Saltar para o conteúdo

Manuel Monteiro elogia recuperação do CDS-PP no 32.º Congresso e defende lealdade à AD

Homem de cabelos grisalhos fala ao microfone durante evento oficial com bandeira de Portugal ao fundo.

O 32.º Congresso do CDS decorre este fim de semana em Alcobaça, com quatro moções em debate e dois candidatos à liderança. Até ao momento, e entre antigos dirigentes, “Além de Manuel Monteiro, Assunção Cristas foi a única ex-líder a intervir até ao momento”. Num vídeo exibido durante a tarde deste sábado, Cristas deixou uma “palavra de grande força e ânimo” a um CDS que descreveu como “bem vivo e com capacidade de ação”, acrescentando que o caminho que se segue “obviamente não é fácil, mas vai-se construindo”.

Manuel Monteiro no 32.º Congresso do CDS: elogios e alerta sobre autonomia

Três congressos, três presenças. Depois de, em 2022, ter ido a Guimarães para apoiar Nuno Melo na primeira candidatura à liderança e de, em 2024, ter estado em Viseu para defender a “verdadeira direita”, Manuel Monteiro voltou agora à reunião magna centrista. No seu discurso, destacou a recuperação do partido nos últimos anos e mostrou-se confiante de que o CDS “saberá trilhar” um futuro em que, mesmo em coligação, “está sempre preparado para concorrer sozinho”.

Numa altura em que vozes internas avisam para o perigo de o CDS se confundir com o PSD - e em que três das moções reclamam maior autonomia - o antigo presidente do CDS-PP sublinhou a importância de “lealdade e compromisso” com a AD. “Quero que este Governo tenha sucesso. Votei na coligação e acredito que tem todas as condições para fazer o bem para o país”, afirmou, perante o 32.º Congresso.

Ainda assim, fez questão de ressalvar que o partido, que em 1987 chegou a ser “do táxi” quando ficou reduzido a quatro deputados, “nunca deixa de ter as chaves do seu próprio carro no seu próprio bolso para, se necessário, se pôr à estrada e caminhar sozinho”. Na sua perspetiva, o CDS não existe “por si próprio”: existe porque tem “uma ideia de Portugal e é em nome de Portugal que tem resistido e existido.”

Voltando-se para o que entende ser o desafio político mais imediato - e falando como alguém que chegou a abandonar o partido e a fundar outro - defendeu que o CDS precisa de “compreender o descontentamento político e eleitoral de percentagens muito significativas de portugueses” que “sentem - em muitos casos com razão - que o sistema político falhou”. Só com essa postura, sustentou, será possível “recuperar esses eleitores”, numa alusão evidente ao crescimento do Chega.

Em paralelo, considerou indispensável que o partido não hesite em “afirmar a sua identidade”. Essa identidade, disse, passa por posições nítidas em matérias como família, casamento, “complementariedade entre mulheres humanos” e eutanásia. “É natural que nos assumamos conservadores, mas nunca reacionários”, declarou. “Se o CDS quer manter a lógica democrata-cristã, não tem, nunca teve, nem nunca devia ter tido qualquer hesitação neste domínio”, insistiu. Se em algum momento houve hesitação, classificou-a como uma “nuvem passageira”, mas advertiu: “em política, há nuvens passageiras que causam estragos e nos fazem perder eleitorado”.

Os “pesos pesados” ausentes e os “pesos leves” presentes

Num congresso marcado por referências a figuras afastadas e por ausências notadas, Manuel Monteiro - que se desfiliou em 2003 e só voltou a aproximar-se em 2022 - fez questão de defender que tanto contam os militantes que lá estão desde a fundação como os que chegam agora. “Li que os pesos pesados não vinham ao congresso e pensei: então têm de ir os pesos leves para mostrar que todas as pessoas são importantes e relevantes na vida do partido”, atirou, em tom irónico.

Assumindo-se ele próprio como “peso leve”, deixou também um apelo aos jovens da Juventude Popular: mais do que desejarem ser “assessores de vereadores”, devem querer alargar a base do partido e trazer novos militantes. Reforçou ainda a sua visão sobre a ação política: “A política serve para trabalhar pelo bem comum”, sendo o “poder um meio e não um fim”, afirmou.

Justiça, educação, saúde e ferrovia nas prioridades apontadas

Ao abordar a área da Justiça, defendeu ser prioritário perceber o que está na origem de atrasos que considera “um empecilho ao desenvolvimento e que corrói a sustentabilidade do sistema democrático”. Já sobre educação e saúde, alertou para o que classificou como o “erro socialista de dar tudo a todos por igual”. Sustentou também que a aposta na ferrovia é um motor de desenvolvimento e entregou a Nuno Melo dois textos, de autores ligados à área política do CDS, que já em 1980 defendiam a necessidade de alterar a Constituição.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário