Correr atrás do prejuízo é um idiomatismo que aponta para o esforço de recuperar, reparar ou, pelo menos, atenuar uma perda, um dano ou uma circunstância desfavorável. Perante a enxurrada de críticas - incluindo as vindas de militantes menos intransigentes do PCP e até após o anúncio do BE e do presidente da AR de propostas de votos de pesar no Parlamento pela morte de Carlos Brito - Paulo Raimundo viu-se, de facto, forçado a sair da bolha imaginária em que vive e que ele confunde com o mundo real. Assim que percebeu que o tema chegaria a S. Bento e passaria a ser do conhecimento público, começou a correr atrás do prejuízo para limitar danos. Anunciou, também ele, a apresentação de um voto de pesar na AR com idêntica intenção. Por convicção? Ou por hipocrisia?
Helder Pancadas, Sobreda
Uma galinha de ovos de ouro
Os mais recentes indicadores na área da Saúde confirmam aquilo que já se receava: as listas de espera estão a aumentar. Ao mesmo tempo que as parcerias público-privadas sobem 60% em 2024, e quando o Estado já paga todos os anos aos privados 150 milhões de exames de diagnóstico, a saúde pública adoece ainda mais. O insucesso da estratégia do Governo - tanto na Saúde como na Habitação, onde a falha é ainda mais evidente - não é acidental: os valores e as preocupações sociais-democratas foram, de forma encapotada, substituídos por uma agenda que à superfície parece liberal - entregar quase tudo ao mercado -, mas que, na prática, é pior do que isso: é mesmo neoliberal. O Estado não é apenas diminuído, como pretendem os liberais; é reconfigurado para funcionar como um agente que assegura o bom andamento de um mercado altamente lucrativo, privatizando empresas estratégicas e desviando despesas sociais, como a Saúde, para o sector privado. Só uma agenda neoliberal dissimulada explica que Montenegro não substitua a ministra: por que motivo haveria de atacar a raposa, se ela consegue transformar a capoeira, fazendo com que as galinhas passem a pôr ovos de ouro?
José Cavalheiro, Matosinhos
Montenegro não resulta
Por muito ódio que exista contra Costa, por muitos vivas a Ventura, por muitas miragens de pequenos partidos que se julguem imprescindíveis, está mais do que demonstrado que Montenegro não resulta como primeiro-ministro. Não funciona. Não sabe, não tem linha de conduta, em coisa nenhuma. Não consegue reformar as Forças de Segurança, não foi capaz de melhorar o crédito à habitação, não acerta com a Lei da Nacionalidade, a Justiça está bloqueada, a reforma laboral arrastou-se sem qualquer necessidade e é uma inconsequência. O país está emperrado. Na política externa, impera uma espécie de neutralismo, que muitas vezes não é mais do que incapacidade de escolher.
Augusto Küttner, Porto
Esquadra de horror e palmatória
Em Lisboa, onde um grupo alargado de polícias - com chefias incluídas - foi “apanhado” e levado a Tribunal, o Ministério Público acabou de mãos a abanar, face ao que defendia para a aplicação das medidas que considerava adequadas aos elementos que praticaram atos de tortura e violação e que, armados em cineastas ambulantes, filmavam as práticas infligidas às vítimas, por serem de cor e de tamanho estranho, e por vícios aspirados.
Joaquim A. Moura, Penafiel
Intolerável é a palavra
O PCP não tem nada a dizer, porque se encontra fechado sobre si próprio, preso a um pedregulho tático que Carlos Brito denunciou e combateu: uma deriva de marxistas embotados que nunca assimilaram a dialética, uma deriva cega que, cada vez mais, os puxa para as profundezas da irrelevância. Muitos procuraram a palavra certa para classificar a atitude da direção do PCP: tristeza?, vergonha?, ingratidão?, mesquinha? Porém, foi na simples, mas significativa, cerimónia fúnebre que surgiu o termo exato: intolerável.
José Cavalheiro, Matosinhos
Dia da Europa, à americana
A proposta “Industrial Accelerator Act” surge como resposta a uma tendência estrutural de desindustrialização e às fragilidades das cadeias de abastecimento expostas por várias crises e pelas tensões geopolíticas. Não deixa de ser curioso o quanto se assemelha ao “America First”, de 2016. No que toca aos fluxos migratórios, a partir de 12 de junho de 2026 entrará em vigor na UE uma reforma profunda das suas políticas de imigração e asilo, com novas leis que apertam o controlo dos fluxos migratórios.
Fernando Ribeiro, São João da Madeira
Retificação
No texto sobre o livro “LX 90”, de Joana Stichini Vilela e Pedro Fernandes, publicado na Revista (pág. 46), a editora é indicada incorretamente como sendo a Tinta-da-china, quando na verdade é a D. Quixote. Aos visados, apresentamos as nossas desculpas.
Os originais das cartas não devem exceder 150 palavras, reservando-se a Redação o direito de as condensar. Os autores devem identificar-se, indicando o nº do Cartão de Cidadão, a morada e o nº do telefone. Não devolvemos documentos que nos sejam enviados. As cartas podem também ser publicadas na edição online.
Para contacto: [email protected]
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