaboração entre as duas empresas, a compra do SU7 Ultra sugere um interesse claro da Ferrari nas soluções técnicas desenvolvidas pela Xiaomi.
Xiaomi SU7 Ultra: o que pode interessar à Ferrari
O foco desse interesse poderá estar, em particular, nos motores elétricos de elevado desempenho da marca chinesa. Recorde-se que dois dos três motores do Xiaomi SU7 Ultra - curiosamente baptizados de V8s - atingem 27 200 rpm, um valor entre os mais elevados do mercado.
Esta curiosidade técnica ganha ainda mais peso porque a Ferrari está prestes a apresentar o seu primeiro elétrico, com revelação marcada para 9 de outubro. Para já, sabe-se apenas que será movido exclusivamente a eletricidade; quanto ao resto, as especificações permanecem por confirmar - potência, capacidade da bateria, número de motores, entre outros detalhes.
Nürburgring: a “provocação” que abalou a Porsche
A Ferrari não é a única a olhar para o SU7 Ultra com atenção. Também a Porsche sentiu o impacto da chegada da super berlina chinesa, depois de o Taycan Turbo GT ter perdido o estatuto de elétrico de produção mais rápido no Nürburgring para o Xiaomi SU7 Ultra.
Num segmento onde a credibilidade é frequentemente construída à volta de tempos em pista e consistência térmica, estes resultados têm um efeito imediato: obrigam os concorrentes a validar soluções, comparar arquiteturas e perceber onde estão as margens de melhoria - da entrega de potência ao controlo de temperatura, da gestão de energia à afinação do chassis.
Numa indústria que acelera rapidamente rumo à eletrificação, este tipo de “benchmarking” tornou-se quase obrigatório. Mais do que copiar, trata-se de compreender decisões de engenharia, cadeia de fornecimento e integração de software, sobretudo quando um novo interveniente demonstra desempenho competitivo em contextos exigentes.
Ferrari não é a única
Não é a primeira vez que se veem construtores a testar e a “estudar” modelos rivais - basta lembrar o caso da Lamborghini, que foi apanhada a experimentar um Hyundai IONIQ 5 N.
E a atenção ao Xiaomi não se fica pela versão mais extrema. A variante Xiaomi SU7 Max também terá despertado interesse: foi vista na Coreia do Sul com matrícula temporária, um tipo de registo habitualmente associado a fins de investigação e desenvolvimento. Quem a está a analisar é a Hyundai, que confirmou estar a utilizar várias unidades do modelo em testes internos.
Em declarações ao jornal chinês, a construtora sul-coreana enquadrou este trabalho no aumento do interesse global pelas marcas chinesas. Euisun Chung, presidente executivo do Hyundai Motor Group, terá sublinhado a importância de “estarmos preparados para os desafios que estas marcas colocam no mercados dos automóveis elétricos”.
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