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Colômbia avança na compra de um sistema antidrones e lança o **Projeto Escudo Nacional Antidrones**

Soldado com equipamento tecnológico controla drones sobre paisagem montanhosa com escudo protetor digital.

Na cerimónia de promoção de oficiais e apresentação da cúpula militar e policial, realizada a 29 de dezembro de 2025 no campo de paradas da Escola Militar de Cadetes General José María Córdoba, em Bogotá, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, deu instruções ao ministro da Defesa, Pedro Sánchez, para avançar com a compra de um sistema antidrones. O objetivo é reforçar as capacidades do Estado no combate a grupos terroristas, melhorar a defesa nas bases militares e aumentar a capacidade operacional.

O chefe de Estado referiu no evento que a gestão de um orçamento de treze biliões de pesos para adquirir o equipamento deverá ser feita através de um documento Conpes (Conselho Nacional de Política Económica e Social). “Estamos a falar de 13 biliões para armas eficazes, não para ficarem guardadas nos armazéns porque não servem para nada“; “Não podemos colocar as tropas frente aos narcotraficantes e, por isso, precisamos de antidrones já; de qualquer forma“.

O Ministério da Defesa lançou uma iniciativa estratégica chamada Projeto Escudo Nacional Antidrones. O projeto, com um orçamento inicial de $6,2 biliões de pesos (aproximadamente 1.700 milhões de dólares), terá as fases preparatórias em janeiro de 2026, mobilizando cerca de $1 bilião de pesos na primeira etapa de desenvolvimento, que está prevista decorrer ao longo do ano.

O projeto assenta em três linhas estratégicas: legislação e doutrina; treino e operações; e tecnologia. Reúne uma equipa multidisciplinar que inclui a Polícia Nacional e as Forças Militares, integradas no Grupo de Drones e Antidrones criado no final de 2025. O seu principal objetivo será detetar, identificar e neutralizar drones não autorizados, prevenir ataques com drones por parte de grupos armados ilegais e do narcotráfico, controlar o espaço aéreo, antecipar novas ameaças e proteger a vida dos cidadãos.

Na sua conta de X, o ministro da Defesa reforçou: “Este projeto, avaliado em 6,2 biliões de pesos, procura proteger a nossa nação perante um novo desafio colocado pelos drones e pela sua utilização pelas ameaças…“…este projeto quer garantir o controlo do espaço aéreo, porque, caso contrário, perderemos muitas vidas…

Para avançar com a aquisição dos equipamentos, o Ministério da Defesa iniciou um processo de concurso público, no qual podem participar entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais. Estas poderão assistir a uma reunião informativa agendada para 16 de janeiro, às 9:00 da manhã, hora colombiana, e registar-se no site do ministério. Para esta convocatória, a MinDefesa definiu várias regras para garantir transparência e uma execução correta do processo; entre elas estão:

Será realizado um processo de contratação direta entre a empresa e o governo nacional, que deverá contar com o apoio do Estado ao qual pertence a companhia signatária. Só poderão participar empresas produtoras; ficam excluídos intermediários, empresas integradoras e comercializadoras. As empresas terão contacto com as equipas de drones e antidrones, que serão responsáveis pelo diálogo; além disso, as propostas serão avaliadas por equipas técnicas, económicas e jurídicas. Não é permitido oferecer presentes, convites ou qualquer atividade que possa influenciar a contratação e, por fim, deve ser incluída uma apólice de cumprimento de uma seguradora reconhecida.

Importa salientar que o contacto direto com os operadores e o facto de estes serem os responsáveis por decidir qual é a melhor proposta reduzem a possibilidade de interesses externos, de oficiais ou políticos, interferirem na compra, dando maior transparência ao processo.

Algumas das exigências do contrato obrigam a empresa a garantir a atualização do software fornecido, incluindo a transferência de tecnologia, o treino e a capacitação dos instrutores para as operações e a manutenção dos equipamentos. Além disso, deverá assegurar que os equipamentos sejam entregues nos prazos definidos e que os testes sejam realizados na Colômbia.

Estes parâmetros de contratação têm como finalidade assegurar uma convocatória com elevado rigor técnico, jurídico e económico, que garanta a transparência e proteja o Estado colombiano do incumprimento contratual, tal como aconteceu noutros contratos no setor da defesa.

Convém recordar que, entre abril de 2024 e novembro de 2025, a Colômbia registou 382 atentados, que provocaram 58 mortos e 300 feridos, números muito elevados tendo em conta o modelo de conflito, o que torna necessário o desenvolvimento deste escudo para proteger as tropas.

Deve também referir-se que, recentemente, foi ativado um batalhão de drones no Exército, que será a principal unidade neste processo, mas que apresenta lacunas precisamente no combate antidrones e na capacidade de ataque, como noticiou a Zona Militar.

*Fotografias de capa utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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