O Exército Argentino deu início, de forma oficial, à fase de desdobramento do exercício Kekén, uma atividade de instrução que se prolongará até 2 de maio e que terá lugar em vários pontos da Patagónia argentina. Segundo a força, esta primeira fase inclui o transporte estratégico multimodal de meios e pessoal para a zona de operações, antes do arranque da fase de execução das operações e, mais tarde, da recolha final dos elementos para os respetivos quartéis de origem.
Primeira fase logística: comboios, viaturas e pessoal em deslocação
De acordo com a informação avançada pelo Ministério da Defesa, a manobra começou com o carregamento e o transporte ferroviário de veículos de combate, de reconhecimento, especiais e de uso geral em Santos Lugares, Córdoba e La Pampa, assinalando assim o arranque de um movimento logístico de grande escala.
Neste quadro, a 7 de abril teve início o carregamento dos TAM 2C-A2. Conforme foi detalhado, este comboio seguirá para Retiro e, durante a tarde e o início da noite de 9 de abril, atravessará Puerto Madero, com destino final à estação Darwin, na província de Río Negro, depois de percorrer mais de 1.000 quilómetros por via férrea.
Em paralelo, está a ser carregada em Córdoba outra composição ferroviária com material pertencente à 4.ª Brigada Aerotransportada e à Agrupação de Forças de Operações Especiais. Este comboio fará ainda uma paragem na La Pampa, onde serão integrados dois dos meios mais relevantes recentemente incorporados pela força: os novos Veículos de Combate Blindados sobre Rodas Stryker 8×8 M1126 e os camiões táticos Oshkosh M1083 A1P2, para depois prosseguir viagem até Comodoro Rivadavia.
A este dispositivo soma-se também a deslocação de pessoal e de cargas ligeiras por marchas motorizadas, inserida num esquema que procura articular meios ferroviários, rodoviários e aéreos para sustentar a projeção de forças a grandes distâncias.
A utilização combinada destes meios não responde apenas a uma necessidade de transporte. Também permite testar, em simultâneo, a coordenação entre unidades, a sincronização dos tempos de deslocação e a capacidade de manter uma cadeia logística contínua em cenários muito extensos, onde a distância entre pontos de apoio pode condicionar a velocidade de reação. Em operações deste tipo, cada janela de tempo ganha relevância, desde o abastecimento ao reequipamento, passando pela manutenção e pelas comunicações.
Zonas de manobra do Exercício Kekén
Depois de concluída esta etapa logística, a fase operacional começará a 19 de abril, com a ocupação das posições iniciais pelas tropas participantes. O Exercício Kekén será realizado em três áreas concretas: Puerto Deseado, na província de Santa Cruz; Comodoro Rivadavia, em Chubut; e o eixo compreendido entre os campos de instrução militar Cerro Bagual e Lote 4, nas proximidades da Guarnição do Exército de Sarmiento, também em território chubutense.
Desta forma, o desdobramento não terá apenas uma forte dimensão logística, mas também uma orientação clara para a instrução num ambiente operacional patagónico, marcado por grandes extensões, clima adverso e exigências do terreno.
Estas condições tornam a atividade especialmente útil para treinar a sustentação prolongada de forças longe das suas bases habituais. Na Patagónia, a combinação entre vento, baixas temperaturas, pisos difíceis e longas distâncias impõe maior rigor na movimentação de viaturas, na proteção dos meios e na ligação entre as unidades, o que aumenta a dificuldade e o valor do exercício.
Unidades e meios envolvidos na operação
Nestas áreas atuará principalmente a XI Brigada Mecanizada, reforçada com uma combinação de meios e capacidades provenientes de vários pontos do país. A informação divulgada oficialmente indica que participarão elementos paraquedistas, forças especiais, os já referidos VCBR Stryker, os TAM 2C-A2, além de baterias de artilharia antiaérea com radares, meios de engenharia, sistemas de comunicações e helicópteros.
Com este conjunto de capacidades, o Exército pretende executar um exercício que incluirá ações defensivas, operações de configuração com emprego de forças aerotransportadas e tropas de comandos, bem como contra-ataques e tiro de combate, elevando o nível de complexidade e de realismo da instrução.
A presença de meios de diferentes especialidades permite ainda avaliar a interoperabilidade entre forças mecanizadas, unidades de manobra ligeira e apoio de combate. Em termos práticos, este tipo de integração é essencial para verificar se a cadeia de comando, os sistemas de comunicações e o apoio de fogos funcionam de forma coerente quando as unidades operam dispersas em vários eixos.
Supervisão e comando do exercício
Por fim, destaca-se que as atividades serão supervisionadas pelo Comando de Instrução e Alistamento do Exército e conduzidas pelo Comando da 3.ª Divisão do Exército, numa das iniciativas mais relevantes do calendário operacional da força.
Para além da instrução tática, o exercício procura também demonstrar a capacidade do Exército Argentino para projetar presença na Patagónia através de um sistema de transporte estratégico multimodal, cobrindo distâncias de até 1.500 quilómetros.
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