Saltar para o conteúdo

Novo supercarro da Toyota: um monstro com motor V8 e 650 cv

Carro desportivo branco Toyota GR GT 650 estacionado em piso refletor dentro de edifício moderno.

A Toyota decidiu deixar os teasers para trás e mostrar, de uma vez, aquilo que andava a preparar: o novo supercarro GR GT, um modelo que surge como sucessor espiritual do lendário Lexus LFA.

A apresentação teve lugar na Woven City, junto ao circuito de Fuji, no Japão, e serviu para mostrar tanto a versão de estrada como a variante GT3, preparada para competição.

A somar a isto, e como o próprio nome indica, o GR GT marca a estreia da Gazoo Racing como marca autónoma. Podem procurar à vontade que não vão encontrar qualquer emblema Toyota neste supercarro.

Tal como aconteceu com propostas como o GR Supra, GR Yaris ou GR 86, este GR GT é também uma espécie de projeto pessoal de Akio Toyoda, presidente da Toyota, que quis criar um carro de competição homologado para circular na estrada.

E como veremos já de seguida, este Toyota GR GT é também uma afirmação de intenções. Numa altura em que quase todos os carros apostam em motores elétricos com mais de 1500 cv alimentados por baterias gigantes, a Toyota Gazoo Racing volta a colocar o foco no elemento mais importante de um desportivo: o tempo por volta.

Por isso mesmo, a versão de estrada do GR GT e a variante GT3 foram desenvolvidas em paralelo, o que deixa bem clara a ambição que a Toyota, ou neste caso a Gazoo Racing, tem para este superdesportivo.

V8 biturbo em estreia na Toyota

Apesar de ser um modelo totalmente novo, o GR GT segue uma receita bastante clássica: motor V8 em posição central dianteira, tração traseira, capô longo e apenas dois lugares. Tudo pensado para entrar no mesmo campeonato de tudo o que tenha GT3 no nome: Porsche, Ferrari, Mercedes, Aston Martin, etc.

Mas falemos do motor V8, que foi desenvolvido de raiz para este modelo. Trata-se de um bloco 4.0 litros biturbo - montado em configuração Hot V - com lubrificação por cárter seco. Chega de palavras, ouçam os primeiros acordes deste V8:

Esta é, de resto, a primeira vez que a Toyota monta um motor com estas características num carro de produção. Quanto aos números, ainda não são oficiais, mas a Gazoo Racing quer «tirar» pelo menos 650 cv de potência e 850 Nm de binário máximo a este conjunto motriz, que conta ainda com o apoio de um motor elétrico montado no eixo traseiro.

No que toca ao desempenho, a Toyota apenas anuncia uma velocidade máxima superior a 320 km/h. A aceleração dos 0 aos 100 km/h é… uma incógnita. Num carro destas características, o tempo mais importante é o tempo por volta.

Equilíbrio é peça-chave

Mas nem só de potência se faz a história deste motor V8, que está montado atrás do eixo dianteiro para otimizar a distribuição de massas do GR GT, que apresenta uma repartição de peso de 45:55, algo muito raro num modelo com motor central dianteiro.

Isto foi possível, em parte, graças à solução que a Gazoo Racing escolheu para a transmissão automática de oito velocidades, com embraiagem húmida (em vez do mais tradicional conversor de binário), colocada atrás do eixo traseiro.

O acoplamento ao motor V8 é feito através de um tubo de torção em fibra de carbono, sendo que a transmissão recorre ainda a um engenhoso sistema de engrenagens helicoidais para redirecionar o movimento para o diferencial.

A somar a tudo isto, o GR GT recorre a um esquema de suspensão independente com duplos triângulos sobrepostos e com braços em alumínio forjado, tão robustos que praticamente não sofreram alterações na versão GT3.

Para a travagem, a Gazoo Racing contou com a ajuda da Brembo e equipou este GR GT com travões carbocerâmicos, que trabalham com pneus Michelin Pilot Sport Cup 2 desenvolvidos especificamente para este modelo.

Alumínio e fibra de carbono

Com 4,79 metros de comprimento, o GR GT é cerca de 6 cm mais comprido do que um Mercedes-AMG GT, o que já nos dá uma boa noção do «porte atlético» deste supercarro que, ainda assim, deverá pesar menos de 1750 kg.

Para isso contribui muito o facto de recorrer a uma estrutura inédita em alumínio, material que também foi usado em vários painéis da carroçaria, juntamente com vários elementos em plástico reforçado com fibra de carbono (capô, tejadilho, portas e tampa da bagageira).

Lexus LFA dos tempos modernos?

Quanto ao design, é inevitável encontrar pontos em comum com o lendário Lexus LFA, ainda que este GR GT apresente linhas e superfícies claramente mais agressivas.

Ainda assim, se olharmos para a postura deste modelo e para as suas proporções, as semelhanças com o LFA são mais do que muitas.

Isto já para não falar das preocupações aerodinâmicas, que ficam bem evidentes pelos vincos no capô, pelas enormes entradas de ar no para-choques dianteiro e, claro, pelo grande difusor traseiro, que integra quatro ponteiras de escape de grandes dimensões, acrescentando uma nota dramática a este supercarro.

Interior focado no condutor

No interior, o GR GT foge aos exageros tecnológicos tão comuns hoje em dia e adota uma configuração mais sóbria, claramente pensada para o condutor.

É verdade que há um enorme ecrã multimédia ao centro e um quadrante totalmente digital, mas a Toyota manteve vários comandos físicos na consola central, que é bastante robusta, e um volante de corte desportivo, com a dose certa de botões e comandos.

Mas talvez o maior destaque do interior do GR GT sejam mesmo os bancos desportivos em fibra de carbono assinados pela Recaro, muito próximos das bacquets usadas em competição.

Resta agora saber quando chegará ao mercado e quanto vai custar. Mas, enquanto isso não acontece, é tempo de celebrar: afinal, não é todos os dias que são apresentados novos supercarros com motor V8. E se o GR GT cumprir tudo o que promete, poderá mesmo tornar-se num dos modelos mais interessantes da atualidade.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário