Nos últimos meses, falar de mobilidade elétrica tem sido quase como olhar para um mercado em duas velocidades. Enquanto alguns construtores travam a fundo - com cortes de produção ou adiamentos - outros continuam a ver as encomendas a subir acima do previsto.
A Volvo está, neste momento, claramente do lado de quem está a sentir essa pressão positiva. O novo EX60, um dos pilares da estratégia de eletrificação da marca sueca, está a gerar um volume de pedidos superior às estimativas internas.
Com os prazos de entrega para algumas versões a esticarem até aos 17 meses, o construtor terá de ajustar o ritmo para não deixar escapar oportunidades.
Procura obriga Volvo a rever produção
A Volvo está a analisar um aumento da produção do EX60 na fábrica de Torslanda, na Suécia, depois de a procura inicial ter ultrapassado de forma clara as expectativas.
Este cenário está a levar a marca a ponderar uma medida invulgar nos seus quase 100 anos de história: manter a fábrica a funcionar durante mais uma semana no período em que, normalmente, acontece a paragem de verão.
A confirmar-se, será a primeira vez na história da unidade industrial de Torslanda que a Volvo abdica dessa pausa anual para responder diretamente à procura do mercado.
O EX60 foi apresentado no início do ano e depressa se tornou um dos modelos mais desejados da nova geração de elétricos da Volvo. É um SUV médio, colocado acima do EX30, preparado para disputar um dos segmentos mais relevantes do mercado europeu.
Um sinal de força para os carros elétricos
A decisão aparece numa altura em que a indústria automóvel está a ajustar o passo na transição para a mobilidade elétrica. Alguns construtores têm abrandado os planos de produção devido a oscilações na procura em certos mercados. Um exemplo é a Tesla, que fabrica em Berlim o Model Y e cuja unidade está a operar quase a meio gás.
Mesmo assim, os dados indicam que a eletrificação continua a ganhar terreno na Europa. Os automóveis 100% elétricos representaram cerca de 19% das novas matrículas na União Europeia no início de 2026, segundo números da ACEA.
O caso do EX60 mostra que a procura por elétricos mantém-se forte em determinados segmentos, sobretudo quando falamos de modelos familiares de maiores dimensões, com boa autonomia e posicionamento premium.
Para a Volvo, o EX60 é mais do que “apenas mais um” modelo. É uma peça-chave numa estratégia que, embora tenha sido ajustada no calendário de execução, continua a apontar para o objetivo de a marca se tornar totalmente elétrica.
E, ao que tudo indica, a procura do mercado pode estar a empurrar esse caminho mais depressa do que a própria marca antecipava.
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