A Marinha Nacional Francesa poderá concluir a integração da sua nova frota de submarinos de ataque nuclear da classe Barracuda antes do calendário inicialmente apontado, segundo informação recentemente divulgada pela Naval Group sobre a evolução do programa. A entrega das seis unidades, que estava prevista para 2030, poderá acontecer cerca de um ano mais cedo.
Programa Barracuda: da classe Rubis à classe Suffren
O programa Barracuda ganhou forma com a entrega do Suffren, em novembro de 2020, primeiro submarino da série - razão pela qual estes navios são frequentemente designados como classe Suffren. O objectivo é substituir gradualmente os submarinos da classe Rubis, em operação desde a década de 1980, assegurando a continuidade da capacidade submarina nuclear francesa com plataformas mais modernas.
Até agora, a Marinha Francesa tem mantido um ritmo consistente na recepção e entrada em serviço destas unidades.
Estado actual da frota: três submarinos já em serviço activo
Neste momento, metade da frota planeada já se encontra em serviço operacional. A sequência de integrações confirmadas é a seguinte:
| Submarino (classe Suffren/Barracuda) | Marco | Data |
|---|---|---|
| Suffren | Entrada ao serviço | Junho de 2022 |
| Duguay-Trouin | Entrada ao serviço | Abril de 2024 |
| Tourville | Entrada ao serviço | Julho de 2025 |
Com estas incorporações, a Marinha Francesa atingiu três das seis unidades previstas no âmbito do programa.
De Grasse (S638): a “divergência” do reactor e o próximo passo do calendário
Em dezembro de 2025, a Naval Group comunicou um avanço relevante no quarto submarino da classe, o De Grasse (S638): a entrada em operação do seu reactor nuclear. Este momento, conhecido como “divergência”, corresponde ao arranque inicial do reactor, que permanece activo e sujeito a vigilância contínua ao longo de toda a vida útil da embarcação.
A empresa indicou que o procedimento decorreu sob supervisão da Comissão de Energia Atómica Francesa (CEA) e com apoio da TechnicAtome, entidade responsável pela concepção e construção do reactor.
Segundo o cronograma actualizado, a entrega do De Grasse está prevista para 2026.
Entregas seguintes: Rubis e Casabianca, com possibilidade de fecho antes de 2030
Após o De Grasse, o planeamento aponta para a entrega do Rubis em 2028, seguindo-se o Casabianca, cuja entrada em serviço assinalará o encerramento do programa. Ainda assim, a Marinha Francesa indicou que os seis submarinos da classe Suffren poderão estar operacionais antes de 2030, abrindo a porta a uma conclusão antecipada face ao objectivo inicial.
Declarações do Governo e peso do programa na modernização naval
Durante a cerimónia de entrada em serviço do submarino nuclear Tourville, em Toulon, em julho de 2025, o Ministro das Forças Armadas de França, Sébastien Lecornu, sublinhou o valor do programa na modernização da marinha. Nessa ocasião, destacou o salto tecnológico e operacional, referindo que, se tivesse de apontar um único aspecto distintivo, seria a capacidade do submarino se manter operacional durante o dobro do tempo.
Capacidades dos submarinos Barracuda (classe Suffren)
Os submarinos da classe Barracuda recorrem a propulsão nuclear e foram concebidos para executar um leque amplo de missões. Entre as tarefas previstas incluem-se:
- Lançamento de mísseis de cruzeiro
- Missões de informações e inteligência
- Projecção e deslocação de forças de comandos
Numa comunicação institucional, a própria Marinha Francesa sintetizou estas valências, enumerando propulsão nuclear, mísseis de cruzeiro e capacidade de transporte de comandos, enquadradas no objectivo de disponibilizar seis submarinos nucleares da classe Suffren até 2030.
O que muda com uma entrega antecipada
Caso o último submarino seja efectivamente entregue mais cedo, a Marinha Nacional Francesa reforçará a modernização de uma das suas capacidades estratégicas centrais, garantindo maior previsibilidade e continuidade nas operações com submarinos nucleares a longo prazo.
Além do impacto operacional imediato, uma calendarização mais favorável tende a facilitar a transição entre gerações - desde a adaptação das equipas e procedimentos até à estabilização de rotinas de sustentação, treino e prontidão associadas a uma frota que passa a ter maior homogeneidade tecnológica.
Também do ponto de vista industrial e logístico, o avanço do programa pode contribuir para uma gestão mais eficiente de recursos e planeamento de manutenção, ao permitir que a entrada faseada das unidades seja articulada com a maturação progressiva dos processos de suporte ao longo do ciclo de vida.
Imagens cedidas pela Marinha Nacional Francesa.
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