Promessa feita, promessa cumprida. No último trimestre do ano passado, a Tesla revelou o Plano Mestre Parte IV e deixou evidente que a sua estratégia futura não se limita aos automóveis elétricos. Agora, essa viragem começa a ganhar forma no terreno.
Na apresentação de resultados de 2025, a empresa confirmou que o fim da produção dos Model S e Model X acontecerá já no próximo trimestre. A decisão tem um peso simbólico: fecha-se um capítulo com dois dos modelos mais marcantes da história recente da marca norte-americana.
Entre os automóveis ainda em fabrico no catálogo, Model S e Model X são os mais antigos. O Model S chegou à Europa em 2013 e foi o primeiro elétrico da Tesla produzido em grande escala - do Roadster terão sido feitas apenas cerca de 2450 unidades. O seu impacto na aceitação dos elétricos e na própria evolução do automóvel, com forte ênfase no software, é difícil de contestar. Já o Model X, um SUV lançado em 2016, tornou-se reconhecido pelas portas traseiras com abertura em “asas de falcão”.
Com a entrada em cena dos Model 3 e Model Y, posicionados num segmento abaixo, a procura pela dupla original perdeu força. Mesmo após uma atualização profunda em 2021 e revisões mais pequenas em 2023 e 2025, o seu contributo para as vendas totais passou a ser reduzido.
Os números de 2025 ilustram bem esta mudança: Model S e Model X (juntamente com a Cybertruck, já que a Tesla não discrimina as vendas por modelo) somaram menos de 51 mil unidades, enquanto Model 3 e Model Y ultrapassaram 1,6 milhões.
Numa publicação na rede social X, a Tesla deixou uma mensagem direta aos potenciais compradores e aos fãs da marca:
À medida que avançamos para um futuro autónomo, a produção dos Model S e Model X será reduzida e encerrada no próximo trimestre.
Se gostaria de ter um deles, este é um bom momento para fazer a sua encomenda.
A Tesla não seria o que é hoje sem o Model S e o Model X e os seus primeiros proprietários - obrigado pelo apoio ao longo da última década.
A linha de pensamento foi reforçada por Elon Musk, diretor-executivo da Tesla, ao sublinhar que a empresa está “verdadeiramente a caminhar para um futuro baseado na condução autónoma”, consolidando a mudança estratégica.
Tesla: dos Model S e Model X aos robôs humanoides Optimus
Com o encerramento do fabrico dos Tesla Model S e Model X, a fábrica de Fremont, na Califórnia, onde ambos são produzidos em exclusivo, passará por uma reconversão com um objetivo completamente diferente: a produção dos robôs humanoides Optimus. A versão Gen 3 deverá ser apresentada ainda durante este trimestre.
Concluída a transição, a Tesla acredita que a unidade poderá chegar a uma capacidade de até um milhão de robôs Optimus por ano. Segundo Musk, trata-se de uma mudança total: “é uma cadeia de fornecimento inteiramente nova” e “nada da antiga linha de produção é reaproveitado”.
Para os atuais proprietários de Model S e Model X, o fim da produção não significa, por si só, o desaparecimento imediato do ecossistema: a continuidade de assistência, peças e atualizações tende a manter-se por vários anos em marcas com esta dimensão. Ainda assim, é provável que a decisão influencie a perceção de exclusividade e, potencialmente, a evolução do valor no mercado de usados, sobretudo em versões mais raras e bem equipadas.
Em paralelo, a reorientação para o Optimus acrescenta complexidade operacional e tecnológica: produzir robótica humanoide em escala industrial implica novos fornecedores, novos processos de controlo de qualidade e um ritmo de aprendizagem diferente do automóvel. Ao mesmo tempo, a aposta reforça a narrativa da Tesla de convergir condução autónoma e automação física - com impactos que podem ir além do setor automóvel, incluindo aplicações em logística, indústria e serviços.
Já os Model 3 e Model Y, que continuam a ser os modelos mais vendidos, manter-se-ão em produção e seguem como a base central da oferta automóvel da Tesla.
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