A cooperação em matéria de defesa entre o Equador e os Estados Unidos voltou a ganhar destaque com a entrega formal de uma lancha de patrulha da classe Island à Marinha do Equador, num gesto que sublinha a vontade comum de reforçar a segurança marítima e o controlo das rotas do Pacífico. A cerimónia realizou-se no estado de Maryland, com a participação de oficiais de ambos os países, e incluiu a tradicional troca de bandeiras que colocou oficialmente ao serviço o novo US Coast Guard Cutter Isla Santa Rosa. A transferência é apresentada como mais um passo na parceria estratégica entre Quito e Washington perante a pressão do crime organizado transnacional na região.
Cerimónia e enquadramento do acordo de cooperação
A entrega decorreu no âmbito dos entendimentos alcançados na reunião de 29 de novembro de 2024 entre o Comandante da Marinha do Equador, Almirante Miguel Córdova, e a Comandante da Guarda Costeira dos Estados Unidos (USCG), Almirante Linda Fagan. Nesse encontro, as duas autoridades alinharam os detalhes para a transferência de duas embarcações da classe Island, inseridas num programa de assistência técnica e operacional promovido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
O ato de transferência foi formalizado por delegações de ambos os países ao abrigo do memorando de entendimento assinado em 2023, que prevê o fortalecimento das capacidades navais do Equador.
Lanchas de patrulha da classe Island para a Marinha do Equador: unidades e missão
As embarcações doadas correspondem às antigas USCGC Anacapa (WPB-1335) e USCGC Orcas (WPB-1327), recentemente retiradas do serviço ativo da USCG. Com 33,5 metros de comprimento, ambas serão transferidas para o Equador sem custos de aquisição, ficando a cargo da parte recetora as despesas de reequipamento e transporte.
A entrada destas unidades ao serviço deverá reforçar: - Operações de patrulhamento e controlo marítimo; - Missões de busca e salvamento (SAR); - A luta contra a pesca ilegal dentro da zona económica exclusiva do Equador.
Características técnicas, construção e armamento
Construídas pela Bollinger Shipyards em Lockport, Louisiana, as lanchas de patrulha da classe Island foram concebidas para a USCG como substitutas dos navios das classes Point e Cape. Ao longo da sua vida operacional, destacaram-se pela fiabilidade e desempenho em missões de segurança marítima, interdição de tráfico de droga e ações de apoio humanitário.
Estas unidades podem estar equipadas com dois motores дизel Paxman Valenta 16RP200M ou Caterpillar 3516 DITA, atingindo velocidades até 30 nós e uma autonomia de 3 380 milhas náuticas a 8 nós, com capacidade para uma guarnição até 16 elementos. O armamento inclui um canhão Mk-38 de 25 mm e duas metralhadoras calibre .50.
Cooperação de defesa mais ampla e pacote de assistência
Nos últimos anos, a cooperação de defesa Equador–Estados Unidos tornou-se particularmente relevante. Em março de 2024, a Força Aérea Equatoriana integrou um avião de transporte Hercules C-130H - número de cauda FAE 898 - doado por Washington, aumentando a sua capacidade de transporte aéreo estratégico.
Estas iniciativas inserem-se num pacote de assistência avaliado em 93,4 milhões de dólares, orientado para reforçar as capacidades de segurança e defesa do Equador, com especial foco no combate ao tráfico de droga e a organizações criminosas transnacionais.
Integração operacional e impacto na vigilância marítima
Para além da incorporação física das embarcações, a eficácia destas plataformas depende da integração em rotinas de manutenção, formação de guarnições e padronização de procedimentos, sobretudo em áreas como comunicações, abordagem e inspeção, e coordenação SAR. Em termos práticos, a entrada de navios da classe Island tende a melhorar a disponibilidade de meios para resposta rápida, em especial em cenários de patrulhamento prolongado e interceção em mar aberto.
Num contexto de rotas marítimas pressionadas por redes criminosas e por atividades ilegais associadas à exploração de recursos, o reforço de presença naval na zona económica exclusiva permite também aumentar a dissuasão e a recolha de informação operacional. Esse efeito é particularmente relevante quando combinado com mecanismos de partilha de dados e coordenação regional, ampliando a capacidade de detetar padrões de tráfego suspeito e de planear operações com maior antecedência.
Créditos da imagem: Embaixada dos Estados Unidos no Equador.
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