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FAB e Mac Jee aceleram o PROPHIPER 14-X com novo acordo para propulsão hipersónica

Dois engenheiros analisam modelo de avião e motor numa oficina de aeronáutica com avião ao fundo.

No âmbito da sua estratégia para reforçar a capacidade nacional de desenvolvimento em tecnologias hipersónicas, a Força Aérea Brasileira (FAB) e a empresa Mac Jee estão a avançar em conjunto com o projeto PROPHIPER 14-X. Para esse efeito, a empresa brasileira e o Instituto de Estudos Avançados (IEAv), dependente do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), assinaram um acordo de cooperação que assinala um marco relevante no domínio da propulsão avançada. O entendimento, com duração prevista de 36 meses, envolve mais de 40 engenheiros e pretende dinamizar a investigação, o desenvolvimento e a inovação em sistemas de propulsão hipersónica.

O acordo, publicado no Diário Oficial do Brasil em 16 de dezembro do ano passado, prevê a realização de atividades conjuntas destinadas a assegurar a evolução do sistema R.A.T.O.-14X (Rocket Assisted Take-Off) e a sua integração com o veículo hipersónico 14-X. Com este impulso, a FAB procura consolidar a sua liderança tecnológica na América Latina, reforçando a cooperação entre o setor público e o setor privado na criação de soluções aeroespaciais estratégicas. A iniciativa enquadra-se na Política de Inovação do IEAv e permitirá incorporar novas técnicas de engenharia e de operação aplicáveis a futuros vetores espaciais.

De acordo com o texto do acordo, o IEAv prestará apoio técnico à Mac Jee através de simulações e análises aerotermodinâmicas de elevada complexidade, enquanto a empresa disponibilizará equipamentos, serviços e recursos materiais que irão alargar a infraestrutura científica do instituto. Sobre este tema, o presidente do Grupo Mac Jee, Simon Jeannot, afirmou: “A parceria com o IEAv acelera a maturação das capacidades nacionais em propulsão hipersónica e contribui para a preparação do sistema integrado e da campanha de ensaios do PROPHIPER 14-X”.

PROPHIPER 14-X, FAB e Mac Jee: continuidade de um programa estratégico

A cooperação entre ambas as entidades dá seguimento a um processo iniciado em 2021, quando a FAB, em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), impulsionou o desenvolvimento do RATO 14X. Este foguetão de aceleração foi concebido para colocar o veículo hipersónico 14-X em condições de teste, marcando o arranque de uma nova fase para a indústria aeroespacial brasileira. No total, o programa recebeu financiamento de cerca de 21 milhões de dólares e conta com a participação do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Apresentado oficialmente durante a LAAD Defence & Security 2025, o RATO 14X destacou-se como um dos desenvolvimentos mais relevantes dessa edição da feira. Com 14 metros de envergadura e um peso aproximado de 15 toneladas, o foguetão foi concebido para transportar cargas úteis até 600 quilogramas e atingir velocidades superiores a Mach 10, permitindo impulsionar um veículo hipersónico até uma altitude de 30 quilómetros. Segundo as previsões, o primeiro lançamento experimental deverá ocorrer em 2027 a partir do Centro Espacial de Alcântara, no estado do Maranhão.

O avanço deste programa representa também um passo importante na consolidação de competências industriais e científicas em território brasileiro. Para além do impacto direto na propulsão hipersónica, a iniciativa deverá favorecer a transferência de conhecimento entre instituições de investigação e empresas, ampliar a qualificação de fornecedores e criar bases mais robustas para futuros projetos de defesa e de exploração espacial.

Em termos tecnológicos, a integração entre o sistema de aceleração e o veículo hipersónico exige validação rigorosa de materiais, desempenho e estabilidade em condições extremas. Por isso, o trabalho conjunto entre a FAB, o IEAv e a Mac Jee é visto como essencial para reduzir riscos, encurtar ciclos de desenvolvimento e aumentar a autonomia do país em programas aeroespaciais de elevada complexidade.

Imagens utilizadas com carácter meramente ilustrativo.

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