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Nova missão da ESA: sonda Ramses vai estudar de perto o asteroide de risco Apophis.

Sonda espacial com painéis solares em órbita sobre a superfície lunar com a Terra ao fundo.

Com a missão Ramses, a Agência Espacial Europeia (ESA) prepara-se, em conjunto com o Japão, para um momento pouco comum: dentro de poucos anos, o asteroide próximo da Terra Apófis passará tão perto do nosso planeta que poderá ser visto a olho nu. A missão não pretende apenas recolher dados científicos; quer também mostrar até que ponto a humanidade está preparada para, no futuro, travar possíveis ameaças vindas do espaço.

Asteroide Apófis: um bloco do tamanho da Torre Eiffel

Apófis foi descoberto em 2004 e integra o grupo dos chamados asteroides próximos da Terra. Os especialistas classificam-no como um “asteroide que cruza a órbita terrestre”: a sua trajetória em torno do Sol interceta a órbita do nosso planeta. Em geral, estes corpos são considerados potencialmente perigosos, porque as suas órbitas podem alterar-se ligeiramente ao longo de períodos muito longos.

As dimensões de Apófis impressionam. O asteroide tem cerca de 330 metros de diâmetro - aproximadamente a altura da Torre Eiffel. O seu peso é estimado entre 40 e 50 milhões de toneladas. Move-se pelo espaço a cerca de 12 quilómetros por segundo, ou seja, a mais de 40 000 quilómetros por hora.

A passagem de Apófis, em 13 de abril de 2029, é a aproximação mais próxima conhecida de um asteroide deste tamanho na história moderna.

Se houvesse um impacto direto, o cenário seria grave: os investigadores calculam que se formaria uma cratera oito a dez vezes maior do que o próprio asteroide. No caso de Apófis, isso corresponderia a cerca de 2,5 quilómetros de diâmetro. Se um corpo destes colidisse com o mar, poderia provocar tsunamis de grande dimensão. Em terra firme, haveria ondas de choque, incêndios em larga escala e destruição extensa num raio de dezenas de quilómetros.

Até que distância Apófis vai realmente passar da Terra?

A data crítica já está definida: segundo os cálculos atuais, em 13 de abril de 2029 Apófis passará a apenas cerca de 31 600 quilómetros da Terra. Para comparação, muitos satélites geoestacionários orbitam a cerca de 36 000 quilómetros de altitude. O asteroide atravessará, portanto, a zona onde circula parte dos nossos satélites tecnológicos.

A boa notícia é que, para 2029, os principais programas de vigilância do céu não apontam qualquer risco de colisão. As trajetórias estão hoje medidas com tanta precisão que o impacto é considerado excluído. Ainda assim, a passagem continua a ser fascinante. A enorme gravidade da Terra vai alterar a órbita do asteroide e também o seu estado interno. Podem surgir pequenas fraturas, deslizamentos à superfície ou mudanças na rotação.

Em muitas regiões da Europa e de África, as pessoas deverão conseguir avistar Apófis a olho nu no céu noturno. Surgirá como um ponto luminoso que se desloca lentamente - mais brilhante do que muitas estrelas, mas menos chamativo do que a Lua ou Vénus.

Ramses: a segunda grande missão europeia de segurança no espaço

Ramses faz parte do programa da ESA “Segurança do Espaço”, lançado em 2019. O objetivo é detetar antecipadamente e analisar objetos que possam aproximar-se perigosamente da Terra. A missão dá continuidade a outros projetos em que, pela primeira vez, se testou de forma deliberada a desvio de um asteroide.

A ESA trabalha em estreita colaboração com a agência espacial japonesa JAXA. O Japão já tem experiência em missões a asteroides, como as sondas Hayabusa e Hayabusa2, que trouxeram para a Terra amostras de pequenos corpos celestes. Esse conhecimento será agora integrado em Ramses.

Ramses não vai desviar Apófis; vai medi-lo com uma precisão nunca antes alcançada - como preparação para futuras estratégias de defesa.

Janela de lançamento, duração do voo e tempo da missão

O lançamento de Ramses está previsto entre 20 de abril e 15 de maio de 2028. O local de descolagem será a ilha japonesa de Tanegashima, de onde partem regularmente foguetões. Depois do lançamento, a sonda precisará de cerca de dez meses para chegar a Apófis.

Antes da aproximação de 2029, Ramses irá aproximar-se do asteroide e acompanhá-lo durante cerca de seis meses. Nesse período, a sonda orbitará o bloco rochoso ou seguirá ao seu lado e recolherá dados a curta distância - a distâncias em que câmaras de alta resolução e instrumentos de medição conseguem registar a superfície em detalhe.

O que Ramses vai medir, em detalhe

A sonda transportará um conjunto completo de instrumentos científicos. Com eles, os investigadores querem perceber como Apófis está estruturado, de que forma se move e como reage à proximidade da Terra.

  • Câmaras de alta resolução: mapeamento da superfície e procura de rochedos, fendas e deslizamentos.
  • Espectrómetros: análise da composição química da rocha e do pó.
  • Medidores de distância por laser (LIDAR): criação de um modelo tridimensional do asteroide.
  • Experiências de rádio: determinação da massa, da densidade e da estrutura interna.
  • Medição da rotação: acompanhamento de alterações na velocidade de rotação e no eixo de rotação.

Uma questão central é saber se Apófis é sobretudo um bloco rochoso compacto ou um chamado “asteroide montículo de entulho”, isto é, uma agregação solta de muitos fragmentos mantidos juntos apenas pela gravidade mútua. Esta distinção é decisiva para perceber que métodos de defesa poderiam funcionar em caso de necessidade.

Defesa planetária: ensaio geral num objeto de risco real

Ramses não é apenas uma aventura científica. A missão também serve de teste para perceber se a cooperação internacional, a tecnologia e as cadeias de decisão funcionam caso um asteroide verdadeiramente perigoso siga rumo à Terra. Pode encarar-se como uma espécie de “exercício de incêndio” no espaço - mas com um objeto real e medições reais.

Entre as questões estratégicas incluem-se:

  • Com que rapidez podem as agências espaciais do mundo responder a uma ameaça?
  • Até que ponto é possível prever órbitas e probabilidades de impacto com exatidão?
  • Que método de defesa é adequado para cada tipo de asteroide?
  • Como coordenar as decisões políticas e a informação ao público?

Em particular, a Europa quer deixar de depender apenas dos EUA ou de outros países nesta área e desenvolver capacidades próprias. Ramses reforça claramente esse papel.

Porque é que a passagem de 2029 é um verdadeiro tesouro para a investigação

Quando Apófis passar tão perto da Terra, a gravidade do nosso planeta funcionará como um enorme teste de esforço para o asteroide. A superfície pode sofrer deslizamentos, poderão soltar-se pedras e a rotação poderá inclinar-se ligeiramente. Todos estes efeitos interessam aos especialistas, porque ocorrem em todo o Sistema Solar - embora, na maioria das vezes, sejam muito mais difíceis de observar.

A missão fornecerá dados que não podem ser reproduzidos num laboratório. A proximidade da Terra oferece uma espécie de “experiência natural”: como se comporta um asteroide de tamanho médio quando uma grande massa o puxa com força durante um curto período? Estas conclusões alimentam modelos que ajudam a compreender melhor a evolução do Sistema Solar.

Termos técnicos explicados de forma simples

Termo Significado
Asteroide que cruza a órbita terrestre Asteroide cuja trajetória interceta a órbita da Terra e que se aproxima relativamente do nosso planeta.
Defesa planetária Conjunto de medidas destinadas a evitar impactos de corpos celestes perigosos ou a reduzir os seus danos.
Asteroide montículo de entulho Acumulação pouco coesa de fragmentos menores, em vez de uma única rocha maciça.
Apófis Asteroide próximo da Terra com cerca de 330 metros de diâmetro, que passará particularmente perto da Terra em 2029.

O que Apófis significa para a Terra a longo prazo

Para 2029, a situação está clara: não haverá impacto. O que continua a interessar é a forma como a órbita do asteroide se alterará depois da passagem. As forças gravitacionais da Terra podem “puxar” ligeiramente Apófis, ajustando um pouco a sua trajetória. As medições precisas da missão Ramses reduzem as incertezas e ajudam a avaliar corretamente encontros futuros mais distantes.

Deste modo, diminui o risco de surpresas desagradáveis. As estimativas atuais para as próximas décadas não apontam para uma ameaça urgente, mas dados rigorosos são a base de qualquer previsão fiável. Quanto melhor se conhecer Apófis, mais cedo será possível detetar cenários problemáticos - idealmente décadas antes de uma data crítica.

Ao mesmo tempo, a missão mostra como a ciência e a segurança política estão intimamente ligadas nesta matéria. Os dados que os investigadores usam para modelos de formação planetária são também o alicerce de conceitos de proteção que, um dia, poderão revelar-se decisivos quando surgir um asteroide menos cooperante.

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