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Primeiro teste ao CLA 2025: este é o melhor elétrico da Mercedes-Benz

Mercedes-Benz CLA 2025 elétrico cinza, a carregar numa estação moderna, com skyline urbano ao fundo.

Com o novo CLA, a Mercedes-Benz finalmente acertou a fórmula dos seus elétricos e criou, muito provavelmente, o melhor modelo do segmento.

A marca alemã não se limitou a atualizar o Mercedes-Benz CLA: pegou no modelo e reinventou-o de cima a baixo. O resultado é uma proposta que deixa rivais como Tesla Model 3, BMW i4, BYD Seal e Polestar 2 em estado de alerta.

É verdade que, com o desaparecimento iminente do Classe A e do Classe B, o CLA vai passar a ser o modelo de acesso à Mercedes-Benz. Mas não vale a pena subestimá-lo, porque traz soluções e tecnologia que ainda nem chegaram ao incontornável Classe S.

Estreia a plataforma MMA, que também aceita motorizações híbridas, inclui sistema de 800 V, carrega até 320 km de autonomia em poucos minutos e promete 770 km de alcance na versão 350+ 4MATIC, que já tivemos oportunidade de testar nas ruas de Copenhaga. Ora vejam:

Eficiência é chave

Apesar de a silhueta soar familiar, o novo CLA é totalmente novo. Na prática, da geração anterior ficou quase só o nome.

O perfil de inspiração coupé manteve-se quase intacto, embora tenham sido feitas várias alterações para tornar este num dos Mercedes mais aerodinâmicos de sempre, com um Cx de apenas 0,21.

O resultado é um modelo com uma linguagem exterior mais conseguida do que, por exemplo, a dos irmãos EQE e EQS que, curiosamente, apresentam coeficientes de resistência aerodinâmica semelhantes.

Passo em frente

Se por fora a Mercedes-Benz tentou preservar os traços principais da geração anterior, no interior houve uma rutura quase total com o passado.

O tablier é dominado por dois ecrãs de série: um de 10,25” para a instrumentação e outro de 14”, ao centro, para o sistema de infoentretenimento. Em opção, pode juntar-se um terceiro ecrã, também de 14”, colocado à frente do passageiro dianteiro, para ver filmes, ouvir música ou até jogar em viagens mais longas.

O CLA estreia ainda o novo sistema operativo MB.OS, que integra inteligência artificial (IA) da Microsoft e da Google, reunindo várias ferramentas de IA numa única plataforma.

Além disso, o sistema de reconhecimento de voz MBUX Virtual Assistant passa a conseguir perceber várias perguntas seguidas. Ainda assim, pelo menos numa fase inicial, este assistente de IA só estará disponível se falarmos com ele em inglês ou alemão.

Quanto aos materiais e acabamentos - um dos aspetos mais criticados na geração anterior -, o CLA também deu um salto importante, algo que já tínhamos referido há alguns meses, quando estivemos «cara a cara» pela primeira vez com este modelo. Podem ver (ou rever) esse vídeo aqui:

E o espaço?

Graças à nova plataforma MMA, o CLA cresceu 61 mm na distância entre eixos, mas isso sente-se pouco no habitáculo: o espaço para as pernas nos lugares traseiros não aumentou (ficou 7 mm mais curto), embora haja mais espaço para a cabeça e o túnel de transmissão tenha desaparecido.

No capítulo da bagageira, o CLA (nas motorizações elétricas) oferece 405 litros de capacidade atrás (menos 35 litros do que o antecessor) e 101 litros na frunk, por baixo do capô dianteiro.

Somando tudo, é mais do que tínhamos no CLA a gasolina da geração anterior. Mas quando olhamos para rivais como o BMW i4 (440 litros), BYD Seal (453 litros) e Tesla Model 3 (513 litros), percebe-se que o CLA não convence pela capacidade de carga.

Para quem precisa de mais espaço, o CLA também vai estar disponível na carroçaria Shooting Brake, que já oferece 455 litros na bagageira traseira (total de 556 litros se contarmos com a frunk).

Elétrico agora. Híbrido depois

A plataforma MMA foi pensada sobretudo para modelos 100% elétricos, mas continua a aceitar motores de combustão. Por isso, o CLA vai estar disponível com motorizações elétricas e, mais tarde, híbridas (mild-hybrid 48 V).

Quanto à versão mild-hybrid, que chegará ao mercado em março de 2026, vai estrear um novo motor a gasolina de 1,5 litros, fornecido pela Horse, a joint venture entre a Renault e a Geely para motores de combustão.

Podem saber mais sobre este motor, que a Mercedes-Benz promete com consumos ao nível de um Diesel, aqui:

Mas, para já, todas as atenções estão nas versões 100% elétricas, até porque este é o primeiro Mercedes-Benz da história a recorrer a uma arquitetura de 800 V, o que lhe permite potências de carregamento até 320 kW em corrente contínua (DC) - em 10 minutos é possível recuperar 300 km de autonomia.

Dito isto, o novo CLA 100% elétrico vai ser lançado inicialmente com duas motorizações, tração traseira e integral, ou seja, versões com um e dois motores:

  • CLA 250+ - 1 motor traseiro; 200 kW (272 cv); bateria de 85,5 kWh; autonomia entre 694 km e 792 km;
  • CLA 350 4MATIC - 2 motores (frente e trás); 260 kW (354 cv); bateria de 85,5 kWh; autonomia entre 670 km e 770 km.

Neste primeiro contacto em Copenhaga - infelizmente mais curto do que todas as novidades do modelo justificavam -, tivemos oportunidade de conduzir a versão mais forte, com dois motores, que anuncia uma autonomia máxima de até 770 km.

É um dos maiores trunfos deste modelo, que promete consumos combinados de apenas 12,6 kWh/100 km, um valor que normalmente associamos a pequenos elétricos do segmento B.

O recurso a uma invulgar, para um elétrico, caixa de duas velocidades é precisamente pensado para a eficiência. Não é uma solução habitual num elétrico e, nos poucos casos em que existe, o foco está mais na performance - sim, estamos a falar do Porsche Taycan, que não quer ficar mal nas autobahns.

A isto junta-se o facto de o CLA surpreender por ser um elétrico muito agradável de conduzir. Mas, se quiserem saber em detalhe como é estar ao volante deste modelo, então convido-vos a ver o vídeo em destaque neste artigo:

Quanto custa?

O novo Mercedes-Benz CLA já pode ser encomendado em Portugal e tem preços a começar nos 55 500 euros para o CLA 250+ e nos 60 050 euros para o CLA 350 4MATIC.

Estes valores estão em linha com os do BMW i4, mas ligeiramente acima dos do BYD Seal. Face ao Tesla Model 3, a diferença é ainda maior. Ainda assim, este é o preço a pagar por uma proposta verdadeiramente premium, que passa desde já a ser um dos melhores modelos do segmento.

Veredito

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