Mavi Vatan 2026 reforça a integração entre plataformas navais, meios aéreos e sistemas não tripulados
A Marinha da Turquia encerrou ontem uma nova edição do exercício Mavi Vatan (Pátria Azul) 2026, considerado o maior treino naval conjunto do país, com a participação de 120 plataformas navais, 50 meios aéreos e cerca de 15 000 militares das Forças Armadas e da Guarda Costeira.
Realizado entre 3 e 9 de abril, o exercício decorreu em vários cenários, incluindo o Mar Negro, o Mar de Mármara, o Mar Egeu e o Mediterrâneo Oriental, tendo a fase final de fogo real decorrido no Golfo de Antalya. Nesta edição, a Marinha, o Exército, a Força Aérea e a Guarda Costeira atuaram em conjunto, sob coordenação do Comando das Forças Navais.
A edição de 2026 voltou a mostrar a aposta turca na combinação de meios tripulados e não tripulados, uma tendência cada vez mais central na guerra naval moderna. A ampla dispersão geográfica das manobras permitiu testar procedimentos em diferentes ambientes marítimos e validar a coordenação entre sensores, armamento e centros de comando.
Na jornada de encerramento, as operações foram acompanhadas a bordo do navio-almirante TCG Anadolu (LHD), onde autoridades como o chefe do Estado-Maior turco, general Selçuk Bayraktaroğlu, observaram a execução das ações por parte das unidades e do pessoal envolvidos. Um dos primeiros momentos de relevo foi a descolagem de um veículo aéreo não tripulado armado Bayraktar TB3, sublinhando a capacidade de operar aeronaves embarcadas a partir desta plataforma.
Seguiu-se a fase de fogo real, durante a qual foram executados vários exercícios com sistemas de armas, entre os quais a neutralização de minas à deriva, missões de bombardeamento naval contra alvos costeiros realizadas pela corveta da classe ADA TCG Istanbul, e ataques contra alvos de superfície com recurso a veículos não tripulados.
Um dos aspetos mais notáveis foi, além disso, a integração pela primeira vez de veículos de superfície não tripulados kamikaze (USV), através do sistema Pirana K-USV, que atingiu com êxito um alvo no mar. Em paralelo, o Bayraktar TB3 realizou um ataque com munição guiada MAM-L contra um alvo do tipo USV Albatros.
No componente aéreo, helicópteros AH-1W Super Cobra lançaram mísseis CİRİT e AGM-114 Hellfire, enquanto um Sikorsky SH-70 Seahawk efetuou disparos do sistema TEMREN contra alvos de superfície. Estas operações foram conduzidas a partir do TCG Anadolu, incluindo manobras de evasão com lançamento de contramedidas.
Outro dos marcos do exercício foi o disparo de torpedos pesados AKYA, desenvolvido pela indústria turca, lançados a partir do submarino da classe Preveze TCG Sakarya (S-354), que atingiu com sucesso o navio-alvo desativado Akbaş. Em simultâneo, unidades navais efetuaram disparos de mísseis antiaéreos RIM-7 Sea Sparrow contra alvos aéreos não tripulados.
Por fim, o exercício incluiu também o desdobramento de 24 veículos aéreos não tripulados, o maior número registado até agora no Mavi Vatan, consolidando a sua integração em operações conjuntas. Na fase inicial, entre 3 e 8 de abril, decorreram ainda manobras de interoperabilidade, calibração de sistemas e exercícios de comando e controlo.
A repetição de cenários complexos e a presença de meios de diferentes ramos das forças turcas reforçam a prontidão operacional do dispositivo naval do país. Ao mesmo tempo, a crescente utilização de plataformas não tripuladas demonstra a intenção de ampliar o alcance, a precisão e a flexibilidade das missões marítimas em futuros exercícios e operações reais.
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