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Índia e França acertam compra de 114 novos caças Rafale para 2026.

Dois técnicos com uniformes, bandeiras da Índia e França ao fundo, e avião de combate num aeroporto ao pôr do sol.

A Índia enfrenta pressão para acelerar a compra de novas aeronaves e, assim, constituir mais esquadrões de caça. Actualmente, o país dispõe de apenas 29 esquadrões, quando o seu planeamento estratégico aponta para a necessidade de 42, uma lacuna que se agravou com a recente retirada de serviço dos obsoletos MiG-21. Neste enquadramento, a entrada de mais caças Rafale permitiria reforçar a frota já existente de Su-30MKI, ao mesmo tempo que Nova Deli aguarda a entrega de mais 180 aeronaves LCA Tejas Mk.1A encomendadas a fabricantes locais. Em paralelo, a Índia avança também com o desenvolvimento do AMCA, um aparelho de quinta geração igualmente de concepção indígena.

Índia e França afinam acordo para 114 novos caças Rafale

Com o objectivo de concluir a aquisição de 114 novos caças Rafale para reforçar as suas frotas, a Índia está a ultimar com a França os detalhes para fechar, ainda este ano, um acordo definitivo. Segundo responsáveis em Nova Deli citados pela imprensa local, o entendimento implicaria um investimento superior a 325 mil milhões de rupias e incluiria cláusulas que permitem ao complexo militar-industrial indiano participar com até 30% dos componentes integrados em cada aeronave.

Ainda de acordo com essas informações, o pacote poderá contemplar entre 12 e 18 aeronaves entregues já prontas a operar, medida que ajudaria a acelerar a incorporação dos novos aparelhos na Força Aérea.

Integração de armamento e sensores nacionais e a política “Made in India”

Fontes indianas acrescentam que o Ministério da Defesa poderá procurar pressionar no sentido de integrar armamento e sensores desenvolvidos localmente no arsenal do Rafale. Para isso, seria necessária autorização da França enquanto fornecedor, uma vez que é a única parte que detém os códigos-fonte indispensáveis para esse tipo de integração.

Se este ponto vier a ser alcançado, a Índia aproximar-se-á mais do cumprimento da política “Made in India”, que tradicionalmente procura impulsionar programas com 50% a 60% de componentes locais - patamar acima dos 30% obtidos até ao momento.

A integração de sistemas nacionais, contudo, tende a exigir processos adicionais de validação, certificação e compatibilidade com as arquitecturas existentes, o que pode implicar negociações técnicas prolongadas e uma coordenação estreita entre as entidades indianas, a Dassault e os restantes fornecedores envolvidos.

Dassault, motores M-88 e centro de manutenção em Hyderabad

Em simultâneo, importa sublinhar que a fabricante francesa Dassault já anunciou planos para estabelecer em território indiano - concretamente em Hyderabad - um centro de manutenção dedicado aos motores M-88 que equipam o Rafale. Este é um dos factores que reforçam a candidatura do caça no processo de selecção.

Neste âmbito, a empresa já constituiu uma estrutura para executar estes trabalhos, e tem sido noticiado que outros actores industriais locais poderão também participar no projecto, com destaque para a Tata.

Para além da componente operacional, um centro de manutenção de motores M-88 em Hyderabad poderá contribuir para reduzir prazos de indisponibilidade, reforçar a autonomia logística e consolidar competências industriais locais ligadas ao ciclo de vida do Rafale, incluindo manutenção, reparação e modernização.

Uma frota Rafale em expansão: Força Aérea e Marinha

A candidatura do Rafale beneficia igualmente do facto de a Índia já operar este tipo de caça nas suas frotas de combate. A Força Aérea conta com 36 aeronaves em serviço, e a Marinha já encomendou mais 26 unidades para equipar os porta-aviões INS Vikrant e INS Vikramaditya.

Caso a aquisição adicional das 114 unidades avance, o país poderá terminar o processo com uma frota total de 176 Rafale, o que o colocaria entre os principais operadores mundiais desta plataforma. A decisão final caberá ao Comité do Gabinete para a Segurança.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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