Negociações entre França e Iraque entram na fase decisiva
A França estará a avançar nas conversações para vender 14 caças Rafale F4 à Força Aérea Iraquiana, num movimento que pode abrir caminho a uma nova exportação do vetor francês para um cliente internacional. O objetivo passará por modernizar a frota atual, cuja espinha dorsal é hoje composta por F-16 de fabrico norte-americano. Segundo meios de comunicação locais franceses, as negociações decorrem há mais de três anos e encontram-se agora na fase final, sendo esperado que o acordo fique fechado em definitivo nos próximos meses.
Composição da encomenda e armamento previsto
Dos 14 aparelhos previstos, 10 seriam variantes Rafale C, de um lugar, e quatro seriam variantes Rafale B, de dois lugares. Foi igualmente referido que se trataria de aeronaves novas, produzidas pela Dassault, e não de caças em segunda mão provenientes da Força Aérea e Espacial francesa.
A entrega deverá incluir mísseis ar-ar MICA NG e Meteor, além dos sistemas AASM 250 e AASM 1000 para ataques contra alvos terrestres. Esta combinação reforçaria a capacidade do Iraque tanto para missões de superioridade aérea como para ataques de precisão.
A Força Aérea Iraquiana já avaliou o Rafale em ambiente operacional
Outro ponto sublinhado por analistas franceses é o facto de a Força Aérea Iraquiana já ter tido a oportunidade de voar ao lado de pilotos franceses que operam o Rafale. Essa experiência permitiu ao pessoal iraquiano observar de perto as capacidades do avião e comparar o seu desempenho com o dos seus próprios F-16.
Neste contexto, ganha particular destaque a Operação Chammal, durante a qual, segundo a imprensa francesa, a superioridade do candidato apoiado pela Dassault se tornou evidente. Essa avaliação prática terá pesado na perceção iraquiana sobre a maturidade operacional do caça francês.
Visitas de delegações iraquianas e observação da formação
Além disso, foi noticiado que delegações iraquianas já estiveram em França nos últimos meses para observar o caça de perto e até entrar na cabine. Entre esses visitantes esteve o general Muhannad Ghalib al-Asadi, atual comandante da Força Aérea Iraquiana.
Também foi referido que, em dezembro passado, dois oficiais superiores viajaram de Bagdade para França com a missão de acompanhar de perto os programas de formação frequentados pelos futuros pilotos de Rafale. Esse tipo de contacto direto costuma ser decisivo para avaliar não só o avião, mas também a estrutura de treino, manutenção e apoio associada à sua introdução.
A frota de F-16 e o apoio dos Estados Unidos
Enquanto o dossiê do Rafale continua em análise, a Força Aérea Iraquiana mantém os seus 34 caças F-16C/D Block 52 com um elevado nível de disponibilidade operacional, que o Departamento da Defesa dos Estados Unidos já estimou em cerca de 66%. Este desempenho tem sido amplamente atribuído ao apoio de Washington através do programa FMS, que ao longo dos anos garantiu assistência técnica e logística.
Um dos exemplos mais recentes desse apoio foi um contrato adjudicado em junho do ano passado à empresa V2X, no valor de 118 milhões de dólares. Esse tipo de apoio é considerado essencial para sustentar a prontidão de uma frota com grande exigência de manutenção e forte dependência de cadeias de fornecimento externas.
O peso do Rafale no mercado internacional
No caso do Rafale, os números comerciais da Dassault continuam a crescer. Já existem mais de 500 aeronaves em encomenda firme para a Força Aérea e Espacial francesa e para parceiros internacionais, incluindo países como a Índia, a Sérvia e a Indonésia. Em outubro de 2025, o fabricante anunciou ainda ter alcançado a marca de 300 caças produzidos, destacando também o trabalho desenvolvido nas linhas de produção para aumentar a cadência para cerca de quatro aeronaves por mês.
A versão F4 é particularmente apelativa para forças aéreas que procuram um caça multifunções com maior ligação em rede, sensores mais evoluídos e capacidade de adaptação a diferentes perfis de missão. Se o contrato com o Iraque avançar, a integração do Rafale deverá implicar também um esforço relevante em formação, apoio técnico e adaptação das infraestruturas de manutenção, fatores que normalmente influenciam o calendário de entrada em serviço.
Para Bagdade, a eventual chegada de caças franceses também significaria diversificar origens de equipamento militar e reduzir a dependência exclusiva de um único fornecedor. Num cenário regional exigente, essa margem adicional de escolha pode ser vista como uma vantagem estratégica, sobretudo quando se pretende equilibrar capacidade de combate, autonomia operacional e sustentabilidade a longo prazo.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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