Com o apetite da IA por energia a crescer, a Google está a olhar para uma solução fora da Terra - literalmente. A empresa quer colocar satélites com chips dedicados à inteligência artificial no espaço para contornar os constrangimentos energéticos e acredita que, do ponto de vista económico, o projeto poderá tornar-se viável a partir de meados da década de 2030.
A inteligência artificial já mudou profundamente a sociedade, mas, para que o seu potencial seja mesmo aproveitado ao máximo, as gigantes tecnológicas têm de resolver um problema básico: a eletricidade. Os centros de dados onde correm os modelos de IA consomem enormes quantidades de energia e, em alguns casos, simplesmente falta capacidade para os alimentar. A Microsoft, por exemplo, admitiu recentemente que tem um stock de chips que não consegue utilizar porque não tem energia suficiente para os pôr a funcionar.
Para atacar este problema, muitas empresas - entre elas a Google - estão hoje a apostar na energia nuclear. Mas, além disso, a empresa de Mountain View quer também aumentar a capacidade de computação disponível para a IA ao enviar centros de dados para o espaço. O novo projeto, batizado Suncatcher, foi agora oficializado pela Google. “Numa órbita adequada, um painel solar pode ser até oito vezes mais produtivo do que na Terra e produzir energia de forma quase contínua, reduzindo assim a necessidade de baterias. No futuro, o espaço poderá muito bem ser o melhor local para implementar, em grande escala, a capacidade de computação da inteligência artificial”, explica Travis Beals, diretor sénior da Paradigms of intelligence, uma equipa de investigação da Google.
A Google imagina uma constelação de satélites alimentados por energia solar, com chips TPU e ligados entre si por ligações óticas.
Um projeto de longo prazo
Para já, nenhum satélite foi lançado, porque a Google ainda tem de ultrapassar vários desafios para concretizar esta visão. Por exemplo, a empresa tem de desenvolver uma ligação ultraeficiente entre os satélites. Os grupos de satélites também terão de voar em formação muito próxima para garantir essa comunicação. E a Google terá ainda de confirmar que os seus chips de IA, chamados TPU, suportam as condições do espaço.
Alguns passos já foram dados. A Google publicou, por exemplo, um artigo científico que descreve este novo sistema. A empresa também testou o seu chip Trillium com um feixe de protões de 67 MeV, para avaliar a resistência deste componente às condições espaciais. Além disso, a Google quer enviar dois protótipos de satélites até ao início de 2027, para validar as suas teorias.
No que toca à viabilidade económica, a Google acredita que os preços dos lançamentos vão continuar a descer. “A nossa análise de dados históricos e previsões sobre os preços de lançamento sugere que, com uma redução constante dos custos, estes poderão cair para menos de 200 $/kg até meados da década de 2030. A esse nível de preço, o custo de lançar e operar um centro de dados espacial poderá tornar-se comparável aos custos energéticos declarados de um centro de dados terrestre equivalente, por quilowatt-ano”, afirma Travis Beals.
Projetos semelhantes na SpaceX
Ainda assim, a Google não é a única empresa a pensar em usar satélites para resolver os problemas energéticos da IA. Recentemente, Elon Musk indicou, por exemplo, que a SpaceX também deverá apoiar-se nas tecnologias da Starlink para enviar centros de dados para o espaço.
E Eric Schmidt, antigo CEO da Google, lidera uma startup que também poderá desenvolver esta atividade.
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