Falar de ralis em Portugal é, inevitavelmente, falar de Armindo Araújo. O piloto de Santo Tirso construiu um percurso tão vasto e vitorioso que o coloca, com naturalidade, entre os melhores portugueses de sempre na modalidade.
São já 25 anos de carreira e mais de 22 títulos acumulados, com destaque para dois campeonatos do mundo de ralis de produção (PWRC) e oito títulos no Campeonato Nacional de Ralis.
Às portas de mais uma temporada, decidimos trocar-lhe as voltas com uma surpresa pouco óbvia. Armindo Araújo veio aos estúdios da Razão Automóvel a pensar que o esperava apenas um podcast - mas havia um plano diferente. Veja o vídeo:
O Clio 16V de Armindo Araújo onde tudo começou
A ideia era tão simples quanto eficaz: esconder o Renault Clio 16V com que Armindo Araújo se estreou nos ralis, em 2000, e preparar o momento da revelação. O mais curioso? Até há pouco tempo, nem nós tínhamos a certeza de que este Clio fazia parte do início da história deste campeão. Há coincidências assim.
Já sentado no estúdio, enquanto contava ao Diogo Teixeira de que forma nasceu a sua ligação ao desporto motorizado - e, sobretudo, como fez a transição das motos para os automóveis - o tema do primeiro carro de competição, o Clio 16V, acabou por surgir naturalmente. Foi então que o Diogo travou a conversa e atirou: “Temos uma surpresa para ti…”.
Sem desconfiar do que vinha aí, o bicampeão do mundo de PWRC não conseguiu disfarçar o choque quando percebeu o que estava a acontecer: ali, mesmo à sua frente, estava o automóvel com que, em abril de 2000, no Rali Montelongo/Cidade de Fafe, deu o primeiro passo na sua carreira nos ralis.
E quase que foi uma estreia perfeita. Armindo Araújo terminou em segundo lugar na categoria Promoção, a apenas 6,9s do vencedor. A partir desse momento, a paixão pelos ralis ganhou outra escala e, como tantas vezes se diz, o resto é história.
Do Saxo S1600 ao WRC
Dois anos mais tarde, já competia com um Saxo S1600 integrado na equipa oficial do importador nacional da Citroën. E em 2007 chegaria o primeiro grande marco internacional: a conquista do título do PWRC, 14 anos depois de Rui Madeira ter alcançado a mesma proeza para Portugal.
Determinando em repetir o feito, o piloto de Santo Tirso entrou no ano seguinte com o objetivo claro de revalidar - e conseguiu mesmo renovar o título - antes de avançar para o passo seguinte do seu percurso: o WRC.
Com o apoio dos patrocinadores, em particular da Galp, que o acompanha desde sempre, Araújo juntou as condições necessárias para enfrentar a temporada de 2011 ao volante de um MINI Countryman WRC, preparado por uma equipa semi-oficial, a Motorsport Itália.
Depois de oito provas realizadas nesse ano, surgiu o convite para, em 2012, assumir o estatuto de piloto oficial da MINI no WRC. Assim, tornou-se no primeiro piloto português a disputar uma temporada completa ao volante de um WRC.
Planos para o futuro
Mais recentemente, Armindo Araújo tem dividido a atividade entre o Campeonato de Portugal de Ralis e o Campeonato de Todo o Terreno. Em 2023, somou ainda um feito inédito no TT: conquistou o seu primeiro título pessoal na disciplina, ao sagrar-se campeão nacional da Categoria T3.
Quanto ao que aí vem, o piloto preferiu não abrir totalmente o jogo, mas na passagem pela Razão Automóvel deixou clara a ambição de alinhar no Rali Dakar, mesmo não sendo, por agora, algo já marcado no seu calendário.
Para já, o foco está na temporada de 2025 no Campeonato de Portugal de Ralis, com o Skoda Fabia RS Rally2 da Team Armindo Araújo Racing Factory. E quem sabe se, um dia, não volta a percorrer estradas com o Renault Clio 16V!
Um empurrão extra da Galp
Depois deste lado mais pessoal - que incluiu, inclusive, a primeira boleia da Razão Automóvel - ainda houve margem para abordar um outro “extra” capaz de dar mais fôlego ao automóvel: o novo Galp Evologic Extra.
Com uma fórmula revista para 2025, promete até mais 65 km por depósito, maior eficiência de combustão e proteção do motor. Seja no carro do dia a dia ou, quem sabe, num Clio 16V já afastado das competições:
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