O novo Xiaomi YU7 está a tornar-se um verdadeiro fenómeno. Depois da apresentação do SUV elétrico, o entusiasmo foi tão grande que, em apenas 18 horas, o modelo acumulou perto de 240 mil encomendas na China (o único mercado onde, por enquanto, é vendido). Para se ter uma ideia da dimensão deste número, a Tesla demorou cerca de seis meses a vender pouco mais do que isso no mercado chinês.
A procura disparou a um ponto que a Xiaomi não está a conseguir acompanhar o ritmo de produção - e essa limitação já está a condicionar as próprias vendas. De acordo com a aplicação da Xiaomi, o prazo de entrega do Xiaomi YU7 após a encomenda já pode atingir as 60 semanas, ou seja, mais de um ano. Um tempo de espera que começa a soar mais a compra de um supercarro do que a de um automóvel de grande volume.
Xiaomi YU7: se não quiser esperar, olhe para a concorrência
Um prazo de entrega tão prolongado pode travar parte do sucesso que se antecipava para o Xiaomi YU7. Há compradores que aceitam a espera, mas cresce também o número de clientes frustrados: o SUV elétrico chinês já aparece entre os 20 modelos com mais reclamações em algumas plataformas locais.
Se ter mais procura do que oferta é, em teoria, aquilo a que a indústria chama “um bom problema”, aqui a situação está a ganhar contornos pouco desejáveis - ao ponto de Lei Jun, o diretor-executivo da Xiaomi, ter aconselhado potenciais clientes a considerarem alternativas… na concorrência:
“Se precisa de comprar um carro rapidamente, outros veículos (…) produzidos na China são muito bons.”
Lei Jun, diretor-executivo da Xiaomi
O responsável não ficou por uma recomendação genérica e apontou modelos concretos como o XPeng G7, o Li Auto i8 - ainda envolto em controvérsia - e também o americano e principal “inimigo”, o Tesla Model Y.
Este tipo de mensagem pública é incomum no sector automóvel, mas revela a pressão que a marca está a sentir. Quando os prazos se estendem por muitos meses, não é apenas a satisfação do cliente que fica em risco: aumenta também a probabilidade de cancelamentos e de migração para modelos disponíveis a curto prazo, sobretudo num segmento tão competitivo como o dos SUV elétricos.
Ao mesmo tempo, a forma como a marca comunica as previsões de entrega e gere as expectativas pode ser decisiva. Numa fase de procura intensa, actualizar prazos com transparência, reforçar canais de apoio ao cliente e clarificar alterações de configuração que afectem datas de entrega são medidas que tendem a reduzir a fricção e a conter a escalada de reclamações.
Um SUV elétrico muito aguardado, com argumentos contra o Tesla Model Y
O Xiaomi YU7 era um dos lançamentos mais esperados do ano na China, impulsionado pelo sucesso já alcançado pelo SU7, a berlina da marca.
Do SU7, o YU7 aproveita a identidade visual e a linguagem de design, mas, ao adoptar o formato SUV, promete mais espaço e posiciona-se com trunfos claros frente ao seu rival directo, o Tesla Model Y. Entre os principais argumentos estão um preço mais baixo (a partir de pouco mais de 30 mil euros) e uma autonomia superior. Para quem quer conhecer o YU7 com mais detalhe, estes pontos ajudam a perceber porque é que o interesse explodiu tão rapidamente.
Vem para a Europa?
Para já, a China continua a ser o único mercado onde o Xiaomi YU7 é comercializado, embora a expansão para outros países não esteja fora de hipótese. Ainda assim, antes de pensar seriamente em novos mercados, o construtor terá primeiro de conseguir dar resposta à procura actual e reduzir os prazos de entrega.
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