Quatro segundos. É, em média, o tempo que um motor V8 de 8,2 litros de um carro da categoria Carro Engraçado da NHRA consegue suportar em plena corrida de aceleração. Quando a passagem termina, o espetáculo na pista acaba - mas, na área de assistência, começa outro.
Em menos de quatro segundos, o carro cumpre 305 metros (1 000 pés), ultrapassa os 530 km/h (com picos de aceleração próximos das 4 g) e esgota, de forma intencional, o ciclo de vida do motor. Isto não é um azar nem uma avaria: trata-se de um conjunto concebido para entregar tudo num único esforço, sem margem para longevidade.
Nitrometano e potência: 12 mil cavalos “famintos”
Este V8 sobrealimentado funciona com uma mistura que ronda os 90% de nitrometano e, numa única corrida, consome dezenas de litros de combustível. O resultado são cerca de 12 mil cavalos de potência - tão impressionantes quanto vorazes.
O motivo para se usar nitrometano é simples: permite transportar mais oxigénio na própria molécula do combustível, tornando possível queimar muito mais “energia” por ciclo do que com gasolina. Em contrapartida, tudo no motor passa a trabalhar no limite absoluto, desde a combustão até à transmissão dessa força ao solo.
Temperaturas e pressões extremas: nada sai ileso
Com pressões e temperaturas fora do comum, praticamente nenhum componente atravessa uma passagem sem sofrer. Assim que a corrida acaba, o carro regressa à zona de assistência para ser, na prática, reconstruído.
O que é refeito entre passagens (quase) ao cronómetro
Após cada arranque, o processo típico inclui:
- Remover o motor do carro
- Retirar as cabeças do motor
- Verificar as válvulas
- Inspeccionar as bielas
- Substituir os rolamentos
- Reconstruir a embraiagem
Tudo isto é feito a correr contra o tempo.
As equipas dispõem, regra geral, de 60 a 90 minutos para voltar a montar o conjunto, aquecer o motor e regressar à linha de partida. Esse aquecimento serve como confirmação final de que está tudo em condições para, novamente, acelerar a fundo.
O “pit stop” mais extremo: comparação curiosa com a Fórmula 1
A comparação não é tecnicamente justa, mas é difícil resistir à curiosidade. Na Fórmula 1, trocar quatro pneus demora pouco mais de dois segundos. Nas corridas de aceleração da NHRA, dois segundos correspondem, muitas vezes, a metade de uma corrida.
Além da rapidez, há também a coordenação: cada membro da equipa tem tarefas milimetricamente atribuídas, porque um pequeno erro na montagem, na afinação ou na verificação pode significar perder desempenho - ou comprometer a fiabilidade num esforço que já é, por definição, no limite.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário