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Sensação médica: Cientistas programam células que combatem o cancro diretamente no corpo.

Paciente sentado com braço marcado por gráficos científicos, médica mostra imagens celulares num tablet.

Em certas doenças oncológicas do sangue, as terapias com células CAR-T já são vistas há algum tempo como uma grande promessa. Mas o tratamento é extremamente caro, tecnicamente complexo e, para muitos doentes, simplesmente inalcançável. Agora, uma equipa de investigação da Califórnia anuncia uma quebra de paradigma: pela primeira vez, conseguiu reprogramar no corpo de animais de laboratório células imunitárias humanas para reconhecerem e eliminarem células cancerígenas - com apenas uma injeção.

Porque as células CAR-T e a terapia CAR-T continuam fora do alcance de muitos doentes

As células CAR-T são linfócitos T, ou seja, células do sistema imunitário equipadas com um recetor artificial. Esse chamado CAR (recetor quimérico de antigénio) funciona como uma antena: identifica determinadas proteínas na superfície das células cancerígenas e desencadeia então o ataque.

Nos Estados Unidos, várias destas terapias contra leucemias e linfomas já estão aprovadas. Em alguns doentes, tumores que já não respondiam a qualquer outro tratamento desapareceram, por vezes de forma duradoura. Ainda assim, o método continua a ser uma oferta de nicho.

  • Para cada doente, é necessário recolher células T próprias a partir do sangue.
  • Essas células são geneticamente modificadas num laboratório especializado.
  • Depois, são multiplicadas, preparadas e reinfundidas no doente.
  • Entretanto, muitas vezes é necessária quimioterapia intensa para abrir espaço na medula óssea.

Todo o processo demora várias semanas e custa, segundo estimativas atuais, entre 400.000 e 500.000 dólares, ou seja, cerca de 370.000 a 460.000 euros. Muitos hospitais nem sequer conseguem disponibilizar este tratamento, e as seguradoras de saúde e os sistemas de saúde esbarram rapidamente em limites financeiros.

O resultado: mesmo os doentes para quem uma terapia CAR-T seria, em teoria, adequada, muitas vezes recebem-na demasiado tarde ou nem chegam a recebê-la, porque faltam capacidade, tempo ou dinheiro.

A nova ideia da terapia CAR-T: programar células assassinas do cancro “on demand” no organismo

É precisamente aqui que entra a equipa da Universidade da Califórnia em São Francisco. Os investigadores quiseram contornar a produção laboriosa de células em laboratório e reprogramar diretamente o sistema imunitário dentro do corpo. A sua ferramenta: a tesoura genética CRISPR-Cas9 e um sistema de injeção desenvolvido de forma dirigida.

Um sistema de dois componentes no sangue

Os cientistas utilizaram duas partículas diferentes, que injetaram na corrente sanguínea dos animais de experiência:

  • Transportador de CRISPR: estas partículas levam a tesoura genética CRISPR-Cas9 até às células T em circulação. Com isso, é possível cortar de forma muito precisa segmentos do material genético.
  • Carga genética para o recetor CAR: o segundo tipo de partícula contém as instruções para o recetor CAR artificial. Esta sequência de ADN é programada para ser inserida num local muito específico do genoma das células T - numa espécie de interruptor molecular que só está ativo nestas células imunitárias.

Além disso, as partículas foram concebidas para se dirigirem preferencialmente aos linfócitos T e para não serem captadas de imediato por outros componentes do sistema imunitário. O objetivo: que o maior número possível de células T receba o novo plano de construção, enquanto outros tipos celulares permanecem intactos.

Pela primeira vez, foi possível introduzir com precisão uma sequência de ADN mais longa em células T humanas

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