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Quando a tecnologia falha. Xiaomi obrigada a atualizar 117 mil SU7

Carro elétrico azul Xiaomi SU7 exposto em sala moderna com luzes de cidade iluminadas ao fundo.

Quando o Xiaomi SU7 chegou ao mercado, em março do ano passado, o fabricante chinês surpreendeu ao somar cerca de 90 mil reservas nas primeiras 24 horas. A boa receção abriu caminho para um novo lançamento: um ano depois, a Xiaomi apresentou o YU7. Neste caso, o novo SUV da marca acumulou um volume de pré-encomendas a rondar as 300 mil unidades em apenas uma hora.

Campanha de recolha do Xiaomi SU7 por falhas no sistema de assistência à condução

Apesar do entusiasmo inicial, a trajetória recente enfrenta agora um revés. De acordo com um comunicado da Administração Estatal para a Regulação do Mercado, 116 877 unidades do Xiaomi SU7, fabricadas entre 6 de fevereiro de 2024 e 30 de agosto de 2025, serão abrangidas por uma campanha de recolha na China, motivada por anomalias no sistema de assistência à condução.

A decisão surge seis meses depois de um acidente mortal que envolveu um veículo da marca. Segundo o regulador, o sistema de condução assistida em causa “não tem capacidade de reconhecimento suficiente e pode não detetar, nem avisar adequadamente, os condutores em determinados cenários”, quando avaliado pelos critérios do nível 2 (L2) de condução autónoma.

Condução autónoma L2 na China: o que significa e quais as limitações

Para enquadrar, o nível 2 de condução autónoma (L2), tal como definido pela Sociedade de Engenheiros Automóveis (SAE), implica que o condutor deve manter-se sempre atento e preparado para retomar o controlo do veículo a qualquer momento.

A condução autónoma é normalmente organizada em cinco níveis, do nível 1 (com intervenção dominante do condutor) ao nível 5 (autonomia total). No contexto chinês, a maioria das soluções de assistência à condução disponíveis no mercado está enquadrada no nível 2 ou nível 2+.

Importa ainda sublinhar que, em sistemas L2, a tecnologia pode apoiar tarefas como direção e aceleração/travagem em determinadas condições, mas não substitui a responsabilidade do condutor, sobretudo em cenários complexos como mudanças súbitas de via, obstáculos inesperados, sinalização temporária ou condições meteorológicas adversas.

Reações da Xiaomi e correções por atualizações remotas (OTA)

Perante a controvérsia, a Xiaomi afirmou estar a implementar medidas corretivas através de atualizações remotas de software (OTA), com o objetivo de eliminar as falhas identificadas no SU7 sem necessidade de recolher os veículos ou de realizar inspeções físicas generalizadas.

Após o anúncio da campanha de recolha, as ações da empresa registaram uma queda de 0,3%, segundo o Post Matinal do Sul da China.

As atualizações OTA permitem corrigir rapidamente comportamentos do sistema, ajustar parâmetros e reforçar avisos ao condutor, mas também colocam maior ênfase na necessidade de os utilizadores manterem o software atualizado e de compreenderem claramente as condições em que as funções de assistência podem ser utilizadas com segurança.

Entregas do SU7 e planos de expansão para a Europa

Desde a estreia no início do ano passado até julho deste ano, foram entregues 305 055 unidades do SU7, de acordo com dados do Centro de Tecnologia e Investigação Automóvel da China.

Até ao momento, os modelos automóveis da Xiaomi continuam exclusivos do mercado chinês. Ainda assim, a marca já comunicou a intenção de entrar na Europa a partir de 2027, sinalizando uma ambição internacional que poderá depender, em parte, da forma como responderá a exigências regulatórias e às expectativas de segurança em mercados com regras mais homogéneas e fiscalização apertada.

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