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Futuro Alpine A110 elétrico vai partilhar base com modelo muito diferente

Carro desportivo elétrico azul Alpine A110 EV estacionado em espaço interior minimalista.

O novo Alpine A110 100% elétrico está cada vez mais perto de se tornar realidade. À margem da mais recente edição do Salão Rétromobile de Paris, o diretor-executivo da Alpine, Philippe Krief, deixou mais uma pista - e um pormenor inesperado - sobre a próxima geração do icónico desportivo francês.

Alpine A110 elétrico: a base técnica chama-se Alpine Performance Platform (APP)

Já era conhecido que o futuro A110 elétrico vai assentar numa arquitetura inédita em alumínio, a Alpine Performance Platform (APP), criada de raiz para suportar a próxima vaga de desportivos elétricos da marca.

O detalhe curioso é que o primeiro automóvel a ser revelado publicamente com esta base não foi um Alpine, mas sim o Renault 5 Turbo 3E, apresentado no ano passado. A confirmação partiu do próprio Philippe Krief, em declarações à Autocar durante o salão, sublinhando a versatilidade da APP: mesmo sendo uma plataforma especializada, consegue acomodar proporções e silhuetas muito diferentes.

No caso do Renault 5 Turbo 3E, a APP é reforçada com componentes em fibra de carbono e a mecânica recorre a dois motores elétricos no eixo traseiro (um por roda). Cada unidade debita o equivalente a 204 kW (277 cv), o que perfaz uma potência total de 408 kW (555 cv). A energia vem de uma bateria de 70 kWh, instalada atrás dos ocupantes, solução que ajuda a manter uma posição de condução baixa, como se exige num verdadeiro desportivo.

O que já se sabe sobre o novo Alpine A110 100% elétrico?

Segundo Krief, o novo Alpine A110 100% elétrico será ligeiramente mais comprido do que o modelo atual. Ainda assim, deverá manter uma linguagem de desenho muito próxima da do A110 que conhecemos, embora com uma abordagem menos inspirada no passado e mais contemporânea - algo que se deverá notar, por exemplo, na reinterpretação dos grupos óticos.

A altura da carroçaria não deverá afastar-se muito da do A110 atual. Em contrapartida, a Alpine quer tornar a postura ao volante ainda mais focada na condução: fala-se numa configuração com os pés mais elevados e o tronco mais reclinado, evocando a ergonomia típica de monolugares de Fórmula 1.

Peso: o grande ponto de interrogação do A110 elétrico

Um dos temas mais sensíveis na transição para a eletrificação é o peso. O A110 atual é conhecido por ser extremamente leve, com pouco mais de 1100 kg, mas a presença de uma bateria torna inviável repetir esse número. Ainda assim, Krief aponta para um objetivo ambicioso: manter o conjunto num valor contido, em torno de 1500 kg, alinhado com o de potenciais concorrentes equivalentes com motor de combustão.

Rivais maiores, mais potência e um alvo chamado Porsche 911

Com crescimento em dimensões, massa e performance, o novo A110 poderá mirar adversários que antes pareciam fora do seu alcance - incluindo o Porsche 911. Esta evolução também sugere um posicionamento mais caro do que o do A110 atual, que se destacava como alternativa mais compacta e leve face a modelos como o Porsche 718 Cayman.

Os rumores indicam uma potência bem acima dos 345 cv do atual A110 R Ultime. Numa fase inicial, é esperado que o A110 siga a lógica do Renault 5 Turbo 3E, com dois motores elétricos no eixo traseiro. No entanto, a Alpine Performance Platform (APP) foi concebida com margem para ir mais longe: existe a possibilidade de adicionar motores no eixo dianteiro, abrindo caminho a uma variante com tração às quatro rodas.

Autonomia, Nürburgring e consistência em condução exigente

Krief aponta para uma autonomia a rondar os 500 km em estrada. Mais revelador ainda é o objetivo de permitir até três voltas rápidas no Nürburgring-Nordschleife, um indicador claro de que a marca está a trabalhar na resistência do sistema elétrico sob esforço prolongado, e não apenas em números teóricos de homologação.

Neste contexto, faz sentido esperar uma forte aposta em gestão térmica e em estratégias de proteção de performance para utilização em circuito. Num desportivo elétrico, a capacidade de repetir voltas rápidas com consistência (sem quebras significativas por temperatura) tende a ser tão determinante como a potência máxima anunciada.

Interior: estreia de um habitáculo totalmente Alpine, com mais controlos físicos

O habitáculo do A110 elétrico deverá marcar uma rutura com o passado recente. Este será, ao que tudo indica, o primeiro interior totalmente dedicado da Alpine, sem dependência direta de componentes da Renault. A filosofia passa por privilegiar controlos físicos e um minimalismo digital, procurando uma experiência de condução o mais “analógica” possível - apesar de estar num desportivo totalmente elétrico.

Além disso, a marca terá uma oportunidade única para afinar a interface condutor-máquina: desde a posição de condução até ao desenho do volante, dos modos de condução e da leitura de informação essencial, tudo poderá ser orientado para reduzir distrações e reforçar o foco na estrada.

Uma família A110: descapotável, 2+2 e mais variações suportadas pela APP

Outra informação avançada por Philippe Krief é que a próxima geração do A110 não deverá ficar confinada a uma única configuração. A Alpine está a preparar mais variantes, incluindo um descapotável, e a flexibilidade da APP permite imaginar outros derivados - por exemplo, um 2+2 com distância entre eixos alongada.

Lançamento por mercados: Europa primeiro, Ásia depois e EUA como objetivo

O plano de lançamento passa por estrear o novo A110 inicialmente na Europa, avançando depois para a Ásia. Quanto aos EUA, a chegada dependerá de condições mais favoráveis. Krief recorda que este mercado representa metade das 360 mil unidades anuais do segmento global de desportivos, o que ajuda a explicar a importância estratégica de uma eventual entrada do A110 elétrico do outro lado do Atlântico.

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