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Exército de Portugal acelera a integração do obuseiro autopropulsado CAESAR no âmbito da Força Terrestre 2045

Dois militares com fardas camufladas junto a munições, com veículo blindado e paisagem campestre ao fundo.

No quadro do processo de entrada ao serviço do obuseiro autopropulsado CAESAR, militares do Regimento de Artilharia n.º 5 do Exército de Portugal participaram recentemente em acções de instrução com o sistema na Roménia. Esta etapa insere-se nos trabalhos preparatórios para a integração do CAESAR no programa Força Terrestre 2045, orientado para reforçar e modernizar as capacidades de combate, mobilidade e sustentação do componente terrestre nacional.

Instrução na Roménia durante o exercício DACIAN FALL 25

O treino decorreu no exercício multinacional DACIAN FALL 25, realizado em território romeno, no qual os artilheiros portugueses se integraram no 68.º Regimento de Artilharia da África do Exército Francês. Ao longo das actividades, as equipas nacionais contactaram com rotinas de operação, apoio logístico e sustentação associadas ao CAESAR, acumulando experiência prática sobre o seu desdobramento e emprego em cenários de combate actuais.

Para além da vertente estritamente operacional, este tipo de contacto no terreno permite validar procedimentos de coordenação, comunicações e segurança - factores determinantes quando se pretende colocar em prontidão um sistema de fogos de longo alcance com elevada cadência e grande exigência de manutenção preventiva.

CAESAR NG: salto em mobilidade, alcance, precisão e interoperabilidade OTAN

A participação no exercício constitui um marco relevante no caminho para a futura adopção do CAESAR NG pelo Exército de Portugal. O sistema deverá traduzir-se num ganho expressivo em mobilidade táctica, alcance e precisão, juntando-lhes uma capacidade de reacção mais rápida e melhores condições de sobrevivência no campo de batalha. Com a sua incorporação, a Artilharia poderá ampliar a capacidade de ataque e, em simultâneo, aprofundar a interoperabilidade com a OTAN, alinhando-se com práticas e padrões operacionais comuns aos aliados.

Em paralelo, a entrada de um novo obuseiro autopropulsado implica também ajustamentos doutrinários e de formação: desde a preparação das guarnições e chefias de peça, até à consolidação de rotinas de abastecimento de munições, gestão de sobressalentes e manutenção em operações prolongadas.

Aquisição dos CAESAR NG pela KNDS e calendário de entregas (LPM)

O programa de aquisição dos CAESAR NG foi anunciado publicamente em outubro de 2024 pelo ministro da Defesa, Nuno Melo, confirmando a compra de 36 unidades ao consórcio franco-alemão KNDS. A previsão aponta para entregas ao Exército Português entre 2029 e 2034, com um financiamento estimado em 60 milhões de euros até 2026, enquadrado na Lei de Programação Militar (LPM). O acordo foi formalizado no Dia do Exército Português, com a presença das Direções-Gerais de Armamento de Portugal e de França.

Unificação de sistemas e especificações: 155/52 mm, Armis 6×6 e Arquus

De acordo com o chefe do Estado-Maior do Exército, general Eduardo Mendes Ferrão, a opção pretende concentrar a artilharia num único sistema, reduzindo complexidade logística e aliviando a carga operacional. O CAESAR NG de 155/52 mm integra um sistema de carregamento automatizado com capacidade para efectuar até seis disparos por minuto, alcançando entre 34 e 55 km, consoante o tipo de munição.

Na configuração portuguesa, está prevista a integração sobre camiões Armis 6×6, da empresa francesa Arquus, proporcionando ao Exército Português um sistema de artilharia moderno, rápido a reposicionar, preciso e ajustado às exigências dos teatros de operações contemporâneos.

Créditos das imagens: Exército de Portugal.

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