O quebra-gelo ARA Almirante Irízar (Q-5) recebeu a bordo os helicópteros Sea King da Segunda Esquadrilha Aeronaval de Helicópteros do Comando de Aviação Naval, pouco depois de largar amarras do Apostadeiro Naval de Buenos Aires, dando início à segunda etapa da Campanha Antártica de Verão (CAV) 2025/26. A incorporação destas aeronaves reforça de forma decisiva as operações logísticas e científicas conduzidas pela Armada Argentina no continente antártico, aumentando a capacidade do país para sustentar uma presença contínua na região.
Campanha Antártica de Verão (CAV) 2025/26: o papel do ARA Almirante Irízar (Q-5)
Esta nova fase da CAV arrancou com a saída do Irízar de Buenos Aires a 21 de janeiro, sob o comando do Capitão-de-Mar-e-Guerra Sebastián Musa e com coordenação do Comando Conjunto Antártico. Antes da partida, o navio concluiu trabalhos de prontidão e reposição de abastecimentos, enquanto o efectivo embarcado - com militares dos três ramos das Forças Armadas, elementos do Instituto Antártico Argentino e de outros organismos - ultimava os preparativos para retomar a actividade no extremo sul.
No decurso desta etapa, o quebra-gelo executará missões logísticas na Península Antártica, com destaque para a substituição integral das guarnições nas Bases Conjuntas Orcadas, Petrel e Marambio, assegurando a continuidade do apoio às instalações e à investigação no terreno.
Helicópteros Sea King na Antártida: transporte, apoio e sustentabilidade operacional
No quadro das operações em ambiente antártico, os helicópteros Sea King assumem uma função central ao permitirem ligar o navio às bases e a pontos de operação sem acesso directo por meios de superfície. Entre as missões previstas contam-se:
- Transporte de pessoal científico e militar;
- Movimentação de víveres, combustíveis e materiais;
- Apoio ao recolhimento e repatriamento de resíduos, em conformidade com as normas ambientais do Tratado Antártico.
A sua participação é determinante para manter o abastecimento das posições mais isoladas, sobretudo as que se encontram em áreas de difícil aproximação para navios e embarcações de apoio.
Navegação para o mar de Weddell e apoio à Base Belgrano II
A fase actual inclui igualmente a singradura para o mar de Weddell, onde o Irízar prestará apoio aéreo à Base Belgrano II, a instalação argentina mais austral. Neste cenário, os Sea King tornam-se imprescindíveis para sustentar o fluxo de pessoal e carga, garantindo que os meios e os recursos chegam em segurança às zonas de operação, mesmo quando o gelo, a meteorologia e a distância impõem limitações severas.
A operação aérea nestas latitudes exige planeamento rigoroso, com janelas de oportunidade condicionadas por vento, visibilidade e estado do gelo. Por isso, a integração entre a equipa de voo e a condução do navio é essencial para manter a cadência logística sem comprometer a segurança.
Reabastecimento no mar pelo ARA Patagonia (B-1)
Durante a travessia em direcção à Antártida, o quebra-gelo foi reabastecido no mar pelo navio logístico ARA Patagonia (B-1), através de manobras de transferência de combustível em alto-mar. A operação, realizada em condições exigentes, permite prolongar a autonomia operacional do Irízar e manter a flexibilidade necessária para cumprir o plano de tarefas da CAV 2025/26.
A coordenação entre ambas as unidades consolida procedimentos logísticos de elevado nível, fundamentais para assegurar que o cronograma de apoio às bases e às actividades científicas se mantém mesmo perante atrasos meteorológicos ou alterações no estado do gelo.
Robustez, capacidade de carga e manutenção embarcada
Os Sea King utilizados pela Armada Argentina nas mais recentes CAV distinguem-se pela robustez e fiabilidade em cenários extremos. Cada aeronave pode transportar até 2 700 kg de carga e operar com segurança em condições de baixa visibilidade, ventos fortes e temperaturas negativas.
O ARA Almirante Irízar dispõe de um hangar com capacidade para dois helicópteros, bem como stocks de sobresselentes e oficinas de manutenção, permitindo garantir a continuidade operacional do Grupo Aeronaval Embarcado. A guarnição aérea integra pilotos, técnicos e especialistas em aviônica e hidráulica, assegurando que as aeronaves se mantêm disponíveis ao longo de toda a comissão.
Segurança operacional e apoio à missão científica
Para além do transporte de carga e pessoal, a presença de helicópteros embarcados acrescenta uma margem crítica de segurança às operações, ao permitir reacções mais rápidas perante necessidades imprevistas, como reposicionamento urgente de equipas, reconhecimento de áreas e apoio a incidentes em zonas remotas. Em campanhas longas e em ambientes instáveis, esta capacidade contribui para reduzir tempos de resposta e aumentar a resiliência do dispositivo.
Do ponto de vista científico, a mobilidade aérea facilita o acesso a locais de amostragem e a pontos de observação afastados, apoiando projectos em áreas como glaciologia, meteorologia e estudos ambientais. Ao encurtar distâncias e acelerar o movimento de equipamentos, os Sea King ajudam a maximizar o tempo útil de trabalho durante a curta janela operacional do Verão antártico.
Imagens utilizadas a título ilustrativo.
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